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Aberto Costa
Senior Assessment Manager de Cambridge Assessment English, departamento da Universidade de Cambridge especializado em certificação internacional de língua inglesa e preparo de professores
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Apesar de ser um movimento muito inicial no Brasil, a internacionalização já não é mais uma novidade para países que têm o inglês como a língua mãe. Justamente pela facilidade de comunicação – já que utilizam um dos idiomas mais falados no mundo como oficial – e também por conta do alto investimento em educação (além da alta procura por alunos estrangeiros), países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Austrália, por exemplo, aderiram à tendência dos programas internacionais há bastante tempo e, como consequência, contam com mais experiência em acolher e integrar estudantes de todos os lugares do mundo, assim como no envio de alunos e professores para intercâmbios ou ainda na promoção da cooperação acadêmica. É muito comum que recebam pesquisadores de países de ponta para agregar na qualidade do ensino e no troca não apenas de conhecimento teórico, mas também de culturas.

A Coventry University, no Reino Unido, por exemplo, conseguiu unir o útil ao agradável em seu programa de internacionalização usando como fio condutor o mercado de trabalho e o interesse das empresas em alunos recém-formados. Os estudantes precisam de perspectivas para o futuro e as indústrias querem em sua equipe pessoas que pensem diferente e sejam capazes de desenvolver soluções criativas para seus problemas. A partir daí, a universidade conectou as extremidades e fez com que a parceria funcionasse em torno dos interesses em comum.

E participam da iniciativa companhias localizadas ao redor de todo o mundo, o que possibilita a troca de conhecimento e visão sobre as relações locais, regionais e internacionais, enriquecendo o intercâmbio de informação tão valioso para qualquer polo de pesquisa. Atualmente, os projetos da universidade incluem desenvolver serviços para o setor de saúde de Yorkshire, o segmento automotivo e de veículos utilitários em Coventry e Londres, aviação e manufatura na Indonésia e no Brasil e colaboração entre indústria e universidade na China e na Índia.

Além desses exemplos, países que não possuem a língua inglesa como a materna também se estruturaram para oferecer programas mais consolidados de internacionalização. Isso é um movimento tão visível que, atualmente, algumas das universidades mais internacionais do mundo segundo o ranking da Times Higher Education se encaixam nesse grupo. A University of Hong Kong está em primeiro lugar na lista e é um exemplo disso: ela recentemente embarcou em uma missão para se tornar uma universidade global na Ásia e a meta é fazer com que 50% de seus alunos tenham a oportunidade de estudar fora de Hong Kong durante o ano de 2019. Em segundo lugar no ranking aparece a ETH Zurich, a universidade possui mais de 19 mil estudantes de mais de 120 países e é considerada a melhor universidade da Europa continental.

Esse exercício de implementação de planos para o ensino internacionalizado já acontece também em universidades da Holanda e da Alemanha, que, em termos históricos, têm excelência quando o assunto é a oferta de cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado. Para garantir o pleno aprendizado de todos, sejam os alunos locais ou os estrangeiros, o inglês é o eleito como o meio de instrução e de comunicação, a exemplo do que faz praticamente todas as instituições que ingressam nesse modelo de atuação.

E, claro, por razões até que óbvias, aquelas mais tradicionais e desejadas, como a célebre Harvard University e a Chicago University, são referência em internacionalização do Ensino Superior. A segunda, por exemplo, tem o programa de MBA Chicago Booth, que conta com campus fora do país, estando presente não só na cidade de Chicago, como também em Hong Kong e Londres. Além disso, seu approach é totalmente voltado para a formação de executivos globais, sempre incluindo a internacionalização em seus programas de formação.

O ponto é que todas essas instituições que buscam a internacionalização, sejam as da América do Sul, que ainda estão começando a aderir ao movimento; as da Europa, que apesar de não ter o inglês como língua materna, possuem um grande aporte para apoio da educação, possibilitando que haja mais investimento na área; ou as de países como EUA, Canadá e Austrália, possuem dois pontos em comum que podem ser vistos por aquelas que desejam ingressar ao modelo precisam prestar atenção.

O primeiro deles, por mais que pareça corriqueiro, é que sim a questão do idioma que, por vezes, é uma grande barreira a ser vencida no Brasil. A inovação chega primeiro no inglês e é por isso que um programa paralelo de idiomas, que desenvolve a proficiência não apenas dos alunos, mas principalmente as habilidades pedagógicas dos professores, é uma etapa inicial bastante importante. Ele se torna o meio pelo qual as experiências e os conhecimentos são trocados. E não estamos falando que a comunicação do currículo tenha que ser assim, mas sim que todos precisam estar preparados para lidar com alunos, bibliografias, professores, pesquisadores e pesquisas que fogem da sua língua materna.

O segundo são as parcerias. Sozinho não se constrói internacionalização. O próprio nome já diz: o propósito é se conectar aos outros e se influenciar e embeber de uma troca rica de conhecimento.

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