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08/10/2009 – Outubro é comemorado o mês do empreendedorismo. Confira um artigo que fala sobre esses profissionais.

Estudos sobre a atividade empresarial na década de 40, na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, estabeleceram o conceito de “motivação para a realização” e a identificação de um elemento psicológico crítico no empreendedor, direcionado para o “impulso de melhorar”. Gradativamente, o perfil empreendedor passou a acumular outros elementos com a sensibilidade de praticar o exercício de saber ouvir, o desejo de inovar e a capacidade de identificar oportunidades através da paixão pelo trabalho realizado. Ao contrário de sempre reclamar de algum problema, da ausência de oportunidades e de constantes desculpas, o empreendedor busca superar desafios e procura aproveitar cada oportunidade como um momento único para surpreender. Você conhece alguém com estas características?

Observe que diante destas atitudes de ouvir, treinar, inovar e ser uma pessoa apaixonada pelo que realiza, o empreendedor passou por inúmeras transformações e neste período contemporâneo pode ser presença nos diversos setores da economia e, nos mais diversificados ambientes do mercado de trabalho. Com brilho nos olhos, o empreendedor é capaz de relatar seu processo de mudança e desejo contínuo de encantar através da ruptura do comodismo, alternativas para inovar e superar expectativas. Observe que ao procurar um empreendedor, os dois fatores a seguir são presença nos traços de comportamentos e personalidade.
Empreendedor não limita seus conhecimentos
O que levou as panificadoras a funcionarem por 24 horas? O que levou postos de combustíveis a oferecerem serviços de conveniências? O que levou uma empresa a criar pizzas refrigeradas para serem aquecidas no aparelho de microondas? O que será que levou uma empresa de chocolate a colocar um brinquedo dentro do doce e em formato de um ovo? Sem dúvida foi o empreendedorismo presente em mulheres e homens, que não limitaram seus conhecimentos, mas somaram suas idéias com estudos realizados pelas mais diversas ciências para comprovar que o empreendedor precisa conhecer ao máximo o negócio onde está inserido.

Após o Brasil conquistar a estabilidade monetária, o empreendedor desenvolveu maiores possibilidades de acertos, compromissos, planos e metas. Foi através da estabilização da moeda que o mercado para as inovações passou a ser favorável ao empreendedor, que intensificou mudanças em alavancar novos negócios e gerir idéias para a otimização das margens de lucro. Neste sentido, o empreendedor passa a ser uma pessoa inquieta com seus próprios conhecimentos e não limita o esforço de aprender continuamente. Você conhece pessoas que com frequência respondem “não sei”? Pois, para uma pessoa empreendedora esta resposta dificilmente será proferida, pois ao perceber que desconhece algo sobre o seu próprio negócio realiza alguma pesquisa sobre o assunto. Note que uma pessoa empreendedora que é apaixonada pelo que faz, além de trabalhar mais horas, participa de constantes treinamentos, mas busca aprimorar seu próprio desenvolvimento pessoal.

Empreendedor procura encontrar felicidade

Conversei com uma pessoa que trabalha em uma empresa há dez anos. Depois de ouvir o relato de suas experiências, esta pessoa não parava de reclamar da empresa, das ações do seu líder, do clima organizacional e de maneira negativa não demonstrava satisfação com o seu trabalho. Depois de ouvir toda sua experiência, realizei duas perguntas: Você tem felicidade no trabalho que realiza? Você realmente é feliz? Quero que você leitor observe que para algumas pessoas a felicidade não existe!

Em outra perspectiva, há pessoas que acreditam que a felicidade é resultado de uma construção e conquistada a cada novo dia. Interessante observar que para este segundo perfil de pessoa, a felicidade compreende não um estado constante, mas uma busca permanente. Mas o que é felicidade? É um estado afetivo ou emocional de sentir-se bem ou ainda, de sentir prazer pelo que está desenvolvendo. Procure demonstrar felicidade através de pequenos gestos no seu cotidiano, como um sorriso, por exemplo, um saudoso bom dia, um convite para almoço a uma pessoa que há muito tempo você não conversa, ou mesmo, praticar o exercício de reconhecer o esforço de um colega de trabalho. Que tal colocar em prática alguns destes desafios? Que tal terminar a leitura deste texto e buscar encontrar a felicidade em algo que está a sua volta? Ao procurar uma pessoa empreendedora, você deve lembrar que a característica de ser apaixonada pelo que faz estará em evidência, principalmente pelo aspecto de demons trar felicidade do trabalho que desenvolve, no brilho dos olhos ao contar sobre o que faz e a relação emocional de fazer bem feito.

Embora algumas pessoas acreditem que o termo empreendedorismo é algo recente à literatura e ao atual cenário empresarial, passa a ser relevante enfatizar que os primórdios estudos e pesquisas foram realizados em 1950, por um importante estudioso da área da economia, Joseph Alois Schumpeter (1883/1950). O interessante é notar que desde os inícios dos estudos do empreendedorismo, sempre esteve constituído algumas fases que começam pela geração de idéias ou pela busca de oportunidades, seguidas do desenvolvimento de um plano de negócios ou de um planejamento estratégico, da busca de recursos financeiros e a ação de monitorar os resultados. Ao procurar um empreendedor lembre-se de constatar a seguinte equação: uma pessoa empreendedora é aquela que sabe realizar a junção da responsabilidade com o comprometimento, multiplicando o resultado desta soma com o talento pessoal e conquistando como resultado final, êxito na ação de empreender.

Por Dalmir Sant’Anna (palestrante comportamental, mestrando em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão de Pessoas, bacharel em Comunicação Social e mágico profissional. Autor do livro “Menos pode ser Mais” (3ª edição). Website: www.dalmir.com.br)
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O jovem terá de mudar de atitude para trabalhar e as empresas terão de mudar seu ambiente para atrair talentos.

NO ANO passado, 730 mil universitários e recém-formados se candidataram a 2.334 vagas de estágios e trainees de algumas das mais cobiçadas empresas, entre as quais Microsoft, Sadia, Nestlé, Itaú-Unibanco, Braskem, Unilever. Apesar da abundante oferta de mão de obra -cerca de 3.100 candidatos por vaga- vinda das melhores faculdades do país, 10% dos postos não foram preenchidos. Responsável pela seleção, a psicóloga Sofia Esteves, presidente da Cia. de Talentos, já sabe há muito tempo que a maioria dos jovens não passa na peneira por causa da baixa formação (não ter fluência em inglês, por exemplo) e até dificuldade de expressar com clareza uma idéia. Isso é, porém, parte do problema.

Uma pesquisa que ela conduziu, concluída no mês passado, com 31 mil universitários, mostra que o assunto é mais complexo e revela um conflito geracional -as empresas não estão entendendo os jovens, formados na chamada era da informação. E os jovens não entendem o que as empresas pedem. “Há um modo diferente de encarar o mundo”, afirma a psicóloga.

A pesquisa mostrou que quase a totalidade dos universitários que disputaram as vagas de trainee e de estágio estão habituados a navegar em mais de uma rede social pela internet, como Orkut e Facebook. É uma geração que aprendeu a não reverenciar hierarquias, criada num ambiente interativo e colaborativo, com uma enorme variedade de opções. O que existe de habilidade para tarefas simultâneas e velozes, falta em foco e aprofundamento. É uma atitude reforçada pelo clima familiar, com a mudança da relação de autoridade de pais e filhos. Imagina-se que a empresa possa refletir esse tipo de ambiente com baixa hierarquia e até, quem sabe, falta de limites. A pesquisa indicou que entre as cincos razões para se deixar uma empresa, o salário está em quarto lugar. “A maior motivação não é o dinheiro”, afirma Sofia.

Em primeiro lugar, aparece a “falta de desenvolvimento profissional” como a maior razão para não ficar no emprego. Em segundo, praticamente empatado, “não ter ambiente de trabalho agradável” e, em terceiro, “não ter qualidade de vida”. Detalhando-se as respostas, vemos que muitos imaginam a empresa como um espaço de lazer que proporciona bem-estar. Seria quase um clube, movido a criatividade.

Na seleção, essa visão dos candidatos transparece. Para o jovem, o que significa prazer é, na visão do empregador, incapacidade de lidar com a disciplina. Quando um fala em ambiente criativo, outro suspeita de falta de disposição em obedecer à hierarquia. Em suma, essa geração quer ficar num lugar prazeroso, criativo, onde possa se sentir evoluindo. Daí se explica a crescente tendência entre os jovens de preferir abrir suas próprias empresas, onde talvez até ganhem menos e vivam com mais insegurança, mas consigam determinar seu horário de trabalho. Tantos candidatos não preenchem tão poucas vagas porque há também uma carência de comprometimento. Uma parte deles é cortada simplesmente porque não vai às entrevistas. Isso depois de passarem nas duras provas, que exigem, entre outros requisitos, além de fluência em língua estrangeira, testes de raciocínio lógico. Lembremos que, nesse caso, eles estão disputando postos em algumas das mais reverenciadas marcas do mundo empresarial. Sofia diz que, certa vez, marcou 18 entrevistas para um sábado. Apenas dois se apresentaram. “Liguei para eles.

Muitos não foram porque não conseguiram acordar cedo no final de semana ou tinham marcado, naquela hora, outros compromissos.”

O problema prossegue depois que eles passam nessa apertadíssima seleção. Cerca de 15% dos aprovados não suportaram a pressão e desistiram logo no primeiro ano de trabalho -o que, para empresa, é dinheiro jogado fora. O que se vê aqui é o problema da falta de resiliência, a dificuldade de suportar as adversidades. Ou, mais simples, a dificuldade de ouvir não. “Alguns saem porque seu projeto não é aprovado e ficaram aborrecidos”, conta Sofia.

PS – A pesquisa revela que o jovem entra na empresa já vendo a porta de saída; 14% acham que deveriam ficar no máximo quatro anos; outros 51% até, no máximo, dez anos. O resumo, na visão de Sofia, é que o jovem terá de mudar de atitude para trabalhar e as empresas terão de mudar seu ambiente de trabalho para atrair talentos. Nem um lugar fechado que iniba a criatividade -nem tão aberto que parece a casa dos pais, onde não existe frustração. Nessa combinação, talvez esteja o futuro do emprego.

Folha de São Paulo, 27/09/2009
SOFIA ESTEVES, entrevistada pelo jornalista Gilberto Dimenstein.

 
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Carmem Maia*

É difícil assumir que estamos ficando míopes, cegos, ou pior ainda, que estamos com a vista cansada, que estamos ficando velhos e precisamos de óculos. Vamos adiando a ida ao médico e quando vê já não enxerga mais nada. Mal consegue ler um cardápio de restaurante. Todo mundo já ouviu falar na miopia do Marketing. Aquele velho caso de você só enxergar uma parte pequena do negócio e não “realizar” que existem outras. Como no clássico caso das estradas de ferro americanas no começo do século que, os gestores, preocupados apenas com as ferrovias, não se deram conta dos outros negócios aliados ao principal negócio: o transporte. O ensino superior privado brasileiro está indo pelo mesmo caminho e, muito em breve, deve virar um case de miopia em marketing nos livros especializados. As IES privadas, nascidas nos anos 70, e que, até pouquíssimo tempo atrás estavam deitadas em berço esplendido e não tinham que se preocupar com nada além da sua expansão, estão agora tendo de se virar e revirar para encontrar alunos e preencher suas salas de aula. A grande, e única, estratégia utilizada é a contratação de uma grande, e cara, agência, para fazer a comunicação e contratar alguma atriz famosa para dizer que esta é “a melhor opção”. Hoje em dia, só uma carinha bonita não vende escola. É preciso ir além, é preciso enxergar novos mercados, ver o que anda acontecendo em nossa volta, do nosso lado, ou até, simplesmente, em nossa própria casa. O “boom” do ensino superior se baseou no modelo do curso de graduação, de 4 anos de duração para alunos recém saídos do ensino médio. Naquela época eram poucas as instituições e a concorrência era ainda civilizada. Com o aumento da oferta, cresceu também o número de cursos, e também a variedade, mas sempre com o mesmo modelo. Ou seja, muda-se apenas o nome do curso. Muitos foram pioneiros na criação de novos cursos como gastronomia, moda, hotelaria e até design e multimídia, mas de que adianta ter um nome moderno e revolucionário se a estrutura continua a mesma? Se o modelo continua o mesmo? Aulas diárias, no mesmo período que todas as outras, com até pouquíssima variação de professores, já que o mesmo que dá aula nessa, dá também naquela. Pouco se inovou. Mais recentemente foram criados os cursos de curta duração, para quem tem “pressa”em entrar no mercado de trabalho. Pressa ou necessidade? E qual a grande novidade dos cursos? Menos 2 anos, mas com a mesma metodologia e mesmos professores e avaliação. E a educação a distância? Pude acompanhar de perto o nascimento da “ead.br”, com o uso das novas mídias interativas para o oferecimento de cursos a distância. Passados quase 10 anos do lançamento do meu primeiro livro, o que realmente faz sucesso é o uso do satélite como plataforma principal para a chamada ead. Satélite usa o mesmo modelo e metodologia dos cursos presenciais. Professor sentado dando aula para alunos fisicamente distantes. Cadê a inovação??? Ok, vocês podem dizer: Não se mexe em time que está ganhando. Pra que mudar o modelo se é isso que alunos e donos de escola ainda querem e conhecem? Ora, mas quem disse que ainda se está ganhando com esse modelo ou que ainda vai ser possível ganhar no futuro próximo??? Está mais do que na hora de olhar para o lado. Enxergar o que está acontecendo na esquina, se perguntar por que tem tanto aluno na Casa do Saber em São Paulo ou na filial carioca. Porque estão aparecendo tantas escolas livres de cinema, de literatura, de artes?? Não é mais apenas a tradicional Escola Panamericana de Arte, são várias que estão surgindo e conquistando um público que quer continuar se atualizando, mas que se recusa a passar perto da universidade tradicional. Hoje são muitos os cursos e escolas informais que estão cada vez mais presentes no dia a dia e cada vez mais cheios. Cursos curtos, horários alternativos, público diversificado. Cursos vespertinos na casa do Saber dos Jardins em São Paulo. Mais de 40 pessoas na sala para um curso de altíssimo nível, didático, inteligente, na medida certa. E caro!!! Professores do mercado estão sendo atraídos para esse tipo de ensino, mais livre, mais face to face, mais interativo. E as novas tecnologias ajudando e apoiando todo tipo de iniciativa. A maioria faz seu próprio blog, posta suas próprias aulas e faz a interatividade correr solta, sem nenhum blackboard de apoio. E o público da meia idade? Não apenas mulheres, como homens que querem mudar um pouco de área, querem arriscar um pouco mais na metade de suas vidas, o que os cursos superiores tradicionais oferecem para esse tipo de público?? Outra graduação??? Com alunos de 25 anos para fazer trabalho em grupo ou horários noturnos de aula???? Isso sem falar na chamada terceira idade que é outro nicho pouquíssimo explorado pelas IES, principalmente as particulares. Será que não está na hora de ir ao oftalmo??? Comprar um óculos ou quem sabe, olhar com mais atenção para o que acontece em nossa volta? Os tempos mudaram, as pessoas procuram mais qualidade de vida e continuam querendo se atualizar. Principalmente, quem já está estabilizado profissionalmente e quer expandir horizontes, ou simplesmente, relaxar. Alunos que procuram cursos livres ainda querem realizar seus sonhos. Aqueles que ficaram esquecidos há 25 anos, quando entraram na universidade e começaram a trabalhar. Quando é que as IES particulares e seus marketeiros de plantão vão entender o verdadeiro sentido da aprendizagem? Ilimitada, livre, ampla e irrestrita. Aberta a todos que querem, e precisam, aprender.

*Carmem Maia é jornalista, doutora em comunicação e semiótica e pós-doutora em Educação pela Universidade de Londres.

 
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