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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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“Convém não entrar em desespero. O medo do novo é velho. Há quase dois séculos especula-se quantos trabalhos vão desaparecer por causas das máquinas.” (Daniel Rittner – jornalista do Valor Econômico)

Bodas de Coral representam o amadurecimento e o fortalecimento de um relacionamento, da mesma forma que acontece com os corais marinhos que levam anos para se constituírem totalmente. Estes 35 anos da fundação da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), como simbolismo, mostra que, identicamente a essas belas espécies da natureza, a entidade concretizou-se pelo seu trabalho e hoje já é um belo recife de corais.

A história da ABMES demonstra que sempre houve um extraordinário e reconhecido esforço de seus dirigentes, não só de valorizar e fortalecer o papel desempenhado pelas instituições associadas. Também de se articular com a administração pública, visando oferecer e debater propostas para o desenvolvimento da educação brasileira. Foram incansáveis anos de luta e trabalho com o objetivo do desenvolvimento do ensino brasileiro.

Candido Mendes, primeiro presidente, estabeleceu durante sua gestão os ideais e os princípios que até hoje norteiam a entidade. Ele dizia em 1982: “A ABM deverá ser um grande fórum de discussão e diálogo das escolas, no sentido de captar as suas aspirações e traduzi-las em proposições viáveis ao Governo, já que a falência do setor significaria hoje a frustração de quase um milhão de brasileiros e a inexorável condenação dessa geração”.

Na gestão de Édson Franco, a ABMES cresceu significativamente em número de associados, conquistou novos espaços, trouxe para o âmbito da entidade o debate sobre temas de interesse da educação superior brasileira. Ganhou respeitabilidade na comunidade acadêmica e no governo, criou a ABMES Editora, cujas publicações são conhecidas em todo o território nacional pela qualidade de seu conteúdo.

Com estas linhas de ação definidas e sem perder de vista os ideais e os princípios estabelecidos, minha missão quando presidente da ABMES foi a de abrir espaços de interlocução com os agentes públicos, fortalecer a comunicação com a sociedade e articular a formação do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular, como intercâmbio de informações entre associações do setor. Entre o legado, destacam-se o fortalecimento associativo e a compra de majestosa sede. Como preocupação: as transformações do mundo do trabalho e sua dependência com a formação de Recursos Humanos.

Ao longo desses 35 anos, ABMES atravessou períodos delicados, com alguns dissabores, mas outros de muito brilho, participando e testemunhando a história nacional com suas questões sociais, culturais, econômicas e políticas. Entretanto a realidade mexeu com os ponteiros do relógio e avançou numa velocidade incrível, desafiando os diversos atores do mundo da educação a se preocuparem a encontrar alternativas para os jovens que vão atuar numa nova sociedade que está mudando a forma de viver, de trabalhar, de se relacionar e de comunicar.

Nas datas comemorativas da ABMES falamos muito da história, do passado. Mas as mudanças estão exigindo que deixemos o espelho retrovisor de lado e miremos o futuro que nos espera e que está logo aí. Pensemos, pois, em 2032 mentalizando num mundo bem melhor, quando a Associação completará 50 anos.

Nesse contexto, ABMES, sábia como sempre, elegeu há pouco o presidente José Janguiê Bezerra Diniz, que, com sua diretoria, está sabendo enfrentar os desafios do século da inteligência, e trabalhando para que os sistemas educacionais se estruturem para vencer as exigências da realidade deste mundo novo. Sua maior contenda é a de visualizar a agenda que nos espera.

A 4ª Revolução industrial traz em seu bojo transformações como a inteligência artificial, internet das coisas, computação em nuvem, robôs substituindo boa parte da mão de obra tradicional e centenas de outras mudanças de caráter operacional, cultural e demográfico. E o paradoxo em tudo isto é que o sistema educacional brasileiro está completamente atado à uma regulamentação defasada das necessidades empresariais e sociais, ávidas em profissionais talentosos e não em seus diplomas.

Enquanto o mundo muda, as escolas nem sempre podem acompanhá-lo por estarem presas às regras do passado. Uma miríade de ações criativas, redes de aprendizado compartilhado, com novos paradigmas a serem entendidos e o novo mundo que a tecnologia da comunicação e informação estão criando vão revolucionar os sistemas educacionais. Ações que vão do vazio e caótico, ao absurdo nas formas de obtenção de informações sobre o mundo e a escola nem sempre está preparada.

Os modelos educacionais das décadas passadas não servem mais. Operaram (e muito bem) no pretérito, mas, a considerar a formação proposta para o hoje e para o amanhã, está defasada para preparar o profissional para o mundo novo.

Isso tudo pode ser justificativa para a ABMES empreender uma estratégia nacional, com eixo em políticas públicas, abraçando-se ao futuro e dando as mãos às empresas, mercado, indústria e comércio, aos órgãos governamentais e até mesmo a organismos internacionais para materializar o futuro esperado para área educacional.

Ao Conselho de Administração da ABMES cabe traçar diretrizes. Porém a diretoria, pelo seu presidente, profissional dedicado, ousado, jovem e focado em objetivos, certamente saberá encontrar estruturas para acompanhar as transformações que o mundo passa e apoiar a escola a encontrar novos caminhos para formar o profissional mais adequado às demandas da sociedade.

Sem dúvida alguma, o ser humano com sua inteligência e capacidade de ter ideias, de criar e de inovar, de ousar e empreender, encontrará soluções para que o processo de ensino-aprendizagem possa formar pessoas realizadas pessoal e profissionalmente e sem medo de enfrentarem o futuro. E a ABMES, como entidade representativa da educação superior brasileira, irá acompanhar de perto esse processo, contribuindo efetivamente para a evolução das instituições de ensino e para o desenvolvimento do país.

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