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Antonio OliveiraAntônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Isto é, conviver. Constatação de Riobaldo, em Grande Sertão : Veredas: “Viver perto das pessoas é sempre dificultoso, na face dos olhos”. Isso porque, entre outros porquês, vale a afirmação cantada em prosa e verso: “De perto ninguém é normal”.

Vivemos a “struggle for life”, luta pela vida, na corrida diária pela sobrevivência e na convivência com alguém: no casamento, na família, na escola, no esporte e no lazer, na indústria e no comércio, na bandidagem, no trânsito, na igreja, em meio às travessuras dos políticos. Sempre dependendo de alguém, de alguma maneira. Vivamos ou não em companhia. Dependência de muitos profissionais, ao mesmo tempo: do gari, do padeiro, do professor, do médico, do advogado. Dependência do pai, da mãe, dos irmãos. Gonzaguinha aprendeu que se depende sempre de tanta, muita, diferente gente. Toda pessoa sempre tem as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas. Na vida cotidiana, além do trabalho, assunto de conversa e fatos de recordar.

No nosso relacionamento com as pessoas, deparamos com dois comandantes: a razão e o coração. Que nem sempre repassam as mesmas estratégias. A razão, por vezes, vai com razão de mais. O coração, não raro, nos prega uma peça, sem nobreak que segure o tranco.

Riobaldo pensa assim de si mesmo: “Sou ruim não, sou homem de gostar dos outros, quando não me aperreiam; sou de tolerar. Não tenho a caixeta da raiva aberta.” A cobra engole lagartos. Às vezes, por certo, temos de engolir cobras e lagartos. Pessoas há de dar azia em copo de bicarbonato. Ainda há o político corrupto, o pivete inconsequente, o assaltante profissional, o fanático, o radicalista dono da verdade, o cara de pau que faz que não seja com ele, o flanelinha extorsivo, o mala sem alça, enfim o chato de galocha, aquele que não retirava as galochas colocadas por cima dos sapatos, em dias de chuva, e entrava em casa sujando o assoalho de barro e lama. Ou chato sou eu?…

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