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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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“Meu nome é ‘Ética’. Se você tem identidade comigo, abanque-se. Venha sentar-se a meu lado e ser ‘um comigo’. Um só corpo, uma só consciência, uma só alma. (Carlos Ayres de Britto – foi presidente do STF)

Voltando para casa de táxi perguntei ao motorista como andava o faturamento e ele respondeu que não ia tão bem como antigamente, mas dava para viver. “Para melhorar de vida estou pensando em alugar um box num armazém do bairro onde moro. Minha mulher costura e faz roupa muito bem e tenho filha que trabalha com artesanato fino. O que não me conformo é que, além do aluguel, vou precisar pagar uma taxa de mil e quinhentos reais para o fiscal. Se fosse grana para o guarda de trânsito, que a gente dá de vez em quando, até compensava. Mas mensalmente dar aquele dinheiro é o cúmulo da sacanagem.”

Brasil perdeu R$ 123 bi com esquemas de corrupção, diz PF” é a manchete principal do jornal impresso O Estado de S.Paulo do último domingo. O valor tem como base 2.056 operações realizadas pela Polícia Federal nos últimos 4 anos e o maior rombo é nos fundos de pensão…

Todo mundo sabe que desde o tempo de Cabral as relações de quem faz negócio com o governo precisam ser “azeitadas” de alguma forma. Virou cultura nacional e os políticos agora institucionalizaram a corrupção como meio de se manterem no poder pagando suas campanhas políticas e tendo compensação complementar para manter vida de nabados. É por esta razão que no Brasil todo mundo quer ter seu próprio partido.

Não precisamos entrar em detalhes porque a mídia a todo o momento vem informando o grande entreposto de patifarias público/ privadas e seus malefícios para a sociedade brasileira. É por isso que estamos insistindo para que as instituições de ensino brasileiras reflitam sobre o problema e pensem como poderiam colaborar para um país melhor, sabendo que só a educação poderá influir para termos um povo com bases éticas mais profundas e uma cidadania mais eficaz.

Tirei a epígrafe deste artigo do texto “Erário rima com sacrário”, publicado na Folha de S.Paulo de ontem, onde o jurista Carlos Ayres de Britto destaca que ética e ciência da moral é a única trilha para as pessoas de caráter caminharem. E caráter se forma cedo na escola, na família e nos encontros religiosos. Razão da ideia que dei à ABMES para liderar o movimento Vota Certo Brasil.

Nada agrada mais a um articulista do que receber comentários, observações e até correções, o que significa que os leitores, de alguma maneira, estão sendo instigados. Não estão passivos e indiferentes aos temas abordados. Alguns pisam em ovos para dirigir alguma observação e até se furtam a dar opiniões porque, humildes, não desejam usar a soberba em território movediço.

Não foi o caso de um leitor que aparentemente irado com o quadro nacional resolveu tecer exasperações como as a seguir. Os trechos, aparentemente descontextualizados, dão ideia bem claramente do que se trata, sobre qual foco se fala:

“Chegamos em 1988 com uma nova constituição onde colocamos lá princípios, ideias, desejos, propostas e expectativas para uma sociedade em que julgamos seria a melhor, não a ideal, pois seria utopia.

O que me deixa pensativo é que parece que estourou uma bomba e prejudicou nossos ouvidos e estamos meio que zonzos sem saber exatamente para onde vamos. Total desnorteamento.

Nosso sistema político entrou em colapso e não pensa o Brasil e sim sua sobrevivência e isso compromete a representatividade. Sem ela, não adianta fazer com os lobos e uivar para a lua, pois será uma canção que ecoará pelas montanhas e vales e nada mais.

Observe na educação. Todos reconhecem que é importante, mas as ações contradizem isso e o mais dramático fica comprovado na execução do PNE. Um fracasso! O PNE não deixa de ser uma colcha de retalhos depois de tantos grupos defendendo seus pontos de vista e o que se conseguiu?

O último decreto da educação a distância. Todos ficaram felizes, pois era um sinal da desburocratização, de um pouco da regulamentação excessiva, mas veio com um pecado capital ainda não regulamentado: a questão da qualidade do serviço educacional, na medida em que voltamos a aceitar o suficiente como regra da mediocridade, permitindo até e dando autonomia para criar polos para essas instituições que não investem em qualidade.

O que precisamos não são cursos longos, precisamos como mostra o IBGE, a Fiesp e outras organizações da sociedade civil, ensino fundamental para todos, ensino médio para todos e se possível ensino técnico suficiente para fazer frente a necessidade de nosso setor produtivo.

Não são os cursos tradicionais que vão resolver o problema do Brasil e sim os tecnólogos e técnicos. Mas há um problema crônico: somos um país desigual que apostamos errado com relação a salários e não valorizamos o saber fazer do que apenas saber.

Investimos muito em educação nos últimos anos, mas o investimento foi proporcionalmente inverso aos resultados. Alguma coisa está errada. Será que é nossa forma de pensar? Continuamos como nos tempos do colonialismo onde trabalhar era para escravos e continuamos pensar nas pranchetas e no chão da fábrica, no mercado produtivo nem que seja das ideias, mas sair da zona de conforto.

Na Alemanha não há diferença significativa entre o salário de um médico e de um mecânico especializado, de um operário de construção civil e tudo é medido pela meritocracia do saber mais, para ganhar mais.

A cada dia nem ficamos mais surpreendidos, mas esperamos para dizer: qual a nova de hoje no universo da corrupção no Brasil?”

Como se vê, esse leitor, que não quis identificação, pode estar falando muita coisa que a maioria dos brasileiros também desejariam expressar em razão da barafunda instalada no cenário político nacional, pela falta de ética e cidadania e por decorrência geradora da inquietude na economia, no emprego, na saúde na segurança e nas políticas públicas em geral.

Todos pontos críticos que os mais céticos, como o leitor referenciado acima, ficam prostrados sem conseguir enxergar o fim do túnel. Vale observar que se trata de estudioso, com trabalho no campo educacional há muitas décadas. Ou seja, bateu desacorçoadamente mesmo.

Mas afinal, precisamos encontrar soluções como um jovem pai que procura alternativas para a educação dos filhos, em que pese o total despreparo para lidar com tal tarefa familiar. Por analogia, é o que parece com os administradores da educação, do professor ao diretor da escola, passando pelo coordenador até o reitor. Isso sem se falar nas autoridades de governo envolvidas com a educação, de assessores ao secretário, dos organismos públicos que cuidam da área até o ministro.

Há meio século qualquer visitante que aqui chegasse apaixonava-se com a diversidade de raças, a afetuosidade, a alegria e a musicalidade da nossa gente. O país seria um modelo para as sociedades do futuro. O mundo mudou, a ganância pelo poder a qualquer custo é o modelo a ser enfrentado. Vivemos uma realidade onde ou se deixa tudo como está, para ver como fica, ou mudamos o sistema político iniciado após a democratização do país.

Só bom senso não resolve e o sistema particular universitário tem um papel preponderante. Por isto Vota Certo Brasil é um movimento importante para termos esperança num Brasil melhor para todos.

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2 Respostas para “Ética e cidadania como sustentáculos da sociedade”

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