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Gabriel Mario Rodrigues
Presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e
Secretário Executivo do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular
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Aprendi que para ter acesso ao povo brasileiro é preciso ingressar pelo portal de seu imenso coração. Por isso, permitam-me que nesta hora eu possa bater delicadamente a essa porta. Peço licença para entrar e ficar esta semana com vocês. (Papa Francisco)

O Papa Francisco com seu carisma pessoal, sua simplicidade e seu riso franco conquistou os cariocas – e o brasileiros de forma particular – além milhões de pessoas de todo o planeta. O papa estava em todas as tvs, tablets, i-phones, you tube, i-pads, revistas e jornais do Brasil e do exterior.

Acredito, salvo engano, que tenha sido o homem mais filmado e fotografado do planeta de todos os tempos.  Em Copacabana, milhares de celulares, a postos, esperavam sua passagem para mandar em tempo real, pelas diversas redes sociais, imagens desse líder espiritual que, não por acaso, fazia sua primeira visita internacional como Papa ao país mais católico do mundo.

“Ele nos passa muita paz; sentimos que ele transmite o amor de Deus para nós”, diz Jessica Lopes, estudante paulista impressionada com sua figura. “Amei o Papa Francisco. Ele passou rapidinho, acenando, mas foi suficiente para transmitir sua paz”, afirma a baiana Sirlene Rosa de Souza[1].

Francisco mostrou a que veio. Foram sete dias de empolgante participação com uma energia de fazer inveja a qualquer político. Ele mostrou ao mundo que a Igreja católica está se renovando.  Ao lado dos méritos que possa ter a figura carismática deste cidadão do mundo espiritual, ele deu um show de interpretação e de marketing pessoal encantando e emocionando a todos por onde passava com seus gestos, abraços e palavras. Um verdadeiro pop star do majestoso universo da comunicação.

Sem dúvida alguma, Francisco sabe usar como ninguém os fundamentos da mensagem e do conteúdo certo para o momento preciso com o recurso cênico e gestual correto que são os paradigmas da boa comunicação. Sem medo de errar é o Papa da comunicação, especialmente adequado ao mundo do espetáculo em que vivemos. Seu objetivo é evangelizar e sensibilizar os jovens e transmitir as mensagens da religião católica, tarefa que desempenhou como ninguém.  Parabéns ao Sumo Pontífice Francisco!

Não é tarefa fácil recuperar, de um momento para outro, os adeptos que o catolicismo vem perdendo ao longo dos anos no Brasil. E a melhor maneira é utilizar os recursos da tecnologia a favor, como bem soube fazer o Papa Francisco.

Importante lembrar que nós educadores ainda temos muito a aprender com ele que nos deu uma aula sobre o respeito devido à juventude. Sim, respeito.  Ele, mais do que ninguém, soube usar os recursos e possibilidades das novas mídias e redes sociais, tão presentes na vida dos jovens de todo mundo, para multiplicar a  sua fé e o conteúdo que quis passar.

Vamos nos lembrar disso e procurar aprender a aproveitar os recursos e benefícios das novas mídias a nosso favor, para superar os desafios da aprendizagem e das novas demandas educacionais.  Reitero a afirmação de que a educação continua sendo o campo mais promissor da comunicação.

Desde que o homem conseguiu transformar seus grunhidos, juntar os sons e dar- lhes significado, ele percebeu que a fala era seu principal recurso para lhe permitir perpetuar sua evolução cultural. A partir daí pode transmitir seu aprendizado para as gerações futuras. Estabeleceu-se assim o princípio com o qual a humanidade iria trocar informações e construir conhecimento durante milênios: era a transmissão oral.

Depois vieram, para aperfeiçoar o processo como co-adjuvantes para garantir o sucesso de uma boa comunicação, os números, o lápis, a escrita, as placas de argila, o papiro, o caderno, o livro, a biblioteca, o quadro negro, o mimeógrafo, o projetor de slides, a tela do vídeo, o data show, a cor e o movimento. Mas o princípio era sempre o mesmo: um emissor (o professor), a mensagem (um conteúdo) e um receptor (o aluno ou aprendiz), ao lado da boa técnica para adequar a mensagem (o conteúdo de valor) ao receptor. Este pode ser uma pessoa, uma criança ou uma multidão dentro de um estádio.

A tecnologia entra só para aprimorar o conteúdo da mensagem que se deseja transmitir e, claro, fazer o milagre da multiplicação.  E às vezes nem é necessária, como já presenciei diversas vezes: um palestrante só, no centro de um palco unicamente com o recurso da voz amplificada, sem apoio de imagem algum, deleitar  uma platéia imensa, somente com o dom da palavra.  Alguns têm esse dom.

A educação moderna, que teve pouca ou nenhuma alteração nesses últimos séculos, repousa ainda sobre a transmissão oral. Tal modelo foi eficiente e o mundo é o que é graças ao sucesso da oralidade. Serviu para atender a elite que precisava se preparar para perpetuar seus legados. Hoje porém não é mais suficiente para atender a grande demanda da sociedade de massa por educação .

Para atingir o estudante a qualidade do conteúdo é fundamental. Os recursos disponíveis das varias mídias e da tecnologia enriquecem cada vez mais o conteúdo e vencem as barreiras do espaço e do tempo. E o mais importante de tudo é que o conteúdo pode ser analisado preliminarmente e melhorado em função da realidade do receptor. A caixa preta da sala de aula do modelo presencial poderá ser administrada com mais rigor para avaliar se o estudante está ou não aprendendo.

É unânime a percepção de como a tecnologia está transformando as nossas vidas. Em todas as áreas ela está presente mostrando o progresso alcançado nos mais variados campos: no sistema bancário ou no eleitoral, nos meios de transporte, no imposto de renda, no cartão de crédito dentre outros. Não resta duvida de que vai mudar de forma arrebatadora o setor educacional.

Espero que as minhas reflexões sobre a visita do Papa Francisco – sobre os benefícios da mídia, que deram uma visibilidade nunca antes imaginada à semana de paz vivida pelos brasileiros, e sobre a importância do uso da tecnologia para a educação – possam ser compartilhadas e úteis para nós educadores.



[1] O Globo(27.07.2013).

 

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