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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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O conceito de incubadora vem daquele que se conhece nas maternidades: a incubadora é a responsável por manter o bebê vivo e auxiliar em seu crescimento ainda que ele nasça debilitado. (ABStartups)

Os cursos universitários brasileiros, na sua grande maioria, são orientados para que seus egressos sejam funcionários de empresas. Poucos cursos desenvolvem o espírito do empreendedor. Os TCCs (trabalhos de conclusão de curso), que deveriam ser a coroação objetiva e prática do aprendizado dos quatro anos de faculdade, nada mais são do que planos de intenções, sem serventia alguma, e raros são os que chegam a mostrar viabilidade. Tempo perdido de alunos e professores. Quantas boas ideias de negócios, produtos e serviços deixaram de ser viabilizadas por falta de apoio, orientação e ambientação? Tudo vai para o lixo, físico ou o do computador.

É por isso que, ao dar continuidade ao artigo da semana passada e explicar o objetivo das incubadoras, desejo registrar a iniciativa da universidade Anhembi Morumbi ao criar sua aceleradora “AnhembiUp”, desenvolvida em parceria com a AmazonasCap, empresa criada para apoiar e estimular quem deseja empreender. A iniciativa está fundamentada no entendimento de que um lugar onde não pode faltar uma incubadora é no sistema universitário, porque lá é que estão os talentos que precisam ser apoiados para que seus projetos sejam viabilizados.

Uma incubadora é uma organização que tem como objetivo estimular a criação e o desenvolvimento de pequenas empresas, as chamadas startups, apoiando-as nas primeiras etapas de suas vidas. (saiba mais em: “Como as incubadoras de empresas podem ajudar o seu negócio”)

Ela oferece suporte técnico, gerencial e formação complementar ao empreendedor, além de facilitar o processo de inovação e o acesso a novas tecnologias pelos pequenos negócios. A incubadora busca fornecer um ambiente propício ao desenvolvimento da empresa, disponibilizando assessoria empresarial e mercadológica, mentoria, consultoria financeira e jurídica, entre outras. Com isto, as incubadoras consistem em um ambiente compartilhado no qual as empresas selecionadas para serem incubadas têm maior potencial de crescimento.

Na Vila Olímpia, bairro de São Paulo (SP), o Itaú instalou o Cubo, um centro de empreendedorismo tecnológico que reúne 55 empresas digitais novatas, as chamadas startups, depois de uma seleção com 570 candidatos. A poucos quilômetros dali, em um galpão no bairro de Campos Elíseos, a seguradora Porto Seguro criou, no final do ano passado, a sua aceleradora digital que, além de abrigar, também treina e investe em empreendedores. Grandes empresas buscam se aproximar e, intencionalmente, se contagiar com os jovens inovadores. Em troca, os iniciantes aprendem com mentores e ampliam sua rede de contatos, clientes e investidores.

O tempo que uma empresa passa no programa de incubação pode variar bastante dependendo de alguns fatores, que incluem o tipo de negócio e o nível de expertise do empreendedor. Empresas que necessitam de longos ciclos de pesquisa e desenvolvimento requerem mais tempo de incubação quando comparadas a empresas prestadoras de serviço ou de produtos que podem ser produzidos imediatamente. Na média, os programas de incubação duram cerca de 33 meses.

Os programas de incubação abrangem uma grande variedade de setores de negócios. Mais da metade são projetos multiárea, isto é, voltados para diferentes indústrias. As incubadoras diretamente ligadas à tecnologia, no entanto, respondem por boa parte dos programas: 39%. Cerca de um terço dos programas de incubação são patrocinados por organizações de desenvolvimento econômico. Em grande parte, isso pode ser justificado pelo fato de que a incubação de empresas possui papel importante no ecossistema socioeconômico de uma região, pois pode propiciar:

  • Criação de empregos e riqueza;
  • Fomento à comunidade empreendedora;
  • Comercialização de tecnologia;
  • Diversificação da economia local;
  • Construção ou aceleração do crescimento de indústrias locais;
  • Criação e retenção de negócios;
  • Revitalização da comunidade.

A National Business Incubation Association estima que existam cerca de 7.000 incubadoras em todo o mundo. No Brasil, as primeiras incubadoras surgiram a partir da década de 1980, quando por iniciativa do então presidente do CNPq, Professor Lynaldo Cavalcanti, cinco fundações tecnológicas foram criadas em Campina Grande (PB), Manaus (AM), São Carlos (SP), Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC).

Após implantação da ParqTec (Fundação Parque de Alta Tecnologia de São Carlos), em dezembro de 1984, começou a funcionar a primeira incubadora de empresas no Brasil, a mais antiga da América Latina. Nesta época, mais três incubadoras foram constituídas no país, em Campina Grande (PB), Florianópolis (SC) e Rio de Janeiro (RJ).

Porém, elas somente se consolidaram, como meio de incentivo para atividades e produção tecnológica, a partir da realização do Seminário Internacional de Parques Tecnológicos, em 1987, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, surgia Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas), que passou a representar não só as incubadoras de empresas, mas todo e qualquer empreendimento que utilizasse o processo de incubação para gerar inovação no Brasil.

A Anprotec possui um estudo sobre as incubadoras das universidades públicas, mas no sistema universitário particular o foco no empreendedorismo e em negócios reais é pequeno.

Segundo pesquisa da Endeavor com o Sebrae (Empreendedorismo nas universidades brasileiras 2016), há 21% de universitários pensando em empreender no futuro e apenas um quarto deles (28%) já cursou uma disciplina na área.

Esses dados são alarmantes e mostram, por si só, o quão afastados estamos do mundo real, o que é uma pena. O mercado de trabalho atual e o contexto social e tecnólogo em que vivemos requer muito mais dos recém-formados do que estarem aptos a serem apenas funcionários de empresas. É preciso que as instituições de educação superior se atentem a isso e possam preparar os jovens para o que realmente se faz necessário.

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Uma resposta para “As incubadoras e os empreendedores inovadores”

  • Parabéns pela matéria, Prof. Gabriel. Estive em Campina Grande a convite da ABVCAP visitando o ITCG – Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Criativos e Inovadores, durante um evento da ANPROTEC, e eles fazem realmente um ótimo trabalho. A parceria das incubadoras e aceleradoras com as Universidades é fundamental para o fomento da pesquisa e tecnologia no Brasil, é o caminho para nosso crescimento econômico através da educação.

     

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