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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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“O espaço escolar será mais para uma questão humana de socialização, criar tarefas para equipes, mas não para adquirir conhecimento. Colocar laboratório de informática em escolas sem pensar no futuro é como jogar um balde de água doce no mar, o resultado será nulo.” (Pesquisador Vanderlei Martiniano, do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento em Neurociência Aplicada – França)

Todas as atividades humanas, empresarias e socioambientais estão, cada vez mais, sendo pressionadas pelas tecnologias da informação e comunicação. Em todas as áreas há mudanças que afetam a vida das pessoas e vão influir no seu modo de conviver, trabalhar e aprender.

O mundo está em constante transformação e o que foi nunca mais será. Por esta razão, tenho convocado os amigos para refletirem sobre como será o sistema de ensino aprendizagem em todos os níveis e como as instituições educacionais vão precisar se estruturar para responder a este desafio.

A uma observação feita de que nada escrevi sobre o desempenho do professor diante desta nova realidade é que comento a questão adiante.

Deixando de lado os profetas do apocalipse com seu pessimismo congênito, que pintam um futuro tenebroso para a humanidade, não podemos esquece, que todo progresso alcançado até agora nas ciências, nas artes, na economia e na   tecnologia é obra humana. Tudo que existe foi atingido pelo domínio do conhecimento dos profissionais formados nos sistemas educacionais existentes. Devemos levar em consideração que o professor em todos os níveis foi de papel preponderante para que os estudantes alcançassem seus laureis acadêmicos, científicos ou pessoais.

Há, porém, uma constatação da qual ninguém poderá fugir: o sistema intermediado pela comunicação oral está com os dias contados. A tecnologia está transformando tudo, como conta em sua palestra o Indiano Prof. Sugarta Mitra sobre a Aprendizagem do futuro.

 

Ele relata algumas experiências que realizou com alunos de diferentes aldeias indianas para analisar como aprendiam a manusear o computador e aprender Química e Inglês. Seu método era largar o computador na classe, sem explicar nada, e aparecer 2 meses depois. Êxito total e com uma mensagem final: “Daqui a pouco ninguém vai precisar ir à escola para aprender alguma coisa”.

Imagine então se o aluno tiver um tutor que o oriente e o estimule a progredir, como o Prof. Mitra fez, conseguindo 200 avós em Londres que através do Skype conversavam todos os dias com jovens indianos para treinar a língua. (Também há no Brasil “A nuvem da Vó” para ajudar o aprendizado das crianças).

O que o professor precisa saber é que, se a estratégia da comunicação oral não for mais necessária, ele precisará utilizar os recursos da criatividade para ter êxito profissional.

A geração de ideias é uma habilidade subutilizada. Muitas pessoas pensam que é um talento só para empresários, cientistas ou artistas. Mas é absolutamente necessário na sala de aula, como escreve a Profa. Luciana Santos, docente e coordenadora de Curso da Rede Senac EAD, cuja colaboração transcrevemos a seguir:

Criatividade para o Futuro da Carreira Docente

A capacidade de desenvolver a consciência histórica e de antecipar o futuro são as condições típicas somente presentes na natureza humana. É a nossa capacidade de antecipação, influencia a sobrevivência e a superação de desafios e problemas, ou seja, “imaginar o curso dos acontecimentos, inventar alternativas, calcular os riscos, finalmente, ensaiar possíveis soluções permite que, em caso de falha, ou de sumiço sejam as hipóteses e não os seus inventores” (Freymann, 2011).

Mesmo com todas as tecnologias disponíveis, o que faz a grande diferença é o valor humano das interações que podem ser digitais ou presenciais, desde de que, sejam conectadas a realizações práticas, propósitos e valores comuns.

O desafio é grande, mas o momento atual impõe a urgência por transformações velozes e impactantes como acontece em várias áreas e segmentos da sociedade.

Destaco 4 características ou tendências importantes para o professor do futuro:

  • Professor analítico da aprendizagem (analytical teacher of learning: Em um mundo em que as tecnologias e ferramentas digitais permitem que os alunos aprendam 24 horas por dia, 7 dias por semana, de inúmeras formas, é fundamental que este processo forneça dados mais precisos sobre o perfil, engajamento, preferências e outras dimensões cognitivas que impactam na aprendizagem. No entanto, o mais importante é o professor  preparar-se para ler esse tipo de informações, para que ele possa propor intervenções significativas.
  • Professor orientador de carreira: essa é uma perspectiva cada vez mais presente e necessária na atuação docente, por permitir o desenvolvimento de diferentes habilidades e competências, associadas a trajetórias de aplicações voltadas a matrizes de carreira, o que se diferencia muito, das escadas hierárquicas dos componentes curriculares.
  • Professor influenciador digital: Esse termo foi popularizado na internet pela atuação dos youtubers, blogueiros e explodiu nas redes sociais, como Facebook, Instagram, LinkedIn. Os influenciadores produzem conteúdos acessíveis, funcionais, usando o poder na comunicação. O professor precisa compreender o potencial de transformação que está em suas mãos e usar seu capital de conhecimento e ferramentas digitais para se projetar fora da sala de aula.
  • Professor empreendedor: Por natureza o professor já é um empreendedor, ministrando aulas para diferentes escolas, perfis, disciplinas. Um professor empreendedor pode usar seus conhecimentos e experiências para projetar novos modelos instrucionais, idealizar novos produtos e serviços educacionais ou avançar na liderança de práticas e políticas relacionadas a educação.

O espaço é pequeno para apontar outras atuações para o professor e longe de achar que tais mudanças acontecem do dia para noite. A intenção é mostrar que boa parte desses quatro tópicos já acontecem no presente em algum nível de forma real e prática nas salas de aula.

Assim, fica a reflexão para que o professor se reveja enquanto profissional, valorize sua história, seu capital de conhecimento e experiências e acredite que o seu papel na sociedade é de fundamental importância para o desenvolvimento de uma nação. Mas o mais importante é o exercício da Melhoria Contínua. É necessário expandir seus conhecimentos a cada momento. Esse diferencial é que faz a diferença.

O que falta para isso acontecer? É o professor acreditar no seu potencial criativo, inovador e empreendedor? Mãos à obra por que a roda do tempo não para.

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3 Respostas para “Criatividade para o futuro da carreira docente”

  • “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.”
    – João Guimarães Rosa, em ‘Grande Sertão: Veredas’.

     
  • Silvio Bottrel Guimarães says:

    Não existe outra opção. O ensino necessita se modelar em todas as etapas da formação, buscando a utilização das ferramentas e recursos disponíveis, necessárias para formação do conhecimento, de forma menos traumática e focado na formação do conhecimento onde o aluno é o mais responsável neste processo.

     
  • Harry Fockink says:

    Mesmo a desgraça tem seu lado positivo? O Brasil, mais que qualquer outro país, precisa repensar seu modelo educacional após o existente ter se tornado mero instrumento de aparelhamento da esquerda, assim essa necessidade de ter que repensar e refazer tudo tem suas vantagens?

     

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