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Flávio Ilha / Redação de AMANHÃ

3. MBA não é a única opção
O MEC decidiu transformar os mestrados profissionais em centros de excelência para a formação de gestores – e não mais para o direcionamento de profissionais a carreiras acadêmicas. Isso pode ajudar na recuperação do prestígio dos MBA, já que os mestrados executivos, que até então se alinhavam aos cursos de pós-graduação stricto sensu (veja quadro abaixo), devem ganhar espaço nas instituições de ensino superior. “O mestrado profissional vai competir com os MBA, o que deve aumentar a pressão por qualidade”, informa o presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães. A agência governamental, que regula as pós acadêmicas em todo o país, decidiu flexibilizar o modelo: as regras de avaliação levarão em conta os aspectos práticos do programa, como a solução de problemas, as propostas de inovação ou a carreira profissional. A Capes, por exemplo, vai permitir que executivos com vasta experiência profissional, mas sem formação adequada, reforcem os programas de especialização. “Nossa avaliação [dos mestrados executivos] era muito criticada pelo seu viés excessivamente acadêmico”, diz Guimarães.
A expectativa é de que essa flexibilização ajude a criar mais programas de mestrado profissional no Brasil, sobretudo em universidades privadas de ótimo nível. O que, de certa forma, ajudaria a elevar o nível dos MBA. Mas, para os executivos da Associação Nacional dos MBAs (Anamba), ainda é pouco. Adalberto Fischmann, secretário executivo da instituição, diz que é necessário alinhar os conteúdos dos programas de ensino brasileiros aos padrões internacionais de qualidade, como forma de garantir a consistência do que é ensinado. “Isso significa muito mais do que as 360 horas recomendadas pelo MEC”, critica. A Anamba recomenda um mínimo de 480 horas de aula.
O coordendor executivo de MBA da Unisinos, de São Leopoldo (RS), Éder Paulo Miotto, também é cético em relação a mudanças. “O MEC dá nota para tudo quanto é curso, menos para as especializações lato sensu. Eu gostaria de saber por quê”, provoca o professor. Segundo ele, é inútil pressionar a oferta de cursos por meio de medidas pontuais, já que o quesito custo continua sendo crucial. “Enquanto não houver uma regulamentação, a pressão dos cursos mais baratos vai continuar”, diz.
4. MBA não é para todos
Outro problema que ronda o mercado de MBA no Brasil é estabelecer um parâmetro para definir quem é quem. Assim como os cursos do Insper/Ibmec – que têm certificação internacional e respeitam as normas rígidas da Anamba – se declaram MBA, os programas da Anhanguera Educacional igualmente reivindicam a titulação, reconhecida mundialmente como sinônimo de qualidade executiva. A mensagem desse raciocínio, apesar de rude, é simples: MBA não é para todos.
Isso inclui alunos e também as instituições de ensino. “MBA não pode ser sinônimo de massificação”, sentencia o coordenador-geral dos MBA da Insper/Ibmec, Sílvio Laban. Para ele, os programas “enlatados” feitos para atender à demanda por formação específica dificilmente podem garantir aspectos de qualidade essenciais em uma pós-graduação, como bibliotecas equipadas, orientação docente e avaliações rigorosas. “As franquias são muito indesejáveis. São cursos padronizados, que não têm como dar certo”, avalia.
É o caso do MBA em Gestão Pública do Isulpar (Instituto Superior do Litoral do Paraná), com sede em Paranaguá. Com R$ 75 mensais durante um ano é possível cursar o programa na sede de Curitiba, na turma que está sendo formada a pedido da prefeitura da cidade. As aulas são às sextas à noite e aos sábados pela manhã. A mensalidade da Isulpar, na verdade, custa R$ 150, mas o subsídio dado pela administração pública de Curitiba vale para qualquer aluno, independentemente de ele ser funcionário ou não da prefeitura. A taxa de matrícula custa R$ 50 e não há qualquer critério de seleção. Na grade curricular, 12 disciplinas de 30 horas/aula cada – necessárias para fechar a conta de carga horária exigida pelo MEC. O certificado de MBA, nesse caso, sai por R$ 950.
O instituto foi fundado no ano 2000 pela professora Rosí Teresinha Bonn, que não atendeu aos pedidos de entrevista feitos pela reportagem de AMANHÃ. Também oferece graduações em administração, direito, geografia, pedagogia, turismo, sistemas de informação e jornalismo, além de pós em áreas como psicologia, meio ambiente e informática.
A liberalidade do modelo pode ser um problema para os estudantes. O consultor Celso de Camargo Campos, da Apex Executive Search, recomenda que os candidatos a um MBA façam uma pesquisa exaustiva nas instituições de ensino para checar dados importantes de qualidade, como titulação dos professores, bibliotecas, laboratórios e valor da mensalidade. “Não adianta se iludir: o preço é sem dúvida um referencial de qualidade”, ensina. Segundo ele, o fato de os certificados serem reconhecidos pelo MEC não agrega muito valor a determinados cursos. “Se o mercado não aceita, não adianta ter carimbo”, avalia.
O professor Éder Paulo Miotto, coordenador executivo dos MBA da Universidade do Vale do Sinos (Unisinos), também critica essa falta de regras. “Sofremos muita pressão de instituições que não têm qualificação alguma para certificar seus alunos”, afirma Miotto. Segundo ele, a agressividade de algumas instituições é predatória. “Não fosse por isso, podíamos ter o dobro dos 700 alunos [de especialização] que temos”, lamenta.
Realidade muito diferente se observa na Anhanguera Educacional, que abriga 30 mil alunos apenas nos seus cursos de especialização. O diretor de pós-graduação Edgar Falcão defende a massificação do ensino especializado. Segundo ele, a universidade tem como objetivo suprir as necessidades regionais e locais – a instituição tem unidades em cidades do interior, especialmente em São Paulo. “Nosso público é o gerente do supermercado local. Diretores de multinacionais buscam outro tipo de formação”, reconhece Falcão. O raciocínio não deixa de ter lógica. Segundo ele, as necessidades de conhecimento são diferentes para cada público – assim como as soluções apresentadas pelos gestores. O professor diz que a Anhanguera Educacional se dirige ao “pessoal de meio”, que não precisa ter uma visão estratégica mas que necessita, por outro lado, privilegiar uma preocupação com o campo tático do negócio. “Nosso objetivo é replicar as melhores práticas, respeitando as capacidades locais”, explica.

 
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Flávio Ilha / Redação de AMANHÃ

2. MBA não garante emprego

Semler é representante de uma era econômica que não existe mais – hoje, mesmo as empresas familiares buscam executivos no mercado para profissionalizar sua gestão. Mas fazer um MBA não garante emprego para ninguém, assegura o headhunter Celso de Camargo Campos, diretor da Apex Executive Search, com sede em Joinville (SC). Pode, quando muito, dar uma mãozinha. “Um MBA só é determinante em casos muito específicos”, diz o consultor. Para ele, a variedade da oferta é o principal entrave e contribui para uma visão crítica em relação aos profissionais egressos das especializações. “É muito fácil fazer um curso hoje e exibir um certificado. Mas quando demandados a praticar os conhecimentos adquiridos, poucos profissionais vão mostrar a qualidade que o mercado busca”, sentencia Campos.
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Este artigo será publicado em 4 capítulos

Flávio Ilha / Redação de AMANHÃ

Depois de sucessivas crises de credibilidade, especializações executivas tentam retomar o caminho da qualidade. Mas esbarram na desorganização do mercado e na oferta excessiva de cursos
A cena tem se tornado corriqueira: com as oportunidades cada vez mais escassas do mercado de trabalho, recém-graduados de todo o país prolongam ao máximo a vida acadêmica e buscam qualificação extra para se tornarem competitivos. MBA, especializações, mestrados profissionais, cursos de extensão e toda sorte de programas de ensino têm se transformado em uma forma de mostrar ao mundo corporativo que eles podem, sim, ocupar aquela vaga tão disputada. Mas o resultado desse investimento nem sempre é o que se espera. Sem regulação, o mercado da especialização prolifera de forma descontrolada e suscita uma questão: é esse o modelo de que precisamos?
É a pergunta que se faz a administradora Márcia Bronislawski. Formada pela Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) em 2008, a catarinense de 24 anos viu no MBA em Finanças da Univale (Universidade do Vale do Itajaí) uma saída para o desemprego e para a falta de experiência profissional – durante a graduação, Márcia fez apenas estágios. Recém-formada, decidiu então procurar alternativas de cursos que encurtassem o caminho para uma experiência corporativa e que coubessem no seu bolso. “Sei que um MBA não é garantia de emprego, mas pode ser determinante em uma seleção”, avalia.
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