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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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“Sete de cada dez alunos do 3º ano do ensino médio têm nível insuficiente em português e matemática. Entre os estudantes desta etapa de ensino, menos de 4% têm conhecimento adequado nestas disciplinas” (G1)

No início do mês (4/9), o jornal O Estado de S.Paulo publicou matéria dos jornalistas Renata Cafardo, Victor Vieira e Luiz Fernando Toledo destacando que as escolas particulares de ensino básico não melhoraram seu desempenho segundo avaliação do Ministério da Educação (MEC). A rede pública saiu-se melhor. Somente 23% das particulares atingiram as metas de qualidade enquanto entre as públicas o índice foi de 42%.

Em São Paulo, o ensino privado não teve o rendimento previsto tanto no fundamental como no médio, segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado no dia 3 de setembro (Entenda o Ideb).

Por meio desse indicador, as escolas e/ou sistemas podem formular (ou reformular) seus projetos políticos pedagógicos, visando à “melhoria da qualidade, equidade e eficiência do ensino”, segundo o portal do Inep.

O Ideb inclui notas no Saeb – o Sistema de Avaliação da Educação Básica de responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos  e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC) – que estabeleceu índices e objetivos para as 27 redes particulares de cada estado nas três etapas (anos iniciais e finais de fundamental e ensino médio).

“Do total de 81 metas previstas, só 19 foram atingidas: 16 nas séries iniciais (alunos de 6 a 10 anos) e outras três no fundamental 2 (alunos de 11 a 14 anos). No ensino médio (jovens 15 a 17 anos), todas as redes não evoluíram como o esperado”, aponta O Estado de S.Paulo.

Ao determinar que todas as escolas participassem do Saeb e abrir para as particulares, o MEC pretendia que o exame substituísse o Enem por escola. Debaixo de resultados não tão satisfatórios, temos ilhas de excelências, relatadas na reportagem: embora longe das metas.  A rede privada de São Paulo tem escolas com desempenho acima do esperado. “O Colégio Objetivo Integrado registrou Ideb 8,4, o mais alto da cidade. A média das escolas particulares no estado, no ensino médio, é 5,9, ficando na quarta colocação, mas não atingindo a meta, de 6,8. (…) A menor nota de escolas da capital de São Paulo que participaram é 4,5”, sinaliza a reportagem, reforçando que, ainda assim, o índice é superior ao da melhor rede pública no ensino médio, no estado de Goiás (4,3). Em seguida vem o Espírito Santo com 4,1; Pernambuco, 4; Rondônia, Ceará e São Paulo com 3,8.

Já entre as particulares, o registro positivo vai para o Espírito Santo, estado com o melhor desempenho no país, segundo relatado pela jornalista Carolina Linhares, da Folha de S.Paulo, em matéria do dia 10/9, sob o título No topo, ES alavanca ensino médio sem ‘reinventar a roda’.

Os dados exitosos no Espírito Santo nos obrigam a cumprimentar seu secretário de Educação, Haroldo Rocha, que disse que prédio ruim e professor ganhando pouco não são mais desculpas para a ineficiência. Esse discurso é velho. Claro que prédio bonito ajuda, mas parede não ensina. A essência da escola é a relação aluno e professor.

Apesar das vicissitudes e controvérsias, temos algo a comemorar no ensino público e o Espírito Santo desfralda a bandeira liderando o ensino médio no ranking de avaliação da educação básica em 2017.

Não é novidade, muito pelo contrário, há um crescente consenso de que nosso sistema educacional precisa de mudanças urgentes e profundas. É que da forma como está não pode assegurar para a atual e futura gerações oportunidades reais e significativas de futuro e inclusão social.

Os dados do Saeb mostram que a educação brasileira segue estagnada, em requisitos e conhecimentos básicos, como a Língua Portuguesa e Matemática. “Sete de cada dez alunos do 3º ano do ensino médio têm nível insuficiente em português e matemática. Entre os estudantes desta etapa de ensino, menos de 4% têm conhecimento adequado nestas disciplinas”, traz matéria do G1.

Outra questão importante: a Organização Internacional do Trabalho (OIT) tem alertado o Brasil sobre o contingente de jovens desempregados, que alcançou a sua maior taxa em 27 anos. Estima-se que, aproximadamente, 30% dos jovens brasileiros estejam sem trabalho.

Os jovens brasileiros não apenas necessitam de uma educação que os preparem para encontrar empregos. Eles também precisam ser preparados com as habilidades necessárias para realizar e produzir nos trabalhos existentes. Habilidades como fluência digital, comunicação, criatividade, colaboração, resolução de problemas, pensamento crítico, entre outras, se tornam fundamentais no atual contexto da Quarta Revolução Industrial.

As principais capacidades exigidas nos mercados de trabalho hoje abrangem um conjunto de habilidades cada vez mais diversificadas. Da mesma forma, a força de trabalho global de amanhã – as crianças e jovens de hoje – precisam urgentemente de um sistema educacional que os orientem para um futuro melhor.

Nas gerações passadas, um diploma universitário era frequentemente percebido como garantia de um caminho para um emprego estável. No entanto, essa sinalização simplista de “adequação ao trabalho” está desatualizada e não condiz com a nossa realidade.

O avanço exponencial das tecnologias e a Quarta Revolução Industrial acelerou a demanda por pessoas capazes de inovar e empreender, que o setor educacional, muitas vezes, não consegue acompanhar.

Os dados do Saeb impactam de forma profunda nessa realidade. Sem saber ler, escrever e pensar de forma matemática, como teremos jovens capazes de gerar inovação e empreendedorismo no Brasil?

Toda vez que essas manchetes ocupam as pautas dos noticiários, nos perguntamos: o que é preciso fazer para mudar a Educação Brasileira? Sem dúvida, uma pergunta complexa, para a qual não existe resposta única, nem tão pouco solução fácil e rápida.

Sim, esse é um desafio real e complexo, pelo qual atravessa o cenário social, político e econômico do país. Mas se nós, como nação, continuarmos a formar estudantes, sejam eles do ensino básico, médio ou universitário, desconectados da realidade e das demandas atuais do mundo do trabalho, nossas perspectivas econômicas, políticas e sociais, atuais e futuras, não serão seguras e estáveis.

Somente nós brasileiros, possuímos a capacidade de resolver os reais problemas do nosso país, que, na sua grande maioria, são cruciais para a nossa sobrevivência. Precisamos acreditar nisso para mudar os rumos da história do nosso Brasil.


 

Resumo sobre as avaliações do ensino básico

Saeb – O Sistema de Avaliação da Educação Básica é calculado a partir das notas de dois exames nacionais: a Prova Brasil e a Aneb. As duas provas devem ser feitas por 5 milhões de estudantes neste ano em todo o Brasil. O Saeb é a principal ferramenta na formulação de políticas públicas. Além das provas, alunos e professores respondem a questionários para fornecer informações sobre desempenho, estrutura das escolas, clima em sala de aula e até remuneração e satisfação dos docentes. O MEC prevê divulgar os dados dos exames no segundo semestre de 2016.

Prova Brasil – O nome oficial do exame é Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc). Analisa o desenvolvimento em português e matemática dos estudantes de 5º e 9º ano do ensino fundamental da rede pública, sendo aplicada a cada dois anos para todas as escolas com mais de 20 estudantes dentro dessas faixas. Tem caráter censitário, ou seja, pode fornecer dados específicos por escola, cidade ou Estado. Aneb É a Avaliação Nacional da Educação Básica. Utiliza a mesma metodologia da Prova Brasil, mas é aplicada tanto nas escolas públicas quanto nas privadas. Além do 5o e do 9o ano do ensino fundamental, atinge as turmas do terceirão do ensino médio. Trabalha com amostragens, por isso não é aplicado como censo nem possibilita a separação de dados por escola ou cidade, por exemplo. Popularmente é chamada apenas de Saeb.

Ideb – É o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, calculado a partir de duas variáveis: as taxas de aprovação e evasão, levantadas pelo censo anual da educação, e as médias nos dois exames padronizados do Inep que compõem o Saeb (Prova Brasil e Aneb). O Ideb é divulgado a cada dois anos e tem escala de zero a 10, servindo como um ranking das escolas.

Censo Escolar – É um levantamento anual de dados sobre a educação básica pública e privada no Brasil. Coleta informações sobre número de turmas, alunos, professores em sala de aula e rendimento escolar. Também apura dados sobre evasão e índices de aprovação em cada escola, servindo de base para o cálculo do Ideb. (Resumo elaborado por Raulino Tramontin – Contato Consultoria)

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Uma resposta para “Ensino básico continua estagnado, conforme avaliação do Saeb”

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