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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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A quarta Revolução Industrial começou neste século e é a revolução digital. Nesta fase, tecnologias, que vão do sequenciamento genético à nanotecnologia, das energias renováveis à inteligência artificial, mudarão os negócios e a vida das pessoas num ritmo e abrangência inéditos. Revista Exame

Todos já devem conhecer o “Watson” da IBM, uma plataforma de inteligência artificial que anos atrás derrotou seres humanos em competição na TV e depois, como consultoria científica, esclarecia médicos sobre Oncologia.

Agora Rob High, diretor da IBM responsável pelo Watson, num Congresso, o mostra humanizado, juntando-o ao “Nao”, um robô da Aldebaran Robotics. A fusão de Watson e Nao originou um robô que, além de conversar e responder perguntas, também gesticula e dança.

Assim como todo sistema de inteligência artificial moderno, o cérebro do robô nada mais é do que um software super especializado, que ampliará sua aprendizagem na medida em que falarem com ele. Será assim que Watson adaptará e melhorará ainda mais sua performance.

Um grande avanço tecnológico. O robô poderá ser utilizado em várias áreas, como na hotelaria, sento utilizado na recepção e aprimorando a experiência dos hóspedes. Mas seguramente este é apenas o começo: a inteligência artificial começou a tomar forma de humanoides, que logo estarão dispostos a fazer de tudo por nós e que sempre terão uma resposta à altura.

Vocês podem imaginar o significado disto na Educação?

Este é o quarto artigo que escrevo conforme leio o “Obrigado pelo Atraso”, de Thomas Friedman, onde são explicadas as grandes transformações que estão ocorrendo exponencialmente na tecnologia, economia e meio ambiente. Vejam o que ele nos conta sobre sensores, já antecipando que a época dos palpites ficou para trás. Para ele, uma das espantosas consequências da aceleração da tecnologia, foi a colocada nos hidrantes contra incêndio, como sendo agora inteligentes, considerando que passou a transmitir sua pressão de água por uma rede sem fio, diretamente ao escritório da empresa que presta tal serviço.

O mais incrível é que essa tecnologia pode se alinhar com as latas de lixo que são carregadas com sensores que anunciam – também por uma rede sem fio – quando estão cheias e precisam ser esvaziadas, otimizando com isso as rondas de serviços dos coletores de lixo. Com isso a cidade fica mais limpa gastando menos dinheiro. Não é incrível que hoje até o gari é um funcionário tecnológico?

Aí estão dois exemplos não diretamente relacionados entre si, mas a algo vital para expandir o que os computadores agora podem fazer, ao tratar de sensores.

E muitos outros exemplos estão a nossa volta. A polícia emite sinais aos carros medindo sua velocidade e por meio de ondas sonoras na direção de edifícios podem localizar a fonte de um disparo. Um sensor de luz no computador mede a luz ambiente em sua área de trabalho e então ajusta o brilho da sua tela de acordo com essa informação.

O Fitbit é uma combinação de sensores que medem o número de passos que a pessoa dá, a distância que percorreu, as calorias que queimou e quanto vigorosamente move os membros.

Digno de relato foi sua entrevista com Bill Ruh, principal responsável pelo setor digital da General Eletric – GE – na Califórnia, que instalou sensores em toda parte e que está ajudando a tornar possível a “internet industrial”, também conhecida como “internet das coisas”.

Para se ter uma ideia do gigantismo da atuação da empresa, basta conferir os números da GE, que reúne os dados de mais de 150 mil equipamentos médicos, 36 mil motores de jato, 21.500 locomotivas, 23 mil turbinas de vento, 3.900 turbinas a gás e 20.700 partes de equipamento de gasolina e gás, todos reportando à GE via rede sem fio seus comportamentos a cada minuto.

Ao enchermos um recipiente de lixo até sua capacidade ótima ou ajustarmos a pressão de um hidrante antes de um estouro dispendioso, estamos economizando tempo, dinheiro, energia e vidas e, de modo geral, tornando a humanidade mais eficiente do que jamais tínhamos imaginado.

A era dos palpites também chegou ao fim para os produtores de leite e foi o que Joseph Sirosh, vice-presidente corporativo de dados da Divisão de Nuvem e Empresas da Microsoft, contou ao Friedman, que jocosamente, descreve a conversa sobre “a vaca conectada”.

Produtores de leite no Japão procuraram a gigante dos serviços digitais Fujitsu com a questão de como eles poderiam melhorar a probabilidade de fazer as vacas procriarem com maior sucesso. Ocorre que as vacas entram no cio em um período de receptividade e fertilidade sexual no qual podem ser inseminadas artificialmente numa janela de tempo de apenas doze a dezoito horas a cada 21 dias e muitas vezes isso se dá à noite.

Para um pequeno fazendeiro com um grande rebanho, monitorar todas as suas vacas pode ser muito difícil e saber a hora ideal para inseminar cada uma delas seria o ideal. Daí porque a Fujitsu muniu as vacas com pedômetros conectados com a fazenda por sinal de rádio. Uma pesquisa da empresa constatou que um grande aumento do número de passos por hora representava um indício de 95% da ocorrência do cio e quando isso é detectado, o sistema enviava um alerta aos celulares dos fazendeiros para inseminarem exatamente nas horas certas.

Todos os dados gerados pelos sensores propiciaram outro insight ainda mais importante porque foi descoberto que dentro daquela janela temporal o ideal seria realizar a inseminação nas primeiras quatro horas, com 70% de probabilidade de se obter uma vaca e não um bezerro, permitindo assim que o fazendeiro pudesse determinar a proporção de vacas e touros, conforme suas necessidades.

Se uma vaca munida de um sensor transforma um produtor de leite num gênio, uma locomotiva dotada de sensores deixa de ser um trem burro para se transformar num sistema de TI sobre rodas. Ela poderá de repente detectar e transmitir a qualidade dos trilhos a cada trecho de trinta metros. Pode perceber uma inclinação e determinar de quanta energia necessita para avançar cada quilômetro de terreno, colocando menos combustível quando estiver descendo.

Como se vê, pelos poucos relatos acima, o mundo hoje parece estar mais veloz do que nunca. É a Lei de Moore, como mostra Friedman, que diz que o poder dos computadores dobra a cada dois anos. Uma liberação extraordinária de energia que está remodelando tudo, da forma de chamar um táxi ao destino das nações.

E pensando cada vez mais em robôs, computadores, sensores, garis e vacas, esperamos que nós humanos tenhamos a sabedoria de compartilhar todos estes avanços em benefício do bem estar e qualidade de vida da humanidade. E que o setor educacional se atualize para acompanhar tudo o que vem por aí.

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2 Respostas para “A era digital chegou e as escolas precisam estar atentas”

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