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Maria Carmen TavaresMaria Carmen Tavares Christóvão
Mestre em Gestão da Inovação e Gestora Educacional
Consultora em Inovação Educacional da Revista Linha Direta
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Diante do cenário nacional desfavorável à empregabilidade formal, universidades passaram a estimular o empreendedorismo e a criação de startups nos ambientes acadêmicos fomentando assim a viabilidade de criação de empresas inovadoras. Houve uma efervescência empreendedora em algumas universidades, sobretudo na graduação com orientação sobre o tema principalmente nos primeiros anos do curso com   iniciativas de apoio ao empreendedorismo.

Segundo os dados do GEM (Global Entrepreneurship Monitor) existiu um crescimento significativo no empreendedorismo de oportunidade, ultrapassando o de necessidade, ou seja, a criação de negócios não mais para sobrevivência financeira, mas por desejo de empreender.

Existe um conjunto de premissas para ter o empreendedorismo e a inovação como alternativa de carreira e as instituições superiores brasileiras, sobretudo as instituições privadas, deveriam repensar a questão das startups.

Conhecemos a realidade da grande maioria dos alunos do Ensino Superior brasileiro. São alunos que trabalham o dia todo para pagar e cursar uma Faculdade noturna. Sobra-lhes pouco tempo para se dedicarem a projetos que não estejam diretamente relacionados à matriz curricular.  Mesmo pensando no financiamento estudantil – FIES, vemos como tendência um decréscimo de aporte financeiro por parte do governo.

Outro fator que deve se considerado é o fato de que instituições que obtém sucesso com startups são aquelas cujo nível de entrega do aluno é quase desumana. Há uma cobrança enorme e pressões infinitas fazendo com que os alunos tenham que se abdicar da vida pessoal e possuir um perfil de muita garra e autonomia. Ainda que dispondo de tempo e recursos financeiros para empreender geralmente não encontramos esse perfil de aluno mesmo nas universidades de elite.

Observo ainda que as IES vêm tentando despertar no aluno o espírito empreendedor durante a graduação, mas poucos chegam ao final do curso apresentando ao menos competências de gestão. Não seria mais sensato dar ao aluno na graduação uma formação sólida e incentivá-lo a empreender ao final do curso? Ensinar empreendedorismo com forte ênfase em liderança e gestão para poder empreender corretamente ao final do curso superior. Se a experiência não der certo ainda existe tempo hábil de retornar ao mercado de trabalho através dos programas de trainee já com bagagem e vivência.

Deve se compreender que o mais importante é a instituição se posicionar numa condição de poder entregar o serviço prometido atendendo ao aluno com qualidade e criar aos poucos uma cultura de inovação que esteja permeada no currículo, nas práticas e processos da IES. Existem instituições que vem cumprindo esse papel com destreza, focando numa identidade de formação de mão de obra para determinados nichos muito demandados hoje o que não significa que não estão inovando.

Uma IES, pode por exemplo, investir em formação de mão de obra para quem quer trabalhar em startups, haja vista que existem unicórnios brasileiros hoje com mais de mil empregados como Nubank, 99 taxis, Kekanto, Ifood, Lean Survey, entre outras.

Não se pode negar o êxito que poucas instituições têm alcançado com fomento ao empreendedorismo criando uma rede de inovação para suporte e desenvolvimento de startups. Mas, acredite, é para poucas!

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3 Respostas para “Startups é para poucas”

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