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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço. (Immanuel Kant)

No próximo domingo, dia 28 de outubro de 2018, as urnas estarão apontando o novo presidente da República. E o vencedor, com suas equipes de planejamento, começará a conhecer os problemas dos diversos ministérios, preparando-se para cumprir as promessas de campanha.

Nunca como dessa vez a palavra educação foi tão divulgada, porém dentro do seu significado tradicional. Nenhum dos dois candidatos a tratou como o conceito de capital humano, que é união da força de trabalho como riqueza que possa ser desenvolvida, para transformar uma nação. E isso só vai ser alcançado com ideias novas e pessoas comprometidas com o novo. Certamente muitas mudanças serão necessárias.

Mudar, portanto, ganha significado de permuta, mutação, modificação, diferença, alteração, transformação, metamorfose, troca, transmutação e, claro, opondo-se à regularidade, constância e conservação, grande prazer dos conservacionistas[1] e resistentes às mudanças. Mudança requer muito mais que palavras, muito mais que expressão. Mudanças requerem atitudes, requerem coragem e vontade de mudar.

Mudar é um ato de ousadia e toda mudança encontra resistência, pois quem pensa em mudar provavelmente encontrará oposições onde jamais esperava existir. A velha e cansada mesmice e da resistência como todos que analisam ou criticam o mundo da educação sem a exigida solução. Ninguém dá, oferece ou disponibiliza a solução. Como resolver o problema da defasagem e do anacronismo do ensino básico poucos falam.

Será que alguém já tem a solução para juntar as propostas e assim conseguir unificar as ideias discutidas e apresentar planos viáveis de execução? Sim, porque até aqui só existem vozes isoladas, ilhadas sem merecer qualquer atenção, mas não faltam palpiteiros de plantão com respostas sem soluções factíveis e realistas, do Infantil até o Superior. Parece que a ortodoxia  de quem não tolera o novo e o diferente prepondera há séculos no país em assunto que deve(ria) ser dominado constantemente pela criatividade e inovação.

Já é hora de MUDANÇAS, radicais, seja na troca de pessoas, seja na troca de ideias e pensamentos e atitudes, corajosamente, sem medo de errar.

Estamos em disputa com o calendário e com o relógio, no tempo regulamentar prorrogado, momento dos pênaltis e alguém vai ter de bater a(s) penalidade(s).

Onde se encontra o pessoal comprometido com as mudanças que deverá persuadir  a torcida do pessoal da zona de conforto e assim mudar o resultado desse jogo que já se arrasta por décadas, para não dizer séculos?

Alguém haverá de propor a mudança da formação do CNE – Conselho Nacional de Educação, ou até mesmo um melhor funcionamento do órgão, cujas reuniões mais se assemelham às da Academia Brasileira de Letras, só faltando o chá com torradas.

Alguém haverá de se opor ao Enade, um purgatório dos mantenedores quando os protagonistas-alunos é que mandam na casa, aliás, como nos berços familiares de origem.

Alguém haverá de trazer argumentos fortes de que as NDCs (Novas Diretrizes Curriculares), que de novas não têm nada, são/estão obsoletas e que o melhor mesmo é ignorá-las se queiramos propiciar empregabilidade aos alunos.

Alguém há de reinventar o financiamento dos estudantes carentes sem o qual não tem jeito/condição deles estarem na universidade, sobretudo diante do cenário econômico que o país atravessa e ainda demorará para resolver (se é que dá pra resolver), afora os milhões de desempregados.

É preciso romper com os grilhões do exagero de normas que acometem a educação. É preciso liberdade de ação, de atitude, pois o que deve prevalecer são as MUDANÇAS. Se o governo entende manter as camisas de força que o faça junto às públicas, “até pra ver se vai dar certo”, mas libere as particulares que sabem muito bem onde têm o nariz no rosto institucional. Suas gestões e administrações estão dentro da escola, bastando se locomover alguns metros para acessar suas secretarias e salas dos professores, absurdamente diferente das gestões públicas.

E não faltam indicações, sugestões do que as instituições de ensino devem abraçar devendo as universidades acelerar inovação nos espaços de aprendizagem.

Mas, nas tendências há muitos desafios e desenvolvimentos para o ensino superior adotar, conforme destaca o relatório de Horizon Report: 2018 Higher Education Edition[2], publicado pela New Media Consortium (NMC).

Vinícius de Oliveira e Marina Lopes, do Porvir, trazem matéria sobre o relatório produzido a partir de discussões com 71 especialistas e que aponta impactos, ao longo dos próximos cinco anos, para adoção de práticas inovadoras e uso de tecnologia no ensino superior ao redor do mundo.

Eles apontam que, para acelerar a adoção de recursos tecnológicos, universidades e demais instituições de ensino superior devem, nos próximos dois anos, redesenhar espaços de aprendizagem com configurações que apoiam a mobilidade, flexibilidade e o uso de vários dispositivos, mantendo o foco em medir o desempenho dos estudantes. “Ao mesmo tempo, elas ainda devem buscar soluções para promover a equidade digital e adaptar seus projetos ao futuro do trabalho.”

O relatório mostrou ainda que, em curto prazo, faculdades e universidades devem repensar como definir, medir e demonstrar a aprendizagem dos estudantes, inclusive de competências complexas, como criatividade e colaboração.

Os jornalistas explicam que além de falar de tendências, o Horizon Report apresenta desafios para o avanço do ensino superior. Promover experiências de aprendizado autêntico que conectam alunos a desafios do mundo real é um primeiro item mencionado entre os desafios que têm solução conhecida, mas ainda é pouco difundido entre as universidades. O aprendizado autêntico funciona como um grande guarda chuva que abriga as tarefas práticas e que promovem conhecimentos e habilidades.

Em um nível considerado mais difícil, está a necessidade de reorganizar o desenho das organizações universitárias, que precisam ser menos hierárquicas, uma característica do novo mundo do trabalho. Em estágio semelhante está a equidade digital. Diferentes organismos internacionais já alertam para a dificuldade de acesso à internet de banda larga dependendo do status socioeconômico e do gênero.

O relatório também apresentou seis desenvolvimentos importantes, segmentados por tempo para adoção: tecnologias analíticas e makerspaces (um ano ou menos), tecnologias de aprendizagem adaptativa e inteligência artificial (dois a três anos) e realidade mista e robótica (quatro a cinco anos).

Nestes anos todos estivemos acostumados com estruturas que se preocupavam com o desempenho operacional das instituições. Oriundos de mesmo grupo político, defendiam as mesmas ideias e sem preocupação com as transformações tecnológicas. Vença quem vencer estas eleições, as mudanças de um jeito ou outro acontecerão, porque o mundo educacional, para sobreviver, tem necessidade de transformar-se.

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[1] O conservadorismo ou conservantismo é uma filosofia política e social que defende a manutenção das instituições sociais tradicionais no contexto da cultura e da civilização. Por algumas definições, os conservadores procuraram várias vezes preservar as instituições, incluindo a religião, a monarquia, o governo,  os direitos de propriedade e a hierarquia social, enfatizando a estabilidade e a continuidade, enquanto os elementos mais extremos chamados reacionários se opõem ao modernismo e buscam um retorno à “maneira como as coisas eram”. (Wikipédia)

[2] O NMC Horizon Report é um organismo que identifica e descreve as tecnologias emergentes que pode ter impacto sobre a Aprendizagem, ensino e pesquisa na educação

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Uma resposta para “Novo governo e a expectativa das transformações educacionais”

  • Parabéns Sr. Gabriel, pela profundidade e entendimento do que passa nossa tão combalida educação.

    Que Deus dê sabedoria ao Bolsonaro na escolha dos nomes que comporão o novo cenário nacional e em especial, o da educação.

    Felicidades.

     

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