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Adriano CoelhoAdriano Coelho
Consultor da Hoper Educação
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E finalmente temos o resultado do Enade 2017. Dado o tardio tempo de divulgação dos resultados pelo Inep/MEC, muito próximo aos insumos para cálculo de CPC (Percepção Discente e Corpo Docente), poucos pararam para discutir o que representa os resultados Enade e estão debruçados na conta CPC a partir dos insumos oficiais divulgados.

E é bom o fazer porque as notas Enade não são satisfatórias.

Muito embora nas médias padronizadas tivemos um crescimento de 3,6% de 2014 para 2017 conforme tabela abaixo, são outras análises mais específicas que demandam nossa especial atenção.

Quando olhamos para as provas de acordo com sua natureza, FG – Formação Geral e Conhecimento Específico, em Nota Bruta (percentual de acertos) percebemos números um tanto diferentes.

2017 marca o início da avaliação em EaD de larga escala, em outras palavras, passamos a acompanhar o resultado da expansão do Ensino Superior a partir do grande “boom” da Educação a Distância.

Apesar de termos apenas 516 cursos avaliados em EaD (versus 10.055 do presencial), estes totalizam mais de 114 mil alunos em avaliação, permitindo uma análise mais acurada da modalidade, especialmente comparando os cursos que tem representatividade nas duas modalidades.

De maneira geral, vale o destaque para os resultados gerais de ENADE que apresenta na Educação Presencial cerca de 32% dos cursos reprovados e na modalidade EaD quase 50% da totalidade dos cursos, acompanhem:

É perceptível a inversão da curva na apresentação dos conceitos, perdendo o EaD em Cursos com Conceitos 4 e 5 e aumentando o escore de cursos reprovados (Conceitos 1 e 2).  Mas este não é o grande problema, pois é preciso levar em consideração o volume quantitativo que esses cursos carregam, vamos a um exemplo clássico: Pedagogia.

Em cursos presenciais de Pedagogia, tivemos um montante total de 800 cursos representando 63.559 alunos (média de 57 alunos por curso). Já na modalidade de Educação a Distância, tivemos apenas 96 cursos (7% do total dos cursos de Pedagogia) mas um montante de 69.170 alunos (média de 720 alunos por curso) que representa mais de 50% do total de alunos avaliados em Pedagogia (Presencial + EaD). Os números exaltam a relevância desta comparação.

A grande questão é que dos 96 cursos em EaD, 38 cursos (40% do total de cursos em EaD) ficaram reprovados (Conceitos 1 e 2) e estes representam um total de 42.606 alunos, ou seja, 62% do total dos alunos de Educação a Distância. Podemos inferir que os cursos maiores (responsáveis diretos pela expansão em larga escala) carregam esse resultado negativo. Este é o tamanho do “tombo do EaD” que os resultados representam.

E é claro, este resultado enviesou completamente a média do curso entre os ciclos de 2014/2017, confira tabela abaixo comparando 2014 com 2017 em notas brutas:

Mas para não ficar somente nos resultados de EaD x Presencial, podemos fazer um rápido estudo sobre as Engenharias, uma vez que estas retornam ao ciclo avaliativo já em 2019, ou seja, a dor de cabeça já está na virada do ano e vem mais forte.

De maneira geral, as engenharias subiram suas médias padronizadas.

Mas quando olhamos para as provas de acordo com sua natureza, FG – Formação Geral e Conhecimento Específico, em Nota Bruta (percentual de acertos) percebemos o resultado bem diferente. Aqui vale a premissa de que se todos caem, é melhor para meu resultado, embora esse crescimento padronizado não reflita o crescimento de aprendizagem. Confira!

Escolhemos para “insights” mais aprofundados nas Engenharias o curso de Engenharia Civil, com seus 538 cursos avaliados e 52.781 alunos no ciclo avaliativo.

Vale o destaque para o índice negativo de 46% dos cursos de Engenharia Civil reprovados (Conceitos 1 e 2) totalizando 27.257 alunos (52% do total dos alunos) que não alcançaram o indicador mínimo satisfatório, ou seja, conceito 3.  Falamos de mais da metade dos alunos reprovados no Enade de Engenharia Civil.

Na outra ponta, temos apenas 28 cursos do total alcançaram o Conceito Enade 5, sendo destas, apenas uma IES privada. É muito preocupante o atual cenário da Engenharia Civil no Brasil.

Já quanto as médias em relação às notas brutas, temos de acordo com os conceitos.

Posto estes resultados, ficam algumas reflexões muito mais sérias que fazer contas dos insumos para “salvar” o CPC – Conceito Preliminar de Curso (segundo as IES, é o que vale para o IGC).

  • EaD – Temos uma expansão em check e que será confirmada (temo por este resultado) neste super ciclo de Enade 2018 com o maior volume de alunos de EaD que já fez o exame;
  • Temos profissionais de classes importantíssimas para nosso país como professores, engenheiros civis com índices alarmantes de mais de 50% de reprovação;
  • As engenharias estão de volta em 2019 e não adianta “engenhar” (vale o trocadilho) para fazer resultado, ENADE é APREDIZAGEM e ponto final! É preciso melhorar o processo de ensino e aprendizagem;

Concluindo, Enade é processo e não evento. Quer aprender como?  Fale conosco.

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Uma resposta para “Resultados alarmantes do Enade 2017 – e agora?”

  • Sérgio TR Costa says:

    O MEC constroe um prova desconectada com a realidade de cada região e de cada micro mercado consumidor de profissionais, com isso, altera todo o projeto pedagógico dos cursos, além de ser muito confusa, com textos complexos para se responder sobre pressão.
    O fato mais agravante é que os egressos que tiraram zero no Enade de 2014, de um curso de engenharia aqui de Maceió estão todos bem empregados e alguns concursados, a faculdade e que está sofrendo com um termo de ajuste de conduta descabido, digo isso porque na renovação de reconhecimento ela tirou nota 4. A faculdade desviou os seus esforços para o lado errado, devia está focado na melhoria da qualidade.
    Os alunos não tem nenhum comprometimento com o seu desempenho no Enade. Essa é a verdade.

     

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