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Gabriel Mario Rodrigues

Gabriel Mario Rodrigues

Gabriel Mário Rodrigues
Presidente da ABMES

Um dia desses recebi, de uma associada da ABMES, uma manifestação indignada mediante a desconsideração que o MEC possui em relação ao Ensino Superior Particular. Escreveu sugerindo que deveríamos fazer um movimento nacional pedindo vagas universitárias para todos os brasileiros. Isto significaria fechar as nossas instituições e entregar as chaves para o Governo. Depois sentar na platéia e observar como é que resolveriam o caso. Só mesmo assim para perceberem o valor do nosso trabalho.

Concordo com quase tudo, mas falando francamente, não é o MEC que nos desprestigia e sim nós mesmos que não sabemos nos valorizar. O Setor não sabe comunicar suas realizações e não consegue dar visibilidade aos seus eventos, e esses são pontos fundamentais. No ano passado, só em São Paulo, as principais instituições gastaram mais de 150 milhões de reais em propaganda; a concorrência é muito grande e todos precisam divulgar os seus cursos. No entanto, estas são ações individualizadas onde cada um quer mostrar que é melhor que o concorrente. Não há nada de errado nisso, mas se fosse necessário que cada um deles separasse um pequeno percentual de 2% de todo esse valor de marketing, para uma campanha cooperativa institucional, com o objetivo de mostrar o valor econômico e social que o Ensino Superior Particular representa, tenho quase certeza que não se mostrariam interessados.

Nós, mantenedores de ensino superior, somos muito individualistas. Cada um preocupado com o seu território e seus problemas – somos todos pouco adeptos das causas corporativas. Porém, para fazer imagem institucional há necessidade de investimento. A Presidência da República que o diga, além de toda a comunicação espontânea e nata de seu líder máximo, o Governo tem um orçamento anual de mais de 1 bilhão de reais para mostrar o que faz.

Nossa associada tem razão. Será que alguém do Governo em algum momento fez as contas para analisar o que representamos numericamente e ainda melhor, se não existíssemos?

Segundo os dados do INEP de 2007 existem 252 instituições públicas que oferecem 5.598 cursos superiores. Já as instituições particulares são 2.243 com 16.892 cursos em diversas áreas. Enquanto estão matriculados 1.247 milhão de alunos nas IES públicas, nas particulares existem 3.639 milhões de alunos instalados em 920 dos municípios brasileiros. Enquanto as públicas só estão em 228 municípios. O mesmo repete-se com o Ensino Tecnológico onde as particulares atendem 283 mil alunos e as públicas apenas 64 mil. Na Educação a Distancia, de forma idêntica, temos 275 mil alunos atendidos pela rede particular e apenas 94 mil pela pública.

O mais importante é perceber que se não existisse a participação da iniciativa privada no ensino superior, para atingir o mesmo número de alunos matriculados até 2008, o poder público deveria ter investido aproximadamente 788 bilhões de reais desde 1960, o que equivale a quase 1/3 do PIB total de 2008 e isso se considerarmos apenas as despesas com pessoal, sem levar em conta o custo dos investimentos com edifícios e instalações.

O setor particular superior tem um faturamento anual de 24 bilhões de reais e uma massa salarial de 16 bilhões. Para se ter uma idéia melhor, há necessidade de um investimento anual de mais um bilhão de reais para com acervo de bibliotecas, equipamentos, obras e reformas para deixar as instalações atualizadas, conforme as exigências dos meios de comunicação de dados e tecnologia. Outro fator importante, que deve ser considerado, é a geração de renda indireta que alcança mais de um bilhão de reais com alimentação, moradia, transportes e material escolar.

As instituições particulares executam mais de 24 mil projetos sociais a cada ano atendendo mais de 20 milhões de pessoas. Este dado qualitativo é importante de ser considerado, pois mostra uma área extensionista que pouca gente conhece, porém precisa ter reconhecimento pelo valor social do serviço prestado. A demonstração disso é o Dia da Responsabilidade Social criado pela ABMES onde, neste ano de 2009, mais de 750 instituições estiveram presentes, com a participação de aproximadamente 170 mil professores e alunos, atendendo mais de um milhão de pessoas.

E se tudo ficasse por conta do Governo, conforme pensa a nossa associada, quanto isso custaria para a Educação Superior? Levando em conta que cada aluno da universidade pública custa R$ 11 mil anuais, o custo anual ultrapassaria os 40 bilhões de reais, sem levar em conta outros elementos a estimar. Não resta dúvida que se não divulgarmos isto, a sociedade continuará ignorando o valor dos nossos serviços e a importância da nossa participação na Educação do país.

 
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Carlos Rivera
Diretor Geral das Faculdades Anchieta de São Bernardo do Campo – SP

Há uma máxima em educação que diz “se tratarmos todos da mesma maneira, criaremos diferenças ainda maiores”. E este fato acabou se concretizando, uma vez que a atual fórmula proposta para aferir o rendimento dos alunos dos cursos de graduação produziu resultados desfavoráveis para a Educação Tecnológica, quando comparada às graduações bachareladas e licenciaturas. Infelizmente os técnicos que propuseram as equações para o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE não levaram em conta que estão mensurando propostas diferentes com instrumentos iguais. Medir variáveis diferentes é uma tarefa que exige bem mais do que a familiaridade com a estatística. Caso não se corrija esta distorção, o projeto de educação profissional, tanto defendido pelo atual governo, estará em xeque.

Ao analisar os resultados do ENADE-2008 publicados em 2009 pelo INEP, percebe-se que, na formação geral dos ingressantes, os cursos bacharelados tiveram um desempenho de praticamente 6% a mais que os cursos superiores de tecnologia e de 2% com relação às licenciaturas. Já na formação geral dos concluintes, os cursos de tecnologia tiveram um ganho de 7,2%, em relação aos ingressantes, contra 2,9% das licenciaturas e 9,7% dos bacharelados. Mesmo com um ganho maior que os cursos de licenciatura, a formação geral dos egressos dos cursos de tecnologia ficou bem abaixo dos demais cursos de graduação.

A diferença é mais gritante no percentual de doutores dos diversos cursos. Temos, segundo o INEP, 28% de doutores na licenciatura, contra 23% nos cursos bacharelados e apenas 10% nos cursos superiores de tecnologia.

Esta situação está ocorrendo nas Instituições de Ensino Superior em função das políticas indutivas e pelas armadilhas criadas, no passado, pelos técnicos do Ministério da Educação. Vale lembrar que o início da Educação Profissional no Ensino Superior, na virada do milênio, fez com que as instituições desenvolvessem um amplo programa de aprendizado, uma vez que toda a cultura do ensino superior estava focada nas características dos cursos bacharelados e nas licenciaturas.

Foram necessários inúmeros esforços para a capacitação de professores, criação de novas regras institucionais, alterações em documentos oficiais, planos estratégicos específicos, institucionalização do projeto pedagógico, mudanças nos sistemas de gestão acadêmica e de informação, adequação de infra-estrutura, enfim, um considerado aporte de investimento para aproximação e atendimento a uma demanda de alunos que bateram às portas das instituições na busca de algo novo e mais próximo de suas necessidades profissionais.

As instituições identificaram e precisaram capacitar um novo tipo de docente, até então não valorizado pelos órgãos reguladores, que viam, na titulação acadêmica, condição suficiente para um bom desempenho em sala de aula. Assistimos a avanços significativos na avaliação do processo de ensino-prendizagem, na arquitetura curricular, na flexibilização da trajetória e no percurso de formação discente com certificações intermediárias.

E mais uma vez damos um passo atrás em termos de avaliação da educação profissional. Ressalta-se que o modelo escolhido pelo Brasil para a Educação Tecnológica não pressupôs o rompimento da velha dicotomia entre educação/ensino e formação profissional. Ou seja, o atual modelo pouco permite a interligação da formação geral com a formação específica. Por herança, em nosso país, desde os tempos do descobrimento, a escola ficou restrita aos filhos dos nobres, um local exclusivo do “saber”. Para os filhos dos pobres coube o “saber-fazer” vinculado diretamente ao trabalho. À medida que o saber-fazer se deslocou para o contexto educacional, gerou um tipo de educação entendida como de segunda categoria.

Hoje percebemos que algumas questões de concepção educacional não foram suficientemente discutidas pelos técnicos do Ministério da Educação, nem tampouco pela sociedade brasileira, como por exemplo: Devem o ensino e a formação privilegiar a formação geral ou a formação profissional? Será que a Lei de Diretrizes e Bases está sendo considerada? O que deve ser a formação geral e a formação profissional dos jovens brasileiros para a sociedade do conhecimento? Qual a quantidade de formação geral e de formação profissional mais adequada?

Com os cursos superiores de tecnologia, as instituições de ensino superior têm recebido diferentes grupos de alunos, não se restringindo apenas às faixas de 18 a 24 anos e têm enfrentado o desafio de fazer com que sua formação possa permitir sua ascensão profissional em um curto espaço de tempo. Como poderão privilegiar também nestes cursos uma ampliação da formação geral?

E o que estamos permitindo, na verdade, é que os alunos concluintes dos cursos de educação profissional de nível tecnológico, a partir de um único critério de avaliação, possam ser considerados casos de fracasso pelo simples fato de tratarmos todos da mesma maneira. Esta discriminação que poderá ocorrer pelos resultados vindos do ENADE é possível que derrame uma ducha de água fria no futuro da educação profissional. No início desta década, nas audiências públicas promovidas pelo MEC o que estava em jogo não eram os resultados comparativos entre as diversas graduações. O que se discutiu enfaticamente foi, entre outras coisas, a melhoria da educação tecnológica e das competências, um egresso mais adaptável ao mercado de trabalho, uma melhor regulamentação dos cursos e, sobretudo, a possibilidade de ocupação de mais e melhores postos de trabalho.

É chegado o momento de fortalecer a educação profissional, de criar instrumentos de avaliação próprios a este tipo de formação para não cair na tentação dos males do reducionismo e colocá-la em raias idênticas às outras graduações. Caso não façamos isto, colocaremos a Educação Profissional em xeque, talvez até em xeque-mate.

 
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Profª Maria Carmen Tavares Christóvam
Diretora da Gênesis Consultoria Educacional

SEPARANDO O JOIO DO TRIGO
Percebo que estamos diante da especial possibilidade de incentivar e dar evidência às Faculdades e Universidades que vem ofertando uma prática diferenciada de ensino, que possa representar alternativa eficaz para o oferecido pelas públicas.

Se verificarmos, a guerra das baixas mensalidades faz com que a maioria das Instituições trate a relação entre ensino e aprendizagem nos patamares falaciosos da instrução e treinamento (que se faz com professores sem engajamento, projetos pedagógicos estanques e com instalações e recursos apenas satisfatórios, se tanto). O resultado dessa prática gera interações inconsistentes do aluno com o mercado através de diplomas que não conseguem refletir densidades didático-pedagógicas.

Os princípios que orientam as ações dos gestores de Instituições de ensino que buscam propiciar Educação de qualidade devem estar fundados em três eixos que se complementam e potencializam intersecções entre a docência e o compromisso construtivista do conhecimento. Tais eixos são os da ética, da técnica e da estética.

Por ética deve-se compreender a busca de situar o discente na perspectiva de ego-histórico de seu tempo, capaz de prospectar ações que impliquem em inovação, criatividade, autonomia e consciência sócio-ambiental. Técnica faz referência ao domínio pleno de habilidades e competências com as quais o futuro profissional realizará seus projetos, dominando, direcionando e confluindo tecnologias.Estética, por sua vez, trata da configuração de linguagens, códigos e estilos voltados a demandas variadas no universo de consumo.

Tais eixos podem ser tomados como base de transversalidade da grade curricular. É a forma de propiciar interdisciplinaridades de fato, destinadas à “religação” dos saberes entre si e à “religação” entre o pensar acadêmico e a vida humana em sua totalidade.O que é uma boa Faculdade?Dentre o universo de conceitos disponíveis, destaco um: boa faculdade é aquela que, superando as etapas da instrução e treinamento consegue tecer sua pedagogia em torno de um conceito de educação que garanta a legítima autonomia intelectual de seus alunos, reconhecendo e potencializando talentos.

É assim que as grandes escolas se referendam quando colocam profissionais no mercado. Há uma marca, uma reputação que é prioritária para muitos candidatos a um diploma de 3º grau. Tal marca transcende falsas economias e projeta uma parcela de futuros universitários para a proposta de um ensino de excelência.

Para tal, penso, cabe a cada faculdade focar em seus diferenciais, apostando nas variáveis do ensino, pesquisa e extensão. Ensino:Áreas consolidadas na identidade da instituição e a criação de cursos superiores concernentes, na verdade, pode fornecer certificado natural de segurança ao calouro. É claro que tal promessa institucional depende da consolidação das plataformas necessárias ao processo e que podem apresentar vantagens: concentração de saberes tais que dêem aos campos em que atuam a autêntica multiplicidade de seus aportes no mundo atual. É preciso, portando, distanciar o máximo possível esses dois campos, daquilo que normalmente se processa no ensino disseminado pelo país: formação apenas “adestradora”.

Percebe-se que poucos vestibulandos se interessariam pela aventura universitária em cursos superiores se esses cursos distendessem de forma previsível o que as inúmeras escolas de instrução apresentam.É preciso ressaltar que o rigor dos cursos em faculdades que privilegiam a formação e não apenas a instrução implica no investimento do aluno para habilitar-se no sentido de dominar as demandas de um mercado desafiador e fortemente seletivo.

Os currículos dos cursos em faculdades com essa proposta fazem referência a um universo de conhecimento transdisciplinar e literalmente contemporâneo, necessário à comunicação de significados em suportes de extensa mutação. Derivados das chamadas novas tecnologias ou extensões dos sentidos do humano, como preconizou Marshall MacLuhan. Tem como cenário o cotidiano lúdico do alunado e se converte em conhecimento necessário à compreensão e moldagem do chamado pós-modernismo. Os cursos devem ser constituídos de forma a não repetir equívocos de sua concorrência (que geralmente condiciona ementas ao estudo fragmentado de forma muito generalista, a suas fusões mais óbvias).

Penso que, em instituições de qualidade os currículos apostam numa especificidade importante: possibilitar reflexões e a práxis sobre as intersecções em vários campos do conhecimento contemporâneo numa categoria que elege os eixos da ética, da técnica e da estética como constituintes de sua pedagogia. Tal caráter holístico deve ser levado em conta por toda instituição que se propõe a ofertar ensino superior, pois, ao formarmos futuros profissionais para atuarem num mercado albergado pela economia do intangível, baseada quase que exclusivamente no conhecimento, essa inserção não pode ser alavancada apenas por uma elite (que geralmente está na universidade pública ou em universidades privadas capazes de fazer concorrência às publicas).É preciso garantir o status de agentes aptos a atuar em todo o segmento profissional inclusive para os alunos que se encontram hoje nas instituições precárias que oferecem apenas instrução, ou nada.

Faz-se necessário separar o joio do trigo, com uma boa métrica que possa impactar realmente na qualidade do ensino. PesquisaO ideal é que o corpo docente seja formado por mestres, doutores, graduados e especialistas que possuam experiência e legitimidade, o que deve garantir maior fluidez na implantação do projeto pedagógico dos cursos, reforçarem o diferencial da instituição e dar boas repercussões na opinião pública. O próximo passo é favorecer atualização constante desse corpo, o que se dá por meio de fomento à pesquisa que incremente os saberes construídos em sala de aula. Constituir grupos de pesquisa ligados a agências fomentadoras como CNPq ou Capes, incentivar e patrocinar a participação de docentes em congressos nacionais e internacionais, enfatizar a publicação de artigos em órgãos indexados são atribuições institucionais que qualificam o corpo docente e agregam valores objetivos aos cursos. Não custa pouco. Também o investimento em laboratórios e em material de apoio didático contribui para esquentar a identidade da escola.ExtensãoÉ como a escola potencializa a colocação do aluno no mercado, e também como se comunica institucionalmente com a sociedade aberta. No primeiro caso, este é, talvez, um dos maiores diferenciais que se pode oferecer ao aluno: a possibilidade, real, deste se inserir em âmbitos profissionais de destacado valor social, quer através de programas de Mentoring ou de estágios. Tal prática é própria às melhores escolas e um empecilho às medianas.

O sucesso dessas práticas garante a plena satisfação do aluno e contribui para o diferencial de seu currículo. Por outro lado, resolve também a nefasta questão das defasagens laboratoriais, já que é praticamente impossível à academia manter-se ininterrupta na vanguarda tecnológica.O conceito de extensão demanda, também, iniciativas como a inserção da faculdade na agenda de eventos culturais concernentes aos cursos que oferta. Apoiando, promovendo ou patrocinando ciclos de variados eventos, feiras, exposições, palestras etc, o aluno pode amplificar sua auto-estima relacionada à escolha acadêmica.

ConsideraçõesConvicta de que os alunos oriundos de instituições que oferecem uma proposta acadêmica similar constituem no melhor sentido da palavra, uma elite cultural que se faz pelo repertório legítimo de sua formação, muito além das bases utilitaristas fornecidas pela maioria das universidades. Associar uma instituição a esses ideais de excelência, torná-la referência e bom motivo para se investir em educação. Não custa pouco. Significa investimentos sucessivos da instituição e, por conseguinte, também de uma classe diferenciada do aluno comprometido, a qualquer custo, com seu sucesso pessoal e profissional. Cobra-se caro pelo bom serviço. Paga-se caro por ele. É o preço para o peso assegurado aos diplomas emitidos por faculdades e universidades comprometidas com qualidade de ensino. Atitude que deve se reverter em dividendos múltiplos a todos os agentes envolvidos nessas relações de ensino-aprendizagem. E que justificam tamanho esforço em oferecer novas graduações a um mercado cujo varejo quer saturá-lo.

Mas que, como nos lembra Paulo Freire, admite brechas; aquelas que fazem da Educação um ato de sucessivas emancipações.

 
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