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Prof. Roney Signorini
Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

A exemplo do que ocorreu com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a medida mais coerente, para o momento, será o cancelamento do Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade) pelo Ministério da Educação (MEC).

Enquanto o primeiro teve o conteúdo da prova invadido, fato que prejudicou mais de quatro milhões de candidatos – todos interessados numa vaga ao ensino superior nas escolas públicas e privadas –, o grande mal, agora, acomete a saúde dessas escolas, únicas vítimas no momento. E não é pouco o que está em jogo via equação complexa dos resultados, que pode asfixiá-las se não lograrem os conceitos 3, 4 ou 5, já que o Enade tem parcela importantíssima nos índices de avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC).

Integrantes do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular encaminharam na quinta-feira, 22, um requerimento ao presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, solicitando o imediato cancelamento das provas do Enade, marcadas para 8 de novembro. Segundo eles, o ocorrido “coloca sob suspeita o sigilo da prova e representa um risco para os alunos das instituições de ensino, considerando que serão avaliadas com base nesse processo potencialmente viciado”.

O MEC recusa-se a cancelar dito exame, sob a alegação de que o Ministério Público de Petrópolis (RJ) diz não ter havido vazamento do conteúdo das provas. Há uma questão que traz preocupações, porque a mídia toda mostrava o que de fato ocorrera: as provas não estavam lacradas e ninguém sabia o que acontecera com os demais envelopes. Seria prudente que o Ministério Público Federal tomasse alguma atitude em relação ao controle e transparência do exame, pois qualquer critério que ofenda a integridade do exame é inquietante.

Ainda não ficou esclarecido para onde iam aqueles envelopes, qual o destino ou destinos das caixas. Quem as recebesse (deslacradas) teria acesso aos conteúdos, tornando-os, portanto, vulneráveis a terceiros (!! ??).

E as demais caixas que certamente também se encontravam em trânsito e que não tiveram a mesma “sorte” das encontradas, seguiam em iguais condições? Se afirmativo, o vírus está em todo o território nacional e ninguém contraria essa afirmativa com total isenção.

Raro, rarissimamente, já se ouviu falar em cancelamento de vestibulares em IES particulares, decorrente de vazamentos, tal o zelo para evitar incidentes dessa natureza. O cuidado é tanto que uma comissão designada para confecção e aplicação das provas chega ao ponto de fechar por 24 horas a gráfica que imprime o material, incinerando-se a chamada “língua” e o “rabo” do que a rotativa expele. Só quando os registros da impressora estão afinados é que se processa em definitivo, com imediato ensacamento em envelopes plásticos, rotulados e lacrados a quente. Tudo é acompanhado pela comissão com olhos muito abertos.

Da gráfica segue por caminhão para empresa de transporte de valores, merecendo a distribuição por apurada logística até os prédios onde ocorrerão os seletivos, entregues somente no dia e hora antes, diretamente ao Coordenador do local. Este, por sua vez, reúne todos os fiscais e auxiliares de salas abrindo sob seus olhos as caixas lacradas com papel gomado timbrado, com os sacos plásticos que contêm os cadernos de questões. Tudo absolutamente seguro.

No mínimo causa espanto, para não dizer inconformismo e revolta, o transporte daquelas caixas sem lacre. É também inacreditável e inaceitável quando está em jogo a saúde das instituições que poderão fenecer ao crivo dos indicadores, que alimentarão os vários índices criados pelo Inep.

Se não houve consumação do delito na ponta, supõe-se que ao menos houve tentativa, que também é passível de punição pelo Código Penal. Com o flagrante da polícia, há indícios, há suspeitas de tentativa. É o que basta porque, antes da avaliação do alunado, está a avaliação dos cursos, estes sentados no banco dos réus. Assim, in dubio pro reo, e com tal princípio jurídico o MEC tem de agir. Pelo cancelamento, antes que seja tarde!

 
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Por Bianca Estrella – Assessora de Comunicação da ABMES

A Frente Parlamentar em Defesa do Ensino Superior Brasileiro reuniu-se com a Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior –  CONAES. O encontro nada mais foi que uma tentativa de interlocução entre os parlamentares que apóiam as reivindicações dos mantenedores do ensino particular e a comissão responsável pela coordenação e supervisão do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES.

A tentativa, em si, não é nenhuma novidade. Uma vez que os mantenedores – que correspondem ao ensino de 75% dos universitários brasileiros – não têm sequer um representante junto a essa comissão. Ou seja, a contradição já começa pelo início. Não há paridade ( para exigir o mínimo ) de representações entre o segmento público e privado. Há anos os mantenedores do ensino particular vêm lutando para serem ouvidos.

A lista de reivindicações do setor é demasiada extensa. Mas, as conseqüências causadas por esses equívocos de avaliação, certamente são bem maiores. Fazendo uma breve análise de apenas um dos pontos de reivindicações já temos assunto suficiente para engrossar estas linhas. Analisemos, portanto, o Índice Geral de Cursos o temido e muito popular IGC.

O Índice é a média ponderada do Conceito Preliminar de Curso – CPC + Média ponderada dos conceitos da CAPES para programas de mestrado + Média ponderada dos conceitos da CAPES para programas de doutorado.

Ao calcular a média ponderada do CPC de cada curso, o IGC utiliza a avaliação dos cursos que tenham sido submetidos ao ENADE. Se um dos cursos da instituição fica sem conceito por motivos como: boicote de alunos ou a inexistência de turma concluinte, pronto, já fica praticamente sem nota porque o ENADE representa 70% da composição do CPC.

Seguindo em frente, na criação do conceito de IGC, vemos que são levadas em consideração as notas da CAPES para programas de mestrado e doutorado. Ponto que cria claramente um viés favorável para instituições públicas, que detêm a maioria desses programas no país, decorrentes de enormes verbas alocadas para isso. Portanto, sem isonomia.

Pela fórmula do IGC, nos programas de mestrado ou doutorado com nota 4 um aluno é equivalente a dois alunos de graduação. Nos programas com nota 5 um aluno é equivalente a três alunos de graduação. A pergunta que fica é: com base em quais critérios define-se essa relação de alunos de graduação e programas de mestrado e doutorado? Por que um aluno de mestrado ou doutorado pode equivaler a até três alunos de graduação?

Conseqüência grave é que as faculdades também acabam sendo avaliadas segundo estes “meios conceitos”. Como pode uma faculdade, que não é obrigada a manter programas de mestrado ou doutorado, ser avaliada por esse critério? A finalidade principal das faculdades é o ensino de graduação e, por isso, inclusive, são as principais responsáveis pela interiorização da educação superior no Brasil.

Feitas as médias ponderadas, considerando as notas para programas de pós-graduação e colocando tudo nos fornos do MEC, surge o IGC. Um conceito que, providencialmente, é liberado sempre em primeira mão para a imprensa e depois para as instituições (as maiores interessadas no assunto).

Os números surgem e as instituições sequer têm tempo para dar explicações ou pedir reavaliações. Antes disso a mídia já expusera os números e já colocara a qualidade da IES à prova, do que a população entende por avaliação, sem saber como intrincadamente o MEC concluiu por isso.

A opinião pública assiste a tudo isso extasiada e indignada junto aos cursos, com os resultados tão ruins. E não é para menos e nem pode ser diferente ! Ficar sabendo que o curso que você paga mensalmente foi avaliado com  o conceito 1 ou 2, pelo MEC, não é nada conveniente, ou melhor, é desastroso. Mas, talvez, saber o que se passa por trás de tudo isso, laborado com equações matemáticas e fundos estatísticos sem lógica, porque faltam os “deltas”, seja ainda mais preocupante ao tomador de serviços educacionais que, enganado pelos índices oficiais, não tenha elementos e argumentos para a  contradita.

 
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Paulo Vadas

Meu desafio agora é divulgar a necessidade da flexibilização educacional como passo imprescindível para garantir o acesso universal ao sistema formal. Um dos meus compromissos com a Los Angeles University School of Management, em parceria com a Drucker Society, é o de desenvolver o que chamo de A.C.C.E.S.S. (Academic Consortium of Creative Educational Services Systems). Esse compromisso vai ao encontro do meu interesse  de trocar idéias  e submeter trabalhos para os comentários dos leitores, a cada duas semanas, por meio de abordagens sistêmicas, metodológicas, econômicas, etc.

Para dar um “ponta-pé” inicial, escrevi um “paper” sobre um projeto educacional que existe há mais de 50 anos nos Estados Unidos e que se chama ESL (English as a Second Language). É um dos vários exemplos de educação flexível, pertinente e relevante, com comprovado sucesso.

EDUCAÇÃO FLEXÍVEL –  1

Vamos imaginar uma sala de aula com mais ou menos trinta alunos – todos eles com Idade acima de 18 anos. Na verdade, encontrar algum aluno com 18 anos de idade é raro. A maioria dos alunos tem mais de 25 anos, alguns têm mais de 45 anos de idade.

É uma sala de aulas extremamente heterogênea – uma mistura de pessoas de ambos os sexos, vindas de várias partes do mundo, portanto multicultural, com duas coisas em comum: todos os alunos são estrangeiros e todos têm por objetivo aprender o idioma inglês. São pessoas que, na sua maioria, trabalham e, por isso mesmo, estudam quando podem. Isso mesmo: quando podem. Explico.

As aulas acontecem de segunda a quinta, das 9horas da manhã ao meio dia. Ou seja, 12 h/a por semana. O professor inicia a aula exatamente às 9hs e jamais conclui antes das 12hs. Se, por qualquer razão, o professor não pode vir para uma ou mais aulas, um substituto imediatamente toma seu lugar, garantindo que o aluno sempre tenha aulas nos dias programados para o semestre.

Por outro lado, o mesmo não é verdadeiro em relação ao aluno. Por se tratar de alunos adultos, com diversas disponibilidades para estudar, muitos deles não comparecem todos os dias, ou chegam depois do início das aulas, ou saem antes da aula terminar. Mas isso não aborrece nem ao sistema nem ao professor. Afinal, o interesse pela aprendizagem é inteiramente do aluno: aprende se quiser e no seu tempo.

Ao professor cabe o trabalho de ministrar suas aulas conforme a programação estabelecida pela escola. Essa programação é distribuída para todos os alunos no primeiro dia de aula para que eles saibam quais a matérias que serão abordadas e quando. As provas não têm nota. Até porque é o próprio aluno que “corrige” suas provas/trabalhos. A intenção não é quantificar o conhecimento adquirido pelo aluno. A intenção é que ele (aluno) saiba o quanto da matéria ele conseguiu absorver e onde suas deficiências se encontram.  Ao final do semestre, todos os alunos passam por testes de proficiência para ver se estão ou não aptos a prosseguir em níveis mais elevados.

O fato é que o sistema funciona (na verdade, eu mesmo participei deste programa há mais de 45 anos atrás quando cheguei pela primeira vez aos Estados Unidos e, junto com meu pai, comecei a aprender inglês, na mesma sala de aula). Os alunos, com todas as suas dificuldades específicas, se dedicam tanto em sala de aula como, principalmente, fora dela. Não faltam às aulas por preguiça: faltam por que tem muitos outros afazeres. Mas nem por isso deixam de estudar para que possam atingir seus objetivos: aprender a falar, ler, e escrever em inglês.

Em outras palavras: é um sistema educacional prático; pertinente às necessidades de cada aluno; relevante para uma sociedade que busca a rápida integração de estrangeiros; flexível para que o aluno possa aprender em função da sua disponibilidade de tempo; acessível para garantir que mesmo os mais pobres tenham acesso ao sistema. Pasmem – são 240 horas de aula por semestre pelo valor total de $29.00 (isso mesmo, vinte e nove dólares).

 
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