Destaques
Facebook
Twitter
Print Friendly, PDF & Email

Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
***

“Impressiona-me o crescente espaço destinado à informação negativa. A autoestima do brasileiro está lá em baixo. Nós jornalistas e formadores de opinião contribuímos para essa visão sombria quando ficamos reféns de pautas superficiais” (Carlos Alberto Di Franco – jornalista)

 Ao final do primeiro jogo do Brasil no mundial de futebol, a Tevê captou parcela de torcedores brasileiros guardando em sacolas o lixo proveniente de papéis e sacos de guloseimas usados durante a partida. Lição aprendida na Copa anterior realizada no Brasil, onde, diferentemente de todas as torcidas, a japonesa recolhia o seu lixo das arquibancadas. Nada como o bom exemplo copiado pelos torcedores ‘canarinhos’, mas pouca gente sabe que as crianças japonesas cultuam isso desde a escola infantil, quando, ao final do dia, todos devem recolher o lixo que formaram durante as aulas. Higiene ambiental e valores éticos, morais e religiosos exercitam-se desde o berço.

Quero por isso me penitenciar um pouco dos meus últimos artigos, ao voltar sempre ao mesmo tema que é a corrupção, dando até a impressão, como me escreveu leitor, de que não dou importância ao fato de que no Brasil há muita mais gente séria do que os bandidos, como estou sempre citando. Enviou inclusive o noticiário sobre o louvável comportamento dos brasileiros na Copa.

Há também por estes brasis afora centenas de exemplos de ações positivas que ninguém conhece, como a do site da Advocacia Geral da União (AGU), www.agu.gov.br, que contempla excelentes informações, que lamentavelmente não chegam ao público pelas mídias, das medidas de caráter social  exercidas como uma exigência da atualidade por transparência em todos os níveis da sociedade. Por extensão também recomendo uma visita ao site da Controladoria Geral da União (CGU), www.cgu.gov.br. Esta última criada exatamente para atuar frente à corrupção no país, tem concursos de monografias com excelentes trabalhos na modalidade universitária. Mais adiante destaco alguns trechos da premiada em 2011.

Pouca gente sabe e está no site que desde 2003 foram expulsos, por corrupção, mais de 6,8 mil servidores públicos da Administração Pública Federal. Um absurdo se somados também aos das administrações estaduais e municipais.

A partir da Lava Jato, houve uma exposição maior do tema, mas, a meu ver, falta um viés pedagógico na mídia. É tudo espetacularizado e o tema, na sua perversa reincidência, acaba por anestesiar o espectador (leitor, ouvinte, internauta), que não consegue mais indignar-se. Falta por parte da mídia uma explicação mais educativa do que sensacionalista ao noticiar o problema. Acredito que o público reagiria com mais assertividade.

Ao invés de simplesmente noticiar (e espetacularizar, afinal quantas vezes vimos o Rocha Loures saindo da pizzaria Camelo, em São Paulo, com a mala de dinheiro? Afora o tesouro baiano de cinquenta milhões de reais encontrado no fim do arco-íris), tenho comigo que o dever da mídia não é só reverenciar o negativo, mas principalmente valorizar o lado positivo dos acontecimentos. Trazer informações (palatáveis ao grande público) e ensinar as novas técnicas de aprendizagem, envolvendo estudiosos do assunto e especialistas em ética para mostrar os efeitos nocivos da corrupção e as possíveis formas de, senão extirpar, pelo menos enfraquecer esse fenômeno.

Um bom exemplo desse jornalismo, que eu chamaria de positivo, foi dado pelo jovem repórter Allan de Abreu, obstinado por encontrar falcatruas, na revista Piauí deste mês. Em sua reportagem, Disque Sir para denunciar, entrevistou Sir Carvalho, 58 anos, paranaense de Campo Mourão que coordena um grupo de cerca de 1,2 mil pessoas – duzentas delas via WhatsApp – que acompanham as receitas e despesas de órgãos públicos em quase todos os estados (só o Acre ainda está de fora). São os Vigilantes da Gestão (www.vigilantesdagestao.org.br), como Sir chamou a ONG que criou para centralizar o trabalho de seus INGs – os Indivíduos Não-Governamentais –, cidadãos que não têm dinheiro ou companheiros associados, na mesma cidade, em quantidade suficiente para criar uma organização coletiva. Fazem parte da rede: advogados, promotores de Justiça, juízes, médicos e militares, todos também voluntários.

Acredito que a divulgação em grande escala de trabalhos como esse e tantos outros serviriam para tirar a população do torpor em que se encontra diante de casos escandalosos de corrupção, a qual já faz parte do cotidiano brasileiro, está amalgamada na sociedade, que, no entanto, grita alto ao saber de “mais uma” das grandes. As pequenas, as que resultam do “levar vantagem em tudo”, são ervas daninhas que viram mato grande. Na velha expressão, campeiam de cabo a rabo, do gari da rua até o Supremo Tribunal Federal, que no passado talvez fizesse jus ao superlativo, mas não hoje, basta ver o que a Corte vem fazendo…

Não existe, no Brasil, punição ideal contra a corrupção (e talvez aqui devêssemos olhar para o que acontece com corruptos na China, Japão e Coreia). O máximo que pode acontecer por aqui é ter de devolver ínfima parte do dinheiro desviado. É só rolar uma delaçãozinha básica. Muitos pensam que perde tempo quem quer “curar” esse câncer, pois parece que o mal é inerente, intrínseco, endêmico na nossa nação, quase impossível extirpar. E mais, é um vírus mutante que ganha novas formas todo ano, e os “laboratórios” não conseguem produzir um antivírus na mesma velocidade do surgimento da praga.

Mas há luz no fim do túnel.

A Prevenção e Combate à Corrupção no Brasil é o foco nos concursos de monografias da CGU e destaco o excelente trabalho de Pedro Petronillio Hernandes (Graduado em Economia pela Universidade de Brasília e Técnico Judiciário – TJDFT.) com o tema “Combate à corrupção no Brasil: análise sob a ótica da economia da corrupção”.

Petronillio mostra que a fiscalização, pelo menos no seu nível baixo ou burocrático, se tem intensificado e que se inicia uma política de valorização do servidor honesto. Porem as teses universitárias empíricas mostram antagonismo em relação a Educação: A educação combate a corrupção ou a Educação aumenta a Corrupção está no trabalho de André Damé Carraro e Otávio Darú “Educação e Corrupção a busca por uma evidência empírica, que citei na semana passada.

Empirismo por empirismo prefiro ficar com o dito popular, que nada constrói mais que o bom exemplo. E por isso concluo parafraseando o Jornalista Carlos Aberto Franco com o seu artigo de ontem no O Estado de S.Paulo, O Brasil pode dar certo. “A violência, a corrupção e a incompetência estão aí. E devem ser denunciadas. Não se trata por óbvio de esconder a realidade. Mas também é preciso dar o outro lado: o lado do bem. Não podemos ocultar as trevas. Mas temos o dever de mostrar as luzes que brilham no fim do túnel. ”

Compartilhe:
Avaliar

Deixe uma resposta

Números do Ensino Superior
Categorias
Autores
Arquivos
Visitantes
wordpress analytics
Página 1 de 11