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Antonio OliveiraAntônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Apesar de toda a maravilha dos cinco sentidos externos, eles frequentemente nos enganam, como na ilusão de óptica e na auditiva, na disgeusia, distorção do paladar, como também no tato ou no olfato prejudicados. No mais, os sentidos não são puramente receptivos, perceptivos, mas seletivos. A partir daí construímos a nossa verdade filtrada por medos, dúvidas, incertezas, desejos, crenças, hábitos, preconceitos, rótulos, condicionamentos e circunstâncias.

Quem torce por um time de futebol defende mais um conceito, um hino, uma camisa, que a própria realidade que admite troca, compra e venda de jogadores. Interessa-nos o time, sua bandeira, suas cores, seus símbolos, independentemente de transações milionárias. As coisas são como são, as pessoas também. O erro de natureza cognitiva impede que a ficha caia e a gente caia na real.

A visão do jesuíta Anthony de Mello, em Quebre o Ídolo, bate com o pensamento do mineiro Cyro dos Anjos, em Abdias: “Vivemos num mundo imaginário, construído segundo os conceitos apriorísticos que formamos das pessoas e coisas que nos cercam. Neste sentido, a vida será efetivamente um sonho. Veremos as coisas não como são, mas conforme nosso espírito as concebe. Muitas vezes nos é dado, no curso dos dias, retificar alguns desses erros do conhecimento. Mas quantos outros, e às vezes substanciais, nos acompanharão até à morte?”

Achamos que conhecemos os outros quando, na realidade, não nos conhecemos direito nem a nós mesmos. Isso quando não empacamos feito uma animália. Daí o conselho de Sócrates, na Antiguidade: “Conhece-te a ti mesmo”. No budismo, pela realização da sabedoria se alcança o nirvana, estado de ausência total do sofrimento. Um libertar-se da inibição e do ódio que a gente veio a ter até mesmo de quem chegamos a amar. Com efeito, preconceito é uma construção da mente. Disse Einstein ser mais fácil desintegrar o átomo que “desconstruir” um preconceito.

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