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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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Você não sente nem vê/ Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo/ Que uma nova mudança em breve vai acontecer/ E o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo/ E precisamos todos rejuvenescer/ (…) No presente, a mente, o corpo é diferente/ E o passado é uma roupa que não nos serve mais. (Belchior)

 O aquecimento global, a globalização, os avanços da neurociência, da tecnologia, da medicina e da psicologia social são estímulos para repensarmos não só nossas escolhas econômicas e políticas, mas toda nossa forma de atuação no mundo e sobre o mundo. Parodiando Belchior, os modelos do passado já não nos servem mais.

No paradigma moribundo em que a maior parte das nações ainda vive, vigora o conceito de homem essencialmente egoísta, conduzido pela punição e pela competição, que visa ao lucro (resultado) imediato, importando-se mais com o presente e negligenciando/comprometendo inúmeras vezes o futuro do planeta e das futuras gerações. A esse conceito contrapõe-se o do ser humano essencialmente altruísta e colaborativo, estimulado pela curiosidade e pela cooperação que o novo milênio exige.

Esse contexto não é a realidade só da economia, mas da pedagogia também. O que nos faz questionar, mais uma vez, nosso papel como educadores.

Neste século XXI da sociedade da informação, baseada na produção e disseminação de conteúdos, o conhecimento democratizou-se, assim podemos ter acesso a ele das mais variadas formas. Esse acesso ao alcance de todos vem destronando a universidade do seu papel de principal produtora e guardiã do conhecimento. Em contrapartida, oferece-lhe outra função tão ou mais nobre do que a anterior – o de espaço de debate para o aprofundamento dos conhecimentos que catalisarão as mudanças na sociedade.

No Brasil falamos muito de inovação e que a universidade deve se preocupar com os novos modelos de atuação se quiser sobreviver, razão de apresentar algumas iniciativas que estão rompendo com o conceito clássico de universidade.

Para Ben Nelson, criador da Minerva Schools, em parceria com a Keck Graduate Institute (KGI), “as universidades precisam parar de disseminar conteúdo e de cobrar por isso. Não devem criar um currículo ao redor do conteúdo, mas ao redor de filtros que ensinem como deveríamos pensar o mundo ao nosso redor”. Segundo ele, “em vez de prendermos os alunos em um campus por quatro anos, devemos colocá-los no mundo para viverem e aprenderem em grandes cidades. Em vez de lhes ensinar conteúdos que podem ser encontrados em livros e cursos on-line (MOOCs, em inglês), precisamos usar o tempo de aula para ensinar e reforçar conceitos fundamentais do pensamento. Somos a única universidade a ensinar aos alunos as habilidades que os levarão, gradualmente, a pensar criativamente e se comunicar de forma eficaz”.

A Minerva Schools[1], assim como outras espalhadas pelo mundo, é uma universidade alternativa, que trabalha com métodos de aprendizagem mais livres para formar profissionais felizes, criativos e que pensem fora da caixa.

A 42[2] é uma universidade revolucionária, sem professores, sem livros, sem emissão de diploma e onde nada é pago. Durante o curso, os alunos trabalham sempre em grupo e colaborativamente, avaliando os trabalhos uns dos outros. Seu primeiro campus foi criado em Paris, em 2013, por Xavier Niel, um empresário e milionário do setor de tecnologia. Em 2016, outro campus foi aberto no Vale do Silício, na Califórnia. A 42 – cujo objetivo é estimular a educação ativa, e não a passiva, mais comum nas instituições de Ensino Superior – quer receber por ano mil estudantes interessados em programação de computadores e desenvolvimento de software.

A Universidade Alternativa[3], da Romênia, fundada em 2008 por jovens ativistas educacionais, assim como a Minerva, pretende revolucionar a educação no país do Leste Europeu, com uma aprendizagem centrada no estudante. Seus caminhos norteadores são “autonomia e confiança em vez de controle; diversidade e customização ao invés de padronização; e pensamento crítico em vez de doutrinação”, para ajudar as pessoas a serem felizes e mudar o mundo.

A fim de alcançar esses dois objetivos, a universidade aposta em quatro princípios que conformam sua filosofia educacional: autonomia, comunidade e colaboração, impacto na sociedade e ambiente de aprendizagem. “A Universidade Alternativa é uma experiência de aprendizagem rica e personalizada, projetada com fins profissionais, a fim de fornecer suporte para o crescimento de jovens capazes de gerar impacto na sociedade”, diz o site oficial.

Essas são iniciativas/experiências que podem/devem estimular a discussão sobre o papel e o futuro da nossa universidade. Henry Etzkowitz, pesquisador da Universidade de Stanford, defende o conceito de hélice tripla (triple Helix) onde a universidade está moldada em governos inovadores, em indústrias high tech e em universidades empreendedoras.

Ele define três pontos de como deverão ser as universidades no futuro. Elas teriam uma nova estrutura, que uniria o ensino, a pesquisa e o empreendedorismo. As instituições educacionais também funcionariam como incubadoras, recebendo incentivos governamentais e fazendo investimentos na criação e acomodação de startups em busca de novas ideias.

A universidade, com os olhos voltados para o futuro, se quiser sobreviver tem de criar desafios à altura da complexidade do mundo de hoje, motivando o aluno a pensar, analisar e a aplicar criativamente o que ele aprendeu.

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[1] O Minerva Schools na KGI é um programa universitário que foi fundado em parceria entre o Projeto Minerva e o Keck Graduate Institute (KGI), um membro do Consórcio Claremont University. Oferece um curso de graduação de quatro anos, bem como um mestrado em programa de pós-graduação em ciências. O Projeto Minerva é uma corporação com fins lucrativos que possui a plataforma de tecnologia na qual a escola funciona. O Minerva Schools na KGI é uma instituição sem fins lucrativos que conta com o Projeto Minerva para serviços. O Instituto Minerva de Pesquisa e Bolsas é um segundo braço sem fins lucrativos que oferece bolsas de estudos para alunos das Escolas do Minerva, apoia a pesquisa acadêmica do corpo docente e concede o Prêmio Minerva por excelência no ensino.
O fundador da Minerva, Ben Nelson , descreve Minerva como “a primeira universidade americana de elite a ser lançada em um século”.  Larry Summers, ex-presidente da Universidade de Harvard e secretário do Tesouro dos Estados Unidos, presidiu seu primeiro conselho consultivo, acompanhado por Bob Kerrey, ex-senador democrata de Nebraska e presidente da New School (Fonte: Wikipédia)

[2] 42 é uma escola de programação de computadores privada, sem fins lucrativos e gratuita criada e financiada pelo bilionário francês Xavier Niel (fundador da empresa de telecomunicações Illiad) com vários parceiros, incluindo Nicolas Sadirac (diretor-geral anterior da escola Epitech na França), Kwame Yamgnane e Florian Bucher (ex-executivos da Epitech). A escola foi inaugurada em Paris em 2013.
Dos mais de 80.000 candidatos na França, 3.000 foram selecionados para completar um bootcamp intensivo de programação de computadores de quatro semanas chamado piscine (piscina). Qualquer pessoa entre 18 e 30 anos pode ser registrada para a piscine depois de completar os testes de raciocínio lógico no site.
A escola não tem nenhum professor, não emite nenhum diploma ou graduação e está aberta 24 horas por dia, 7 dias por semana. O treinamento é inspirado por novas maneiras modernas de ensinar, que incluem a pedagogia entre pares e a aprendizagem baseada em projetos. A Escola tem sido afiançada por muitas pessoas importantes no Vale do Silício, incluindo Evan Spiegel, cofundador e CEO do Snapchat, Keyvon Beykpour, cofundador e CEO da Periscope, Stewart Butterfield, cofundador e CEO da Slack, Brian Chesky o cofundador e CEO da Airbnb , Tony Fadell, fundador e CEO da Nest Labs, Jack Dorsey, co-fundador e CEO do Twitter, Paul Graham, capitalista de risco e cofundador da Y Combinator, capitalista de risco Bill Gurley e sócio geral no benchmark .
A escola é uma organização sem fins lucrativos e é totalmente gratuita, sendo financiada pelo bilionário Xavier Niel com centenas de milhões de dólares. Toda a propriedade intelectual pertence aos estudantes. 42 O Silicon Valley é o campus americano de 42 fretados como uma corporação sem fins lucrativos de utilidade pública no Estado da Califórnia e foi criado e financiado pela mesma equipe da França, além de um novo sócio, o diretor de operações da escola americana. e ex-42 estudante de Paris Brittany Bir. 42 O Vale do Silício foi inaugurado no verão de 2016 em Fremont, Califórnia, na área da baía de São Francisco.
O nome de 42 é uma referência ao livro de ficção científica “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, escrito pelo autor britânico Douglas Adams: no livro 42 está a Resposta à Questão Final da Vida, do Universo e de Tudo.
Além dos dois campi oficiais em Paris, França e Fremont, Califórnia, o modelo escolar foi adotado em Lyon, na França, assim como na Romênia, África do Sul, Ucrânia, Bulgária, Moldávia, Bélgica, Rússia e Marrocos  com a ajuda e apoio de 42. (Fonte: Wikipédia)

[3] Universitatea Alternativă é um projeto de educação informal desenvolvido pela CROS – Centrul de Resursières pent Organizații Studențești, uma ONG de Educação em Bucareste, Romênia. O projeto visa proporcionar uma experiência de aprendizado diferente aos seus alunos, com foco na autonomia e liberdade de seus alunos.
Desejando atender a demanda por reforma do sistema educacional público na Romênia, sentida por alguns estudantes, um grupo de cinco estudantes da Universidade Politehnica de Bucareste decidiu estabelecer CROS (que posteriormente desenvolverá a Universitatea Alternativa), como um ambiente para ONGs lideradas por estudantes. Atualmente, a Universitatea Alternativa está organizada em 6 comunidades de aprendizagem, Incubatorul de Afaceri (empreendedorismo), New Media School (comunicação e mídia), .edu (educação), SyncerSchool (gestão), HRemotion (recursos humanos) e Vânzări (vendas e marketing).
A Universitatea Alternativă centra sua visão nas necessidades do aluno, permitindo que eles proponham cursos, assegurando que os recursos estejam disponíveis. Todos os cursos partem de um modelo do mundo real, construindo gradualmente um modelo teórico, através de análises de diferentes situações, relevantes para seus alunos.
Durante um ano, os alunos abraçam os valores de relacionamento, aprendizado, brincar, compartilhar e sonhar.
Apesar de alegar ser uma universidade, a Universitatea Alternativă não é reconhecida como tal pelo Ministério da Educação Nacional e Pesquisa Científica da Romênia, nem é legalmente capaz de conceder diplomas de ensino oficialmente reconhecidos, ao contrário da maioria das universidades alternativas em todo o mundo. (Fonte: Wikipédia)

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Uma resposta para “Universidade tradicional: página virada, jornal de ontem”

  • Marcos Pires Valdívia says:

    Excelente matéria. já passou da hora da Universidade sair da mesmice. Nos anos 90 (século 20) já se falava na necessidade de um novo modelo de Universidade, ou seja, a Universidade do século 21. Mais de 25 anos se foram e nada aconteceu. Os jovens estão cada vez mais “emburrecidos”, uma pena.

     

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