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Arquivo da categoria ‘Cultura e literatura’

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Antonio OliveiraAntônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Do latim, lectura, de legere, de início teve o sentido de colher, escolher. Vale também escolher o livro semeado. Isso depende da qualidade da semente. Consta que até a Idade Média a leitura era feita em voz alta. Mas Santo Agostinho relata de seu ídolo, Santo Ambrósio, morto em 397: “Quando lia, conduzia os olhos pelas páginas, e seu coração procurava o sentido, mas sua voz e língua silenciavam”.

Existe a expressão “devorador de livros”. Na verdade, ler é como comer. O profeta Ezequiel usou esta expressão, literalmente: Come o livro! E dele se alimentando, encher-se-ão as tuas entranhas, e a tua boca se tornará doce como mel. Os pensamentos assim digeridos, isto é, meditados e assimilados, brotarão e produzirão frutos proveitosos em palavras amadurecidas.

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Antonio OliveiraAntônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Acho graça em certos panegíricos, sobretudo de pessoas falecidas ou em determinadas declarações de bons antecedentes, como se a pessoa tivesse sido ou fosse de conduta ilibada, sem mancha, incorrupta. Em Dom Casmurro, Machado de Assis escreve: “elogiou o enterro, e por último fez o panegírico do morto, uma grande alma, espírito ativo, coração reto”. Isso é comum. Na verdade, não se deve botar para fora os podres de ninguém, muito menos dos finados. Mas não há quem nunca tenha cometido erros e magoado pessoas, nem mesmo os chamados santos que abalaram o mundo. Basta pôr um advogado do diabo para investigar.

Mostre-me um homem que não seja escravo das suas paixões e eu o guardarei em meu coração, sim, no coração do meu coração. Essa citação de William Shakespeare, tornada proverbial, nos remete a uma visão realista do ser humano, esse, nem anjo nem animal e, ao mesmo tempo, um caniço pensante, lembrando Pascal na tentativa de definir o imprevisível.

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Antonio OliveiraAntônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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“Nonada” é a palavra com a qual Riobaldo inicia sua saga, em Grande Sertão : Veredas. Do latim “non nata”, redução de “res non nata”, coisa não nascida, ninharia. palavra que, aliás, não provém de ninho, mas do espanhol, niñeria, infantilidade. Lá pelas tantas, no romance:

“— Pois é, Chefe. E eu sou nada, não sou nada, não sou nada… Não sou mesmo nada, nadinha de nada, de nada… Sou a coisinha nenhuma, o senhor sabe? Sou o nada coisinha nenhuma mesma nenhuma de nada, o menorzinho de todos. O senhor sabe? De nada. De nada… De nada…”

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