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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues*
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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As nossas crenças se transformam em pensamentos. Nossos pensamentos se transformam em palavras. Nossas palavras se transformam em ações. Nossas ações se transformam em hábitos. Nossos hábitos se tornam valores. E os nossos valores revelam nosso destino.” (Mahatma Gandhi)

Iniciar um congresso nacional de educação com uma palestra de abertura de juiz federal sobre o tema “O papel da educação no combate à corrupção” é flagrante demonstração de onde chegou o país na administração, tanto na área pública, quanto na dos negócios privados. Não há santo em nenhuma delas. Sociedade sadia não convive com governo corrupto e governo sadio não admite corrupção. Só há conformidade se governo e governados agirem da mesma forma.

O Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular (CBESP), promovido desde 2008 pelo Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular e pela Linha Direta, tem uma importante “lição de casa” para o setor cumprir diante do intrincado momento político, econômico e social por que passa o país: o de contribuir para que os egressos de nossos cursos, do infantil ao pós-graduado, assimilem e exercitem os valores sadios da ética, da honestidade e da solidariedade.

A 11ª edição começa dia 7 de junho, abrindo-se à noite com a palestra do conhecido magistrado Prof. William Douglas. No dia seguinte, o evento segue com sugestivas mesas-redondas e interessantes painéis direcionados a políticas públicas orientadas para a inovação e inclusão na educação superior brasileira.

Coordenaremos a mesa “Perspectivas e soluções educacionais para o Brasil que queremos”, da qual farão parte o Prof. Ronaldo Mota, chanceler do Grupo Estácio; o Prof. Manuel Marcos Formiga, da UNB, e o economista João Noronha, analista de Educação, Saúde e Bens de Capital do Santander. Nossa intenção é refletir como colocar em prática as ideias brilhantes discutidas. Pela experiência destes eventos, aprendemos e trocamos bastante referências, mas, ao retornarmos à nossa lide diária, as obrigações de trabalho fazem-nos esquecer tudo.

O Brasil passa por maus momentos e o setor educacional precisa, pela sua experiência, contribuir com ideias para resolver os desafios existentes. O tema de abertura do XI CBESP aponta por onde tudo deve começar: pela educação!

No tema que será abordado na nossa mesa, a experiência diz que, para resolver qualquer coisa, antes de tudo precisamos saber primeiro quais são os problemas e depois propor a solução. Façamos uma análise do projeto da TV Globo “Que Brasil você quer para o futuro?” Pelos vídeos enviados, temos uma síntese panorâmica dos problemas do país. Estão na primeira Nuvem de Palavras a seguir:

Conhecendo os problemas brasileiros não basta só propor ideias para sua solução. É necessário analisar os que podem tornar-se programas viáveis e compara-los às centenas de similares existentes. E está na cara que o Brasil que queremos aponta muitos deles:

Ter ideias é fácil, o mais difícil é viabiliza-las. Se tem demanda e produto ou serviço certo é meio caminho andado. Porém, para executar qualquer pequeno serviço ou grande produto há necessidade de gente motivada e talentosa. Precisa ter recursos econômicos, plano e metas; pelejar noite e dia e persistir sempre. Por mais otimismo que temos, não dá para resolver tudo de uma vez. Por isso, vamos ficar só com aquelas ações que fazemos com a nossa comunidade mais próxima.

O setor privado de educação superior tem papel relevante nesse contexto. É preciso mostrar para a sociedade que não corre só atrás de dinheiro e que, por seus corpos docentes e discentes, pode pensar em mais programas para colaborar com a solução dos graves problemas nacionais.

O caminho é o da colaboração e compartilhamento de ideias viáveis para encontrar respostas. A ação é formar uma rede de participantes, que, segundo a especialidade de cada um, possam doar algumas horas do seu tempo para o estudo dessa questão. Seria então criar um grupo de trabalho – o GIPP-Grupo Investigativo de Projetos Possíveis. E, para sermos práticos, não vamos tentar resolver o problema da corrupção, pois isso leva ao menos uma geração. É mais inteligente aprimorar os projetos existentes e começar a viabiliza-los.

São os seguintes:

  • Apoiar o aperfeiçoamento dos professores do ensino infantil, fundamental e médio das escolas públicas
  • Prover a ascensão intelectual e cultural gratuita aos alunos pobres que entram no ensino superior
  • Promover cursos gratuitos para diminuir a violência urbana e rural
  • Preparar novas lideranças para assumir o protagonismo político
  • Promover ações de preservação cultural e ambiental
  • Promover ações de apoio à população carente nas áreas jurídica, de saúde, de arquitetura, de engenharia
  • Abrir as bibliotecas para acesso da população pobre
  • Encaminhar aos necessitados máquinas, equipamentos, utensílios que não estão mais sendo utilizados
  • Prover cursos de alfabetização e de aritmética
  • Organizar cursos gratuitos sobre democracia e como votar
  • Trabalhar pelo bairro, pela cidade e pelo país
  • Promover palestras sobre prevenção de problemas de saúde e conscientização sobre drogas e alcoolismo
  • Promover projetos socioeducativos para esclarecer a população sobre temas como racismo e homofobia
  • Apoiar minorias de todas as raças e credos
  • Estimular o incentivo à leitura e a produção de materiais que contribuam para a formação de alunos das escolas públicas
  • Oferecer Cursos de férias ou para aperfeiçoamento de gestores públicos
  • Organizar Apresentações culturais (teatro, musicais e feiras) para a comunidade local
  • Criar Eventos esportivos envolvendo moradores de bairros pobres
  • Promover a instalação de Escolas e hospitais móveis de apoio à população carente e outros de qualificação técnica, cultural e artística para desenvolvimento profissional
  • Incentivar talentos de todas as idades

Melhorar a vida dos brasileiros leva tempo. Mas uma coisa é certa: precisa ter espírito público, deixar de pensar só em si. Haja visto a recente paralisação dos caminhoneiros, onde. segundo o Data Folha. 87% a população apoiava o movimento, mas não queria ficar sem carne, sem legumes e gasolina e resmungava quando a empregada não comparecia. Amigo meu ficou 2 horas na fila da gasolina. Na frente dele havia um pai com dois guris que não passavam de 10 anos. Depois de encher o tanque de sua caminhonete quis brigar com os empregados do posto, porque não forneciam combustível para tambores suplementares. Que bom exemplo está dando aos filhos.

Respeitar direitos alheios se aprende na família e se exercita na escola. Essa é a receita em todo o mundo.  Por mais educados que sejamos, saímos de uma mesma família de hominídeos e no fim somos todos iguais. Todos pensam primeiro em si e os outros que se danem. O que nos difere de outros países é que eles criaram limites para a esperteza e quando as pessoas ultrapassam são penalizadas.

Recebi mensagem do ator Ademar Seccatto que adaptei para concluir o tema de hoje:

O Brasil chegou a este caos econômico e social não porque nos faltam recursos naturais ou porque a natureza foi cruel conosco. Nem porque faltam talentos, gente séria e bem-intencionada. Chegamos ao caos porque ficamos apáticos e quando vemos algo feito de forma errada dizemos “este não é meu problema”. Chegamos ao caos porque nos falta atitude. Falta-nos vontade de seguir e ensinar esses princípios de funcionamento das sociedades prósperas e desenvolvidas que são:

  1. Ética, como princípio básico.
  2. Integridade.
  3. Responsabilidade.
  4. O respeito pela legislação e regulamentação.
  5. O respeito da maioria dos cidadãos pelo direito do outro.
  6. O amor ao trabalho.
  7. O esforço para poupar e investir.
  8. A vontade de ser produtivo.
  9. A pontualidade.
  10. O orgulho de cumprir com o seu dever.

SÓ PODEREMOS SALVAR O BRASIL PELA EDUCAÇÃO!


* Gabriel Mario Rodrigues participa do XI Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular como coordenador da Mesa-redonda “Perspectivas e soluções educacionais para o Brasil que queremos”, no dia 8 de junho.

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