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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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O analfabeto político é tão burro que se orgulha dizendo que odeia política. O imbecil não sabe que, da sua ignorância política, surge o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais. (Bertold  Brecht)

Sempre aos sábados penso sobre o conteúdo do artigo a ser publicado no blog na terça-feira seguinte. Desta vez, me veio a dúvida sobre o que escrever: prosseguir com minha convicção sobre o valor das redes de compartilhamento como movimento de aprimoramento educacional; divulgar a criatividade como estratégia de ter ideias para resolver problemas intrincados; comentar o noticiário da mídia sobre a roubalheira nacional ou responder a um amigo que retornou ao Brasil depois de trinta anos de Europa cobrando uma posição do Ensino Superior Particular a respeito dos dissabores do país.

“Me perdoa”, diz o Prof. Peña, “mas no mundo todo, lá fora, percebe-se o naufrágio do Brasil, provocando um pânico crescente, que pelo visto, ninguém é capaz de remediar, com mazelas de todos os lados e pedindo desculpas para perguntar-me por que o Ensino Brasileiro nada disse sobre tudo isto e o conluio entre administradores públicos, congressistas e empresários. E nem dos safados, que arruinaram a Saúde Pública no Rio de Janeiro e foram celebrar seu latrocínio em Paris.”

Sei que tudo é procedente e mais seria se você tivesse escrito após ver os vídeos dos proprietários e administradores da Odebrecht, que expuseram claramente (com a maior cara de pau) seu modelo de negócios, o trato com os representantes dos diversos poderes e a forma privilegiada do “toma lá, dá cá”. Suas indagações, prof. Peña, são totalmente pertinentes, entretanto não acontecem só no Brasil, mas em todo mundo desde priscas eras. É por causa disto que todos querem ser “amigos do rei”.

Perdemos por aqui gerações que poderiam multiplicar oportunidades em todos os setores. Descuidamos e o câncer se alastrou pelo corpo. Temos por aqui os piores índices em tudo, que vão do baixo IDH à falta de segurança, crianças sem creches, analfabetismo batendo em milhões, “bolsas tudo”, saúde (no cemitério) e desgraça geral.

Diga aí como dar solução a tudo isso, sem falar no transporte público, nos juros exorbitantes que grassam nos negócios. Mas o que fazer?

A corrupção é endêmica na vida política e social do país. Perpassa não só partidos e empresas e inclui muitíssimos cidadãos – seja sonegando altas somas de impostos, seja escondendo grande parte de suas fortunas em bancos estrangeiros ou em paraísos fiscais, mas também está na arraia-miúda, que suborna o policial rodoviário ou o fiscal de quarteirão. Todo mundo querendo tirar proveito, uma lasquinha, e ter o melhor resultado para si e suas organizações.

As nossas bravatas e pilantragens possuem raízes históricas no colonialismo e no escravagismo, responsáveis, talvez, pelo nosso famoso “jeitinho”. Não há o que esconder:  fomos colonizados por portugueses, espanhóis, holandeses, franceses e outros povos que vieram depois. Predadores vorazes, todos, que não assumem os crimes aqui praticados. Fomos garrotes de vacas gordas amarrados para a marca a ferro quente.

A corrupção que se havia alastrada nos mais altos estratos dos negócios e na política começou a ser desmascarada e posta sob os rigores da lei com o Mensalão, o Petrolão e a Lava-jato. Não se pode negar a altíssima relevância e o avanço no sentido da moralidade pública de tais operações, só espero que não seja um fogo-fátuo.

A efemeridade ou a permanência de ações moralizadoras, que impeçam que políticos e oligarcas continuem a tratar a coisa pública como se fosse sua, e a montar um tipo de Estado que lhes garanta os privilégios, depende, sem dúvida, de cidadãos conscientes. Os corruptos precisam deixar de ser vistos como espertos e serem encarados como criminosos, o que de fato são.

Precisamos de uma faxina geral por meio da educação para propiciar a “virada de mesa”. E não só ela, a religião (todas elas estimulam o bem) e também toda a sociedade compenetrada precisam colaborar, pois o Brasil quer mudar.

É por isso que precisamos acreditar ser possível construir uma comunidade universitária para trocar ideias e experiências para construir, pela colaboração compartilhada, uma sociedade mais responsável e alinhada aos interesses comuns de bem-estar e qualidade de vida. É, entretanto, um desafio de duas a três gerações que demanda foco e especialistas de todas as áreas.

Mas é imprescindível iniciar e, para fazer com os pés no chão, comecemos pelo básico. O primeiro desafio é sensibilizar a comunidade educacional (estudantes, professores e famílias) de como devemos formar cidadãos completos, integrados dentro dos melhores princípios éticos e morais, com o objetivo de saber votar. O segundo passo é propor um ideário para estabelecer um sistema de representação política, onde todas as anormalidades atuais possam ser sanadas.

É fundamental ter consciência de que pela criatividade o homem tem transformado o mundo. Essa capacidade potencializada surge quando é preciso gerar valor individual e coletivo. A criatividade não aparece exclusivamente em indivíduos, ou culturalmente em uma sociedade, mas na interação e colaboração entre as duas. Ambos os lados são importantes: o indivíduo imagina, cria, origina novas ideias, e a sociedade, sua cultura, com o apoio que inspira essas ideias, estimula e incentiva suas realizações.

Portanto, das palavras à ação, vamos propor ao Conselho de Administração da ABMES – dentro do propósito de formação cívica – que viabilize o Projeto VOTA CERTO BRASIL com o objetivo de sensibilizar os estudantes a votarem conscientemente.

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Uma resposta para “Educar para votar conscientemente”

  • Mirian Nere Martins disse:

    Prof. Gabriel, pode contar com uma voluntária no VOTA CERTO BRASIL, leciono na Faculdades Campos Elíseos e na Faculdades Drummond em São Paulo – SP, e me proponho a participar e compartilhar com meus estudantes os conceitos do projeto.

    Aproveito para contribuir com um ponto de vista, pois acredito que, diante do desrespeito com os direitos do cidadão brasileiro que a classe política tem conduzido o país, passou da hora de arregaçarmos as mangas e tomarmos as rédias do Brasil pela mãos do povo.

    A proposta é a de criar a lei de Democracia Digital, respaldada pela Lei de “A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles” (art. 61, § 2º, CF).

    Como? Propondo à ABMES, que apoie no âmbito do projeto VOTA CERTO BRASIL, um projeto de Lei de iniciativa popular para aprovar que essa modalidade constitucional possa ser assinada por meio eletrônico com certificação digital pela internet e telefonia móvel.

    Dessa forma, os brasileiros poderão propor e aprovar leis para resolver os problemas estruturais na Educação, Saúde, Desenvolvimento Econômico, Geração de Empregos e Renda, Segurança e Transportes. Eliminando a necessidade de passar pelo viciada e comprovadamente corrupta trajetória pelo congresso e senado, e em minha modesta opinião essa é a verdadeira Democracia Digital, chega de intermediários, chega de negociatas, propinas e falência do país para atender os interesses de algumas centenas de ladrões que prejudicam de forma incalculável a vida dos brasileiros.

    Atenciosamente
    Prof. Miriana Nere Martins

     

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