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Gabriel Mario Rodrigues2

Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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O ditado popular já diz: “Duas cabeças pensam melhor que uma”. Muitas vezes, pelas nossas limitações de conhecimento, nossas ideias esbarram em barreiras que podem ser facilmente ultrapassadas quando trabalhamos em conjunto com outras pessoas. Além da inovação, a troca de conhecimentos pode levar ao aperfeiçoamento do conceito inicial. (Nex Coworking)

Na semana passada, publiquei no Blog da ABMES uma reflexão sobre “Competências e habilidades: a discussão do momento”. Embora nestes artigos eu faça muito mais o papel de curador do que de escritor, ficamos lisonjeados quando recebemos comentários que dão maior densidade ao nosso texto e que agregam valor ao artigo.

Pelo peso que essas colaborações representam, optei por compartilhá-las na íntegra. Em primeiro lugar, a do médico Valter Stoiani, que também é diretor do Projeto Âncora. Em síntese, ele pergunta como entra o professor neste processo abordado no artigo anterior.

Boa noite, Gabriel! Li seu texto sobre Competências/Habilidades. Achei interessante esta abordagem, sob o vértice C/H. Porém me pareceu que o foco se dirigiu mais ao aluno do que ao educador. Gostaria de ver ou ouvir sua opinião sobre algumas ideias que surgiram durante a leitura. Quando traz a metáfora do Nildo Lage sobre a semente e a terra, me ocorreu a noção de que o ATO EDUCATIVO ocorre na relação aluno x educador e que as habilidades e competências deveriam ser de ambos para que haja este Ato. Ou seja, que a semente (aluno) e educador (terra) devam ser hábeis e competentes para que a semente germine.

Assim como o mistério da germinação permanece de difícil acesso, o mistério do ato educativo também requer uma pesquisa delicada e especial. Entretanto contribuições das neurociências, da medicina e mais profundamente da psicanálise, tem jogado alguma luz sobre este fenômeno complexo que chamamos de educação.

Quando Luísa França se refere ao ato educativo como do aluno “saber conhecer”, entendo que, a nosso ver, ela se refere à sabedoria de conhecer, a beleza, a alegria e o prazer contidos no ato educativo. “Eu aprendo, porque isto me dá alegria, prazer, autoestima, dignidade, e não porque sou obrigado a prestar um vestibular ou avaliação”.

É, a nosso ver, o conhecimento desta experiência emocional de aprendizagem que pode fazer com que o aluno permaneça no aprendizado evitando a evasão e o abandono de seus projetos.

Habilitar tanto educadores e educandos a sentir, perceber e criar condições para que surja esta experiência emocional positiva, seria o grande desafio educacional nesta época de grande mal-estar na civilização. Difícil, mas não impossível, como disse Freud no século XIX.

Um grande estudioso da mente humana, o psicanalista Inglês Wilfred Bion, já nos tem dado algumas ideias do que poderíamos chamar de educação emocional e nos tornarmos conscientes do que seja uma experiência emocional.

Abraço

Recebemos também outra excelente colaboração de amigo, que considerou não haver necessidade de nominá-lo.

Meu Caro Amigo!

Teu artigo aborda dois dos três círculos concêntricos: conhecimento – competências – habilidades. Esses círculos se entrelaçam porque um depende de outro;

Quando foram instalados os primeiros cursos por módulos, cada módulo era organizado por conhecimentos – competências – habilidades;

Nos cursos de graduação, essa organização temática é um pouco mais complicada na arquitetura do currículo e esses círculos se prestam mesmo quando se destrói o currículo atual e se reinventa um outro baseado exatamente em cada disciplina – conhecimentos – competências – habilidades que elas podem conduzir. Claro que isso tem a ver com o perfil profissiográfico do curso e suas finalidades e objetivos terminais. (Veja a Portaria nº 1.432, republicada em 5 de abril de 2019)

Mas, o mais importante disso tudo, é que o mundo exige competência que pressupõe conhecimento e a competência deve gerar habilidade. Parece fácil, mas não é, porque tem gente com grandes habilidades manuais, inventivas e pouco conhecimento, mas tem competência para por em ação a habilidade.

Não é silogismo, mas esse deve ser o ciclo das coisas.

Na teoria e fácil, mas, na prática organizacional formativa, fica um pouco mais complexo. É isso que o mercado exige hoje: conhecimento – competência – habilidade, e não vou declinar cada um o que pressupõe, pois você conhece, apenas vamos exemplifica:

– conhecimento – é o ato ou efeito de conhecer, é ter ideia ou a noção de alguma coisa. É o saber, a instrução e a informação.

– competência – o termo vem latim competere que significa uma aptidão para cumprir alguma tarefa ou função. Também é uma palavra usada como sinônimo de cultura, conhecimento e jurisdição.

– habilidade – o conceito de habilidade está intimamente relacionado com a aptidão para cumprir uma tarefa específica com um determinado nível de destreza. Alguns sinônimos de habilidade podem ser: capacidade, talento, inteligência, engenho, destreza, agilidade.

Pela compreensão dos termos se justifica o que coloquei no início, é muito difícil ter competência sem conhecimento e a habilidade pressupõe, pelo menos um conhecimento de senso comum, que tem a ver também com a criatividade inventiva. Isso eu tenho um exemplo de meu empregado. Começou o curso superior, parou, mas tem uma capacidade de resolver problemas e inventar soluções que parece um doutor. Onde eu o enquadro: tem competência no que faz e habilidade no executar essa competência para resolver problemas. Tem talento, tem um dom. O resto e conhecimento para diletantismo.

Mas no mundo teórico quando se fala “De acordo com alguns autores”, a competência é a junção de talento e habilidade. Ou seja, é possível exercer uma determinada função apenas com talento ou com habilidade, mas os resultados serão sempre melhores quando as duas características estão presentes no indivíduo em questão. Uma pessoa competente é aquela que tem o talento (aptidão natural ou inata para uma certa atividade) e a habilidade (característica técnica que foi aprendida e melhorada através de uma abordagem teórica e prática).

(Clique na imagem para ampliar)

Nesse terreno, qual o papel da educação? A educação, no caso a superior, está organizada em cursos que em tese deveria oferecer conhecimento de uma certa área e de acordo com o perfil  permitir que tenha competência e exercite a habilidade.( exemplo: organizar e fazer reuniões) Mas para alguns cursos isso é mais factível como no caso da Odontologia, da Medicina, da Engenharia, mas nas ciências sociais aplicadas e mais complicado.

Mas teu artigo aborda um assunto da moda e que a sociedade quer profissionais “competentes”. O que isso significa? Que tenham conhecimentos, comportamentos especiais, capacidades especiais em termos de socialidade, facilidade de comunicação, facilidade de conversão, facilidade de aceitar a opinião dos outros, sabia por sua competência resolver problemas e ajudar a resolver o dos outros. Mas ele pode ficar aí e não ter alguma habilidade que é fundamental: saber conduzir uma reunião, saber ser compreensivo, saber como se comunicar com “tato”, uma palavra que pode significa “jeito”.

Muito bom, gostei e como sempre, oportuno, lamentavelmente poucos leem… e sempre os que mais precisam…(Saiba mais sobre o tema na apresentação “Conteúdos, Competências, Habilidades e Conhecimentos: um currículo nacional para a era global)

Com meus cumprimentos e respeito pelo conhecimento, pela competência e oportunidade de saber colocar na hora certa o tema.

Um amigo e admirador

Tendo em vista essas duas abordagens, algumas considerações são importantes. O Dr. Valter tocou em um ponto fundamental e que pouca gente fala sobre isto: qual o papel dos educadores e em particular do professor? Nenhuma flor nasce sozinha. Precisa de jardineiro todo dia depois da semente plantada. Sem cuidados não vira flor.

Além disso, no meu primeiro artigo não dei tanto valor ao conhecimento e meu amigo bem coloca em sua colaboração a importância ao esclarecer a dependência dos três círculos – Conhecimento, Competências e Habilidades – e sua implantação nos currículos universitários.

Deixo aqui o convite para que os demais leitores compartilhem conosco suas experiências. Meu papel neste blog é apenas de provocador, de promover o debate e estimular a reflexão. Contudo, nada mais enriquecedor do que os relatos concretos para sairmos do campo das ideias e comprovarmos que a mudança é possível.  

Quem se habilita a passar sua experiência e contribuir para conhecermos como os conceitos têm sido aplicados na prática?

Para enviar artigos a este canal, mande o texto para imprensa@abmes.org.br. E recebo também de braços abertos comentários, sugestões e, porque não, críticas construtivas sobre os temas abordados no endereço gmr2@gamaro.com.br.

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