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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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Na seleção que começa a ser escolhida em outubro, vote em craque para nunca mais se arrepender. O Brasil precisa dar certo e quem vai escolher quem joga é você! (TORCEDOR DA GERAL)

No cenário do maior espetáculo da terra, terminou para o Brasil o campeonato de futebol. Os analistas especializados vão tentar explicar o que os mais sensatos observadores já sabiam. Com a globalização do futebol, o Brasil é apenas exportador de talentos e aqui há campeonatos que, quando muito, poderiam competir com a terceira divisão europeia.

Examinando a Copa da Fifa sob o prisma econômico na civilização do espetáculo, o esportivo é um dos mais relevantes influenciadores. É só calcular o que deve ter representado para a economia russa a entrada de seis bilhões de dólares dos 700 mil visitantes que o país recebeu. Também quanto deve ter custado, além dos estádios, a infraestrutura de apoio de meios viários e de transportes aéreos, terrestres e de alojamentos para o evento acontecer. Se tivesse mais tempo, pesquisaria só o gasto com toda a preparação do nosso selecionado e o custo da delegação com todos os apaniguados e familiares dos jogadores. Um dado só que sei, a cota de participação de cada anunciante no patrocínio televisivo da nossa maior emissora custou 40 milhões de reais.

Não sou torcedor descontrolado como muitos, mas sou aficionado interessado e acompanho o futebol semanalmente e, logicamente, assisti praticamente a todos os jogos da Copa. Respondia que era um atento observador do esporte bretão quando um falecido amigo me questionava que não compreendia como pais de famílias responsáveis podiam se extasiar assistindo à correria de 44 pernas atrás de uma bola.

Mas todo este espetáculo acontece e é promovido em razão da ampla divulgação dos meios de comunicação. E por isso dou continuidade ao tema do artigo da semana passada com a reflexão: “Para o bem e para o mal, quem manda é a mídia”. Ela coloca nos altares em um dia e no inferno noutro quem ela quiser. E no dia a dia só sangue, crimes e roubalheiras. Corrupção e outros crimes são atrações para vender seus serviços. E quem contrata isto são os grandes patrocinadores e quem paga a conta no fim são os consumidores. Nóis, né?

Carlos Aberto Di Franco, detentor de vasto currículo e vivência jornalística, em seu último artigo pelo Estadão, publicado em 2 de julho, “O Brasil pode dar certo”, não perdeu o viés condenatório do mau jornalismo. Não há dúvida de que a mídia é formadora de opinião e atua no processo de construção da realidade. Quando escolhe como abordar um assunto, ela pode causar indignação seletiva ou emoção exacerbada, ambas prejudiciais ao processo democrático.

A emoção exacerbada é criada por noticiários “sensacionalistas”, que constroem uma realidade plana, sem profundidade, já que se limitam a relatar os fatos, sem contextualizá-los, sem explicar seus porquês, suas potenciais consequências e, sobretudo, sem relatar histórias de quem conseguiu escapar da teia catártica criada por essa própria mídia. Falta aqui o viés didático da mídia, que, como um dos atores sociais da emancipação das massas, deveria agir em sinergia com os demais: escolas, universidades, empresas, ONGs e sociedade em geral.

Já a indignação seletiva tem efeito mais deletério – “que conduz à imoralidade, à corrupção; degradante”, como define o dicionário Houaiss. Nela, o espectador/ouvinte/leitor/internauta protesta contra o que lhe interessa, o que lhe convém, segundo suas convicções políticas, religiosas, de classe social ou ideológicas, não se indignando com outros assuntos que fogem aos seus interesses. É o caso do empresário que protesta contra as fraudes noticiadas, mas ele próprio frauda o fisco; ou do cidadão comum que não devolve o troco errado, que senta ou estaciona em lugar reservado a idosos e deficientes, mas protesta contra a corrupção em que chafurda expressiva parcela de nossos governantes. Acredito que o antídoto aqui também é o mesmo: Educação e ética.

Segundo o jornalista paranaense Pedro Rodrigues Neto, autor do livro A culpa é do jeitinho brasileiro, a desvalorização do que está sendo noticiado e a não contestação da moralidade das instituições públicas são algumas razões que explicam a passividade do público: “Nós levantamos problemas, mas é a população quem tem que dar andamento no processo exigindo mudanças reais e aplicando a moralização do sistema ao votar. O trabalho da imprensa reverbera nas mesas dos bares, mas não ecoa aos ouvidos da justiça pela falta de interesse e de ação da população”.

Para o jornalista, se cada brasileiro for capaz de fazer uma reflexão pessoal, seremos capazes de combater a corrupção e saber que ela não vem apenas da política, mas nasce e cresce na sociedade, nos bairros, entre pobres e ricos, patrões e empregados, eleitores e políticos, e fica exposta nos órgãos públicos, quando a imprensa traz os atos aos olhos do público.

Isso de o Brasil poder dar certo tem inúmeras variáveis que passam pela serenidade da economia, a mansidão política, a educação em suas últimas consequências, a saúde sem hospitais lotados, os preços sem inflação, a produção agrícola e industrial fartamente apoiadas e a boa escolha de seus representantes políticos. Enfim, o desejo de todos para este país se desenvolver e distribuir melhor suas riquezas.

Falta realmente querermos e efetivamente escalarmos os melhores jogadores que vão nos representar no grande campeonato da política nacional. Para vencer os desafios que o país tem de enfrentar, precisamos trocar todos os jogadores venais, que se vendem aos adversários. Todos os pernas de pau contratados a peso de ouro apenas porque o avô é dono do clube; jogadores que não sabem dominar a bola e só dão furada; jogador que já passou por tudo que é clube e nunca encantou. Jogador que fala o tempo todo e nada faz.

Agora você precisa acreditar que quem pode escalar os craques é só você. Gente séria, que está sempre se aperfeiçoando e capaz de dar todo o sangue para o seu time Brasil vencer. Na seleção que começa a ser escolhida em outubro, vote em craque para nunca mais se arrepender. O Brasil precisa dar certo e quem vai escolher o time é você.

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Uma resposta para “O Brasil precisa dar certo e quem vai escolher os jogadores é você”

  • PAULO VADAS says:

    Prof. Gabriel. Concordo plenamente que cabe ao eleitor selecionar a equipe que terá a incumbencia de dirigir os vários orgãos públicos eletivos. Porém, bato na mesma tecla: de nada adianta simplesmente legitimizar políticos quando não existem “jogadores” novos, bem preparados, e capacitados para resolverem os problemas nacionais.

    Fundamentalmente, o problema brasileiro não é de eleição propriamente dita, já que o povo só tem opções restritas aos candidatos que aí estão: os mesmos de sempre. Quem não é eleito, vira ministro, ou secretario de estado, ou presidente de autarquia, ou…………

    Há que se mudar a cultura subserviente do brasileiro e motivar o jovem a se preparar e a se candidatar, oferecendo novas opções políticas (responsabilidade das escolas em função do Art. 205 “… prepararo para a cidadania…”). Há que se politizar os brasileiros para que saibam em quem e por que estão votando. Há que se conscientizar a população que eleição é só um ato importante mas que política é um exercício diário do cidadão e que se manifesta de várias outras formas alem da eleição.

    Há que se mudar um sistema político que privilegia partidos políticos cujos caciques são constanmente re-eleitos não em função do voto popular no candidato em si, mas em função da lista partidaria que privilegia o status quo político.

    Infelizmente, no meu ver, por mais que se procure mudar as coisas, este será só mais um ATO eleitoral que refletirá o velho ditado francês: “plus ça change, plus cést la même chose” (quanto mais muda, mais fica no mesmo).

     

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