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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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“Pessoas que não têm medo de ousar tendem ao otimismo. Elas não temem o sofrimento e o fracasso. Sabem que o forte não é aquele que sempre acerta, mas aquele que corre o risco de errar e sobrevive à mais dura queda.”  (Flavio Gikovate – Psicólogo)

Qual a diferença entre o otimista e o pessimista? O primeiro está sempre cheio de planos e projetos e, para o outro, a vida não é boa e tudo vai dar errado.

A especialista Ana Maria Diniz apontou certa vez em artigo publicado no Estadão (Otimismo! Ele deve ser ensinado – e praticado – em todas as escolas) que “o contrário do que se pensa, o otimismo não é um traço imutável: é um jeito de pensar que pode ser aprendido e aprimorado”. Ela citou ainda o psicólogo americano Martin Seligman, da Universidade da Pensilvânia, que afirma não haver lugar melhor para treinar essa habilidade do que a escola.

Entusiasta do otimismo no ambiente escolar, Seligman, um dos pioneiros da psicologia positiva, tem se dedicado a disseminar e testar suas teorias sobre o poder das atitudes positivas também na educação. Ele faz isso por meio da educação positiva, abordagem educativa criada por ele que pretende melhorar o aprendizado e contribuir para que os alunos floresçam e atinjam todo o seu potencial a partir da ênfase nas habilidades individuais e na motivação pessoal.

A proposta da educação positiva vale tanto para a sala de aula como também para o ambiente familiar. Portanto, escolher a melhor forma de educar os filhos exige responsabilidade e pode ser um grande desafio para a família. De um lado, há os que optam por uma postura mais severa e punitiva. De outro, os mais complacentes e permissivos em relação às vontades e atitudes dos filhos.

Sem ir aos extremos, a educação positiva é a busca pelo equilíbrio entre limites firmes e o incentivo à liberdade e autonomia da criança. É a disciplina positiva, que cada vez mais vem ganhando adeptos preocupados com a formação integral dos estudantes, educando com foco no afeto, na compreensão, no respeito e no aprendizado mútuo.

“Diferentemente da educação tradicional, a positiva entende que castigos ou chantagens, por exemplo, não são construtivos para o bom desenvolvimento da criança. (…) A educação positiva age na esfera socioemocional do indivíduo e gera melhorias cognitivas. Nesse sentido, melhora o desempenho escolar, o convívio com as pessoas e fortalece o vínculo entre os filhos e demais membros da família.”[1]

E como aplicar na prática esse conceito? Para alguns pais e educadores que já “trabalham” a educação das crianças nessa linha não traremos novidades:

  1. Ajude a criança a pensar
  2. Estimule-a a refletir sobre as próprias atitudes, sobre as situações cotidianas e outras questões que o façam refletir
  3. Faça perguntas incentivando-a e ajudando-a a participar da resolução de problemas do dia a dia
  4. Estimule-a na construção de independência e autonomia

A Sociedade Brasileira de Coaching também aborda a questão, sinalizando a importância de não se ater ao ensino convencional para a formação de adultos preparados para enfrentar os dilemas reais e os desafios do mundo contemporâneo.

“Além das disciplinas tradicionais, esse modelo educacional – também chamado de educação emocional positiva – estimula a aprendizagem das competências e habilidades associadas ao bem-estar e ao florescimento humano, estimulando o aumento do nível de felicidade dos alunos e cultivando sementes para o florescimento de um mundo mais positivo.”

Os estudiosos do assunto garantem que os alunos se tornam mais resilientes, auto eficazes, otimistas, esperançosos e emocionalmente mais inteligentes quando seu desenvolvimento é apoiado na psicologia positiva. Esse conceito leva também a relações interpessoais com mais qualidade desde cedo, estabelecendo relacionamentos saudáveis e duradouros. E dizem mais, que tais alunos terão menos depressão e ansiedade e mais saúde, satisfação com a vida e felicidade.

Para a psicóloga Sálua Omais[2], as metodologias que unem psicologia e educação, focando mais nos comportamentos desejados do que naqueles não desejados, traz mais resultados, ensinando tanto habilidades de bem-estar e realização sem comprometer o programa pedagógico:

“O humor positivo produz maior nível de atenção e um pensamento mais criativo nos alunos, ao contrário do humor negativo, da tristeza, da desmotivação, que reduzem os níveis de atenção, concentração, desempenho.  Vários benefícios serão gerados no ambiente escolar, como a melhora na aprendizagem, no nível de atenção, concentração, interesse escolar, no comportamento associado à saúde física, nos relacionamentos sociais e familiares, além da prevenção de distúrbios de ordem emocional no aluno como a depressão, a ansiedade e problemas de conduta social.”

Ela é categórica ao afirmar que a educação positiva atua ainda no resgate de valores que estão se perdendo na sociedade, “como a honestidade, a lealdade, a perseverança, bondade, coragem, justiça, humildade, além de várias outras forças, as quais chamamos de forças de caráter”. E ressalta que o modelo pode ser aplicado a qualquer aluno, em qualquer lugar no mundo, independente da cultura ou religião, pois essas forças de caráter são comuns a toda a sociedade.

Precisamos refletir sobre tudo isso tanto em relação à educação em casa quanto na escola. Muitas vezes o fracasso escolar pode brotar do caráter dos alunos, e não apenas do sistema escolar ou de outras condições que o vitimiza.

É papel da escola ajudar o aluno com as qualidades e os recursos que ele tem, em vez de buscar o que ele deveria ter, e assim contribuir para seu crescimento e desenvolvimento como ser humano.


[1] O que é e como aplicar a educação positiva? – Blog Escola da Inteligência – Educação Socioemocional

[2] Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Trainer Internacional em Psicologia Positiva, Neurossemântica e PNL.

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Uma resposta para “Educação positiva para a escola e para a família”

  • Excelente artigo.
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