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Carmem Maia*

É difícil assumir que estamos ficando míopes, cegos, ou pior ainda, que estamos com a vista cansada, que estamos ficando velhos e precisamos de óculos. Vamos adiando a ida ao médico e quando vê já não enxerga mais nada. Mal consegue ler um cardápio de restaurante. Todo mundo já ouviu falar na miopia do Marketing. Aquele velho caso de você só enxergar uma parte pequena do negócio e não “realizar” que existem outras. Como no clássico caso das estradas de ferro americanas no começo do século que, os gestores, preocupados apenas com as ferrovias, não se deram conta dos outros negócios aliados ao principal negócio: o transporte. O ensino superior privado brasileiro está indo pelo mesmo caminho e, muito em breve, deve virar um case de miopia em marketing nos livros especializados. As IES privadas, nascidas nos anos 70, e que, até pouquíssimo tempo atrás estavam deitadas em berço esplendido e não tinham que se preocupar com nada além da sua expansão, estão agora tendo de se virar e revirar para encontrar alunos e preencher suas salas de aula. A grande, e única, estratégia utilizada é a contratação de uma grande, e cara, agência, para fazer a comunicação e contratar alguma atriz famosa para dizer que esta é “a melhor opção”. Hoje em dia, só uma carinha bonita não vende escola. É preciso ir além, é preciso enxergar novos mercados, ver o que anda acontecendo em nossa volta, do nosso lado, ou até, simplesmente, em nossa própria casa. O “boom” do ensino superior se baseou no modelo do curso de graduação, de 4 anos de duração para alunos recém saídos do ensino médio. Naquela época eram poucas as instituições e a concorrência era ainda civilizada. Com o aumento da oferta, cresceu também o número de cursos, e também a variedade, mas sempre com o mesmo modelo. Ou seja, muda-se apenas o nome do curso. Muitos foram pioneiros na criação de novos cursos como gastronomia, moda, hotelaria e até design e multimídia, mas de que adianta ter um nome moderno e revolucionário se a estrutura continua a mesma? Se o modelo continua o mesmo? Aulas diárias, no mesmo período que todas as outras, com até pouquíssima variação de professores, já que o mesmo que dá aula nessa, dá também naquela. Pouco se inovou. Mais recentemente foram criados os cursos de curta duração, para quem tem “pressa”em entrar no mercado de trabalho. Pressa ou necessidade? E qual a grande novidade dos cursos? Menos 2 anos, mas com a mesma metodologia e mesmos professores e avaliação. E a educação a distância? Pude acompanhar de perto o nascimento da “ead.br”, com o uso das novas mídias interativas para o oferecimento de cursos a distância. Passados quase 10 anos do lançamento do meu primeiro livro, o que realmente faz sucesso é o uso do satélite como plataforma principal para a chamada ead. Satélite usa o mesmo modelo e metodologia dos cursos presenciais. Professor sentado dando aula para alunos fisicamente distantes. Cadê a inovação??? Ok, vocês podem dizer: Não se mexe em time que está ganhando. Pra que mudar o modelo se é isso que alunos e donos de escola ainda querem e conhecem? Ora, mas quem disse que ainda se está ganhando com esse modelo ou que ainda vai ser possível ganhar no futuro próximo??? Está mais do que na hora de olhar para o lado. Enxergar o que está acontecendo na esquina, se perguntar por que tem tanto aluno na Casa do Saber em São Paulo ou na filial carioca. Porque estão aparecendo tantas escolas livres de cinema, de literatura, de artes?? Não é mais apenas a tradicional Escola Panamericana de Arte, são várias que estão surgindo e conquistando um público que quer continuar se atualizando, mas que se recusa a passar perto da universidade tradicional. Hoje são muitos os cursos e escolas informais que estão cada vez mais presentes no dia a dia e cada vez mais cheios. Cursos curtos, horários alternativos, público diversificado. Cursos vespertinos na casa do Saber dos Jardins em São Paulo. Mais de 40 pessoas na sala para um curso de altíssimo nível, didático, inteligente, na medida certa. E caro!!! Professores do mercado estão sendo atraídos para esse tipo de ensino, mais livre, mais face to face, mais interativo. E as novas tecnologias ajudando e apoiando todo tipo de iniciativa. A maioria faz seu próprio blog, posta suas próprias aulas e faz a interatividade correr solta, sem nenhum blackboard de apoio. E o público da meia idade? Não apenas mulheres, como homens que querem mudar um pouco de área, querem arriscar um pouco mais na metade de suas vidas, o que os cursos superiores tradicionais oferecem para esse tipo de público?? Outra graduação??? Com alunos de 25 anos para fazer trabalho em grupo ou horários noturnos de aula???? Isso sem falar na chamada terceira idade que é outro nicho pouquíssimo explorado pelas IES, principalmente as particulares. Será que não está na hora de ir ao oftalmo??? Comprar um óculos ou quem sabe, olhar com mais atenção para o que acontece em nossa volta? Os tempos mudaram, as pessoas procuram mais qualidade de vida e continuam querendo se atualizar. Principalmente, quem já está estabilizado profissionalmente e quer expandir horizontes, ou simplesmente, relaxar. Alunos que procuram cursos livres ainda querem realizar seus sonhos. Aqueles que ficaram esquecidos há 25 anos, quando entraram na universidade e começaram a trabalhar. Quando é que as IES particulares e seus marketeiros de plantão vão entender o verdadeiro sentido da aprendizagem? Ilimitada, livre, ampla e irrestrita. Aberta a todos que querem, e precisam, aprender.

*Carmem Maia é jornalista, doutora em comunicação e semiótica e pós-doutora em Educação pela Universidade de Londres.

 
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Solon Hormidas Caldas
Diretor executivo da ABMES
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O contexto atual das organizações apresenta-se carregado de incertezas e novos desafios com uma infinidade de variáveis, mudanças e transformações capazes de provocar profundos impactos nas formas de gestão.

Com a transição para a sociedade do conhecimento, torna-se necessário criar propostas inovadoras para obter um diferencial competitivo sustentável, sobretudo no que se refere à gestão nas Instituições de Ensino Superior (IES).

As competências internas que diferenciam a gestão das IES em um ambiente competitivo e globalizado e que as diferenciam das demais começam por uma mudança no paradigma da gestão.

O novo paradigma com sustentação na tecnologia da informação obriga as IES a mudar sua postura diante do seu público alvo, tendo em vista que o acesso às informações aumentou substancialmente a percepção das pessoas em relação a um produto ou serviço permitindo-lhes questionar os modelos impostos ou mesmo contraporem-se ao status quo.

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Sobre a inadequação do uso de rankings educacionais para fins regulatórios no ensino superior

Maurício Garcia*, Set.2009

É errado afirmar que instituições de ensino superior (IES) que tiraram 4 ou 5 no IGC (Índice Geral de Cursos) são boas, o correto é afirmar que elas são melhores. Da mesma forma, é errado afirmar que instituições que tiraram 1 ou 2 são ruins, elas são piores. O IGC é um indicador que compara as instituições entre si, distribuindo os resultados em uma curva de Gauss, conforme ilustra a Figura 1.

Grafico1

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