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Maria Carmen TavaresMaria Carmen Tavares Christóvão
Mestre em Gestão da Inovação e Gestora Educacional
Consultora em Inovação Educacional da Revista Linha Direta
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A emergência de um novo paradigma de formação dentro das empresas em programas de educação continuada são traços marcantes no advento da sociedade do conhecimento.

Os programas de educação corporativa dentro das empresas ou em parceria com instituições de ensino propiciam a modelagem, a difusão e a aplicação de conceitos, teorias e todo o tipo de conhecimento necessário ao contexto de uma organização, e entre os membros dessa organização, outras organizações que interagem com a primeira, diferentes públicos relacionados e membros da comunidade impactada pela organização em questão, com o propósito de tornar tal organização mais capacitada para alcançar seus objetivos.

Em artigo publicado no Blog do Empreendedor do Estadão no dia 06/07/2018, o Prof. Dr. Marcelo Nakagawa, coordenador de Área de Pesquisa para Inovação da FAPESP, faz a seguinte afirmação:

“Em um momento em que o avanço tecnológico é tão drástico e disruptivo, os cientistas se tornam cada vez mais imprescindíveis em organizações que buscam inovações tecnológicas radicais”.

Ou seja, a transferência de conhecimento e tecnologia, partindo das universidades para as organizações tona-se cada vez mais constante, bem como a presença das organizações dentro da universidade. Seja para fins de formação de mão de obra ou no desenvolvimento de projetos em parceria.

Essa é a essência da Teoria da Hélice Tríplice, um modelo desenvolvido pelo Prof. Henry Etzkowitz e reconhecido internacionalmente como um conceito emergente de estudos de inovação, sendo ao mesmo tempo “um guia de políticas e práticas nos âmbitos local, regional, nacional e multinacional”.

Para o autor “as interações universidade-indústria-governo, que formam uma ‘hélice tríplice’ de inovação e empreendedorismo são a chave para o crescimento econômico e o desenvolvimento social baseados no conhecimento”, conforme representado na figura a seguir:

Percebe-se que megatendências mundiais imprevisíveis e aceleradas que introjetam novos valores e conceitos irão impactar o ambiente das empresas. Uma das megatendências é justamente a valorização da força humana, portanto trata-se de um aspecto que deverá ser observado pelas instituições para a definição de suas estratégias de negócios num processo de gestão competitiva, visando a melhoria dos resultados.

A educação continua a ser uma grande aspiração por parte da sociedade e do indivíduo. Não apenas uma graduação, mas com a aceleração das informações e com a velocidade das mudanças, o mercado de trabalho requer a cada dia profissionais mais preparados e seus colaboradores passam a postular programas de formação mais avançados, haja vista que todos os estudos elaborados por especialistas apontam para o fato de que as oportunidades de trabalho oferecidas no mercado levam sempre em conta o grau de escolaridade e de formação profissional.

O desenvolvimento da formação profissional de seus colaboradores certamente passará a fazer parte do portfólio dos negócios da empresa, pois a educação tornou-se hoje um vetor estratégico para o desenvolvimento sustentável e equitativo. Portanto, houve um boom na criação das universidades corporativas criadas para diferenciar o desempenho de seus colaboradores, através de um portfólio bastante amplo e focado na estratégia de cada empresa, atuando efetivamente na gestão do conhecimento, na identificação das competências, dos valores da organização, na formação de massa crítica.

Importante perceber que as instituições de ensino em parceria com as empresas poderiam ampliar o conceito de educação continuada dentro do ambiente de trabalho , buscando aprimorar a real vocação institucional e os propósitos pessoais de seus colaboradores evidenciando a necessidade de se instituir práticas de uma Cultura de Inovação, Gestão por competências, Gestão do Capital Intelectual e Gestão do Conhecimento.

Muitas vezes esses programas educacionais podem ser articulados dentro de instituições acadêmicas, onde o profissional receberá sua certificação. Quando não se consegue reproduzir o ambiente de trabalho busca-se a alternativa do investimento em programas de formação dentro da própria organização. Desta colaboração advém uma cultura de criatividade e consequentemente a inovação, sua parceira mais constante.

Lidar com a aprendizagem em um novo contexto significa tratar um sistema considerando a aquisição do conhecimento de forma ampla e democrática, o desenvolvimento contínuo de habilidades que assegurem desenvolvimento pessoal e organizacional, as mudanças de atitudes, como suporte desta revolução emocional que alcancem o bem comum. Uma revolução nada convencional, de iniciativa, talento e massa encefálica, onde as competências são reorganizadas num curto espaço de tempo, em programas de formação que atendam as expectativas de produção de capital intelectual das organizações. Focando no desenvolvimento da capacidade dos colaboradores em pensar e repensar a organização diante da competitividade e da busca permanente de melhores resultados.

A Compreensão do seu “negócio”, de sua identidade institucional colaborará para o alcance da autonomia empresarial. Só uma empresa autônoma tem alta capacidade de produção e de resultados. Segundo Pierre Levy, sua capacidade real é imprescindível para o processo de inovação que irá:

  • Produzir o avanço do conhecimento tecnológico, através de uma profunda fundamentação teórica oriunda da ciência, da pesquisa, da investigação e da tecnologia;
  • Ter legitimidade para criar know how em seu campo do conhecimento, adquirindo, incorporando e gerenciando o conhecimento produzido através da ciência da informação;
  • Implementar sistemas que permitam a apropriação, a reprodução adequada do conhecimento e a disponibilidade dos conhecimentos e informações para futuras gerações através de teorias e registros sistematizados;
  • Criar metodologias de aprendizagem, estratégias e ferramentas, usando o conhecimento adquirido como forma de alavancagem econômica, cultural e social.

Nessa perspectiva é que podemos compreender uma das formas de parceria entre universidade e empresa. Educar para o trabalho numa proposta contextualizada, onde os programas de formação correspondam às exigências efetivas do mercado de trabalho, mas que ao mesmo tempo satisfaçam aos anseios de crescimento pessoal dos profissionais, gerando um processo em cadeia de crescimento organizacional e social.

Os programas ofertados por instituições de ensino às empresas devem priorizar conhecimentos e competências focados no que necessitam indivíduos e instituições visando a melhoria dos processos e resultados da empresa, mas também, ampliando o leque de habilidades e competências do profissional. No cotidiano das organizações a transmissão do saber não se apresenta formatado, configurado, mas existe maior flexibilidade e adaptabilidade a cada realidade. Quando se institui programas de formação o que se deve considerar são experiências de aprendizagem, já que o conhecimento e a tecnologia tornam-se obsoletos rapidamente.

Em dados de pesquisa recentemente publicados pelo Inep/MEC o que se propõe é que as instituições de ensino deixem de ser ilhas do conhecimento para se tornarem redes de informação. É a visão de Universidades e Escolas, articuladas com empresas, comunidades organizadas, ONGs, Organizações Governamentais etc. Não apenas para capacitar melhor os profissionais, mas para viabilizar seu reformar de informações, num processo de retroalimentação.

Para o sucesso na implementação de programas tão complexos há que se definir com precisão o que se espera que cada profissional desenvolva em termos de:

  • habilidades e competências, não apenas cognitivas, relativas à inteligência, mas habilidades conceituais, práticas e atitudinais em domínios de conceitos alinhados com a estratégia da empresa;
  • definição dos níveis mínimos de conhecimentos incorporados ao final de cada programa, para aferição de resultados;
  • definição de indicadores que irão permitir operacionalizar sua medição;
  • formação permanente dos executivos docentes.

Enfim, a qualidade dos programas de Educação Corporativa deve ser uma meta pesquisada pela empresa e pode ser permanentemente avaliada e monitorada com base em dados objetivos, contrastando resultados.

Interessante identificar os postulados da Universidade do Hambúrguer, em reportagem da revista Exame:

“Por que não somos uma empresa de hambúrgueres vendidos por pessoas. Somos uma empresa de pessoas que vendem hambúrgueres. As duas coisas são muito diferentes.”

O investimento em capital humano é, sem dúvida, um grande diferencial.

A oportunidade de crescimento do profissional que em sua trajetória vai sendo capacitado a exercer sua função em um ambiente apropriado, com auditório, cozinha experimental, salas de aula, é sem dúvida um elemento de sedução para o grupo de funcionários. Um ambiente inspirado para o alcance de resultados, pois existe comprometimento de ambos os lados.

Outro case interessante é o da Visa Business School. A Universidade Visa possui o foco centrado em assuntos e temas da realidade brasileira, a apoiando toda a comunidade de profissionais da cadeia do negócio, Meios Eletrônicos de Pagamentos. A proposta apresenta algumas marcas de distinção:

– Manter e ampliar significativamente a credibilidade e o prestígio dos programas já realizados pelo Visa Training;

– Expandir a abrangência de temas e assuntos, alcançando novos segmentos e áreas envolvidas com o “business” de cartões e meios eletrônicos de pagamentos;

– Programação estruturada por núcleos de conteúdos modulares e integrados, possibilitando diferentes níveis de aprofundamento com o tema;
– Inovação metodológica de reconhecimento das competências, através de um processo de certificação dos participantes.

Essa é a trajetória segura que vem trilhando algumas das grandes empresas da modernidade, abrindo sem dúvida um amplo espaço de reflexão e parceria com instituições de ensino e sendo pioneiras para outras que se despertarão para o absoluto de que o futuro pertence aqueles que o estão construindo hoje.

 

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5 Respostas para “Unir para inovar”

  • Nayra Nicolau says:

    Como sempre Prof. Carmen trazendo ótimas reflexões. Um raciocínio que complementa bem a nova proposta da BNCC, que visa preparar o jovem para as novas demandas do século XXI no mundo do trabalho. Reformular a educação para a “auto atualização” do aluno, é ele fazer parte da era do conhecimento como sujeito ativo e autônomo.

     
  • Prof. Dr. Antonio Oliveira says:

    Parabéns Professora, conseguiu trazer um conceito do universo da pesquisa para pós graduação, seja ela lato ou strictu sensu. A educação continuada nas empresas passa por esse viés que é a parceria com a universidade.

     
  • IVANA AZEVEDO MARTINS says:

    Parabéns texto extremamente oportuno na realidade atual

     
  • Oportuno, esclarecedor e estratégico. Mais um ótimo texto de Maria Carmen. Parabéns!

     
  • Vicente says:

    Excelente e rico texto, de alto esclarecimento sobre educação e tecnologia e potencial humano.

     

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