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José Roberto do Nascimento
O Globo (Opinião), em 4 de agosto de 2010
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Os números do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) chamaram a atenção de todo o país para as falhas desse segmento, mas os problemas da educação não param por aí. Em uma onda de mercantilização do ensino cada vez mais crescente, a universidade começa a perder seu papel como produtora de conhecimento, para se tornar apenas uma fábrica de diplomas, o que é muito perigoso. Os problemas da educação em nosso país não se limitam apenas ao ensino fundamental e médio. Nossas instituições de ensino superior também precisam ser revistas e, para fazermos essa revisão, temos que saber que Universidade nós queremos.

Quando nos propusermos a debater o problema da Universidade, temos que levar em consideração não só seu aspecto como instituição inserida nos quadros do sistema capitalista, mas também como esta universidade se insere no processo de produção, acumulação e reprodução do capital. Temos que ter a ciência de que o processo de ensino, do conhecimento não se restringe à universidade e nem se encerra nela – ao contrário da ideia, que ganha cada vez mais força, graças a uma visão mercantilizada da educação, de que a Universidade pode ser o estágio final da produção acadêmica.

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Wanda Engel
Doutora em educação e superintendente do Instituto Unibanco
Correio Braziliense, em 03 de agosto de 2010
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Foram divulgados os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2009: vitória incontestável das escolas privadas? Mais ou menos. O primeiro fato a considerar é que esse não é um instrumento formulado para avaliar escolas. Ele foi concebido para avaliar alunos ao final do ensino básico e suas possibilidades acadêmicas para o prosseguimento dos estudos. Daí ser um dos instrumentos utilizados na seleção de alunos para o ensino superior. Participam do Enem, de forma voluntária, os alunos que têm alguma pretensão de ingresso na universidade. Assim, nem todas as escolas nem todos os alunos de uma dada escola fazem a prova.

Outra característica importante do Enem é que, somente a partir deste ano, quando passou a ser elaborado com base na Teoria de Resposta ao Item, poderá, a exemplo do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), servir de base para comparações anuais dos resultados. O problema do Saeb é que sua aplicação é amostral. Em resumo, se queremos efetivamente avaliar as escolas, com base no desempenho dos alunos que concluem o ensino médio, seria essencial a criação de um teste padronizado que fosse censitário e obrigatório.

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Gustavo Ioschpe

Gustavo Ioschpe

Gustavo Ioschpe

VEJA – 02/08/2010
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Desde a estabilização macroeconômica, a educação passou a ser o maior entrave ao desenvolvimento brasileiro. Mas, ao contrário da hiperinflação, o cerne do problema educacional brasileiro não é conceitualmente complicado. Ainda não conseguimos alfabetizar plenamente nossas crianças, por exemplo. Algo que já foi feito por outros países há mais de 100 anos. A não ser que você seja do time que acredita que a fonte de nossos problemas é a “falta de dom” de nossas crianças, fica claro que nossa dificuldade não é técnica, mas política.

Não é aquela visão ingênua de que não há vontade política”. ou, pior ainda. a leitura conspiratória de que “as elites” não querem educar o povo. Ocorre que cada candidato ou governante, ao tratar do tema educacional, se defronta com a seguinte opção: se ele comprar a briga e quiser mexer a fundo nas práticas educacionais que nos levam ao atraso. vai suscitar uma violenta oposição dos trabalhadores da educação e seus sindicatos, com greves. protestos e ovadas. Ainda que a ousadia talvez lhe renda alguns editoriais elogiosos em jornais, a massa do eleitorado (que nem lê jamais) não o apoiará. Porque essa população está, segundo apontam todas as pesquisas, satisfeita com a qualidade da educação de seu filho, e culpa o próprio filho pelo insucesso que é do sistema. Abraçar a causa educacional é um suicídio político: não rende votos e causa uma oposição ferrenha. Faz sentido, nesse cenário, que a maioria dos governantes prefira se ocupar de questões menos espinhosas e de resultados mais imediatos.

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