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Janguiê Diniz
Diretor presidente da ABMES
Mestre e Doutor em Direito

Fundador e Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional
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Começo este artigo já dando resposta à pergunta do título: não somos preparados para inovar. Nossa educação, nossa formação pessoal e até psicológica, nada disso atualmente nos leva a ter um pensamento inovador. Somos “programados” para crescer, estudar, ter um emprego estável e cumprir um roteiro de vida considerado o “normal” para qualquer pessoa. E tudo isso vai na contramão da inovação, que caminha na direção do incerto, leva a pensar fora da caixa, sair da zona de conforto, quebrar padrões.

Acontece que a sociedade tem uma necessidade de estabilidade. Seguimos regras, muitas vezes sem nem saber porque fazemos aquilo. Desde pequenos nos perguntam o que queremos ser quando adultos, à espera de uma resposta que contemple uma carreira tradicional – como se uma criança tivesse conhecimento suficiente para decidir seu futuro de vida.

Na maioria das escolas, aprendemos conceitos disseminados há séculos, sem muita coisa nova. Muitas vezes, a didática dos docentes é a mesma de décadas atrás. Não somos preparados para o incerto, para os erros e falhas – quase que premissas de uma carreira inovadora. Pouco se muda. Mais tarde, na vida adulta, aderimos a postos de trabalho que exigem, apenas, repetição. Todos os dias, os mesmos procedimentos. E assim vamos vivendo quase que roboticamente.

Felizmente, já há um movimento – que, embora ainda insuficiente, já ganha espaço – de quebra desses padrões históricos. E é preciso que isso se intensifique. Nas escolas, o pensamento inovador deve ser estimulado desde a primeira infância, por meio de novas técnicas pedagógicas e didáticas que proporcionem aos pequenos pensar de maneira diferenciada.

A educação empreendedora, por exemplo, pode formar futuros homens e mulheres de negócios que criam, inventam, modificam. Eles já chegarão ao mercado de trabalho com outra visão, horizontes expandidos e um pensamento diferenciado, que contribuirá com as companhias onde trabalharem ou possibilitará o desenvolvimento de negócios disruptivos próprios.

Inovar também é um desafio das empresas. Poucas estimulam a criatividade dos colaboradores, principal agente de disrupção no ambiente corporativo. Com metas a bater e prazos a cumprir, além do medo de errar e de uma possível demissão, a maioria prefere cumprir seus objetivos básicos, sem se aventurar ou ao menos tentar pensar diferente. E é tão importante que se busque outras possibilidades.

No meio empresarial, a inovação é instrumento que confere diferencial competitivo, promove a melhoria do ambiente de trabalho, gera economia, entre outros benefícios. Estimular os trabalhadores a pensarem suas rotinas de forma diferente traz grandes benefícios, afinal, são eles que estão em contato com os processos do dia a dia e podem sugerir maneiras de otimizá-los. Além disso, ter profissionais inovadores na empresa permite a criação de novos produtos e serviços que atraiam a atenção da clientela. A disrupção empresarial deveria ser um pensamento comum a qualquer organização. Hoje, na verdade, ela já se tornou questão de sobrevivência.

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Uma resposta para “Por que inovar é difícil?”

  • marcio magera conceicao says:

    Sem dúvida você resume bem neste parágrafo o pensamento das empresas no Brasil. “Poucas estimulam a criatividade dos colaboradores, principal agente de disrupção no ambiente corporativo. Com metas a bater e prazos a cumprir, além do medo de errar e de uma possível demissão, a maioria prefere cumprir seus objetivos básicos, sem se aventurar ou ao menos tentar pensar diferente”. E, acrescentaria a cultura organizacional também como um empecilho a mudança. Parabéns pelo excelente artigo, gostei muito.

     

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