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Paulo Vadas

Meu desafio agora é divulgar a necessidade da flexibilização educacional como passo imprescindível para garantir o acesso universal ao sistema formal. Um dos meus compromissos com a Los Angeles University School of Management, em parceria com a Drucker Society, é o de desenvolver o que chamo de A.C.C.E.S.S. (Academic Consortium of Creative Educational Services Systems). Esse compromisso vai ao encontro do meu interesse  de trocar idéias  e submeter trabalhos para os comentários dos leitores, a cada duas semanas, por meio de abordagens sistêmicas, metodológicas, econômicas, etc.

Para dar um “ponta-pé” inicial, escrevi um “paper” sobre um projeto educacional que existe há mais de 50 anos nos Estados Unidos e que se chama ESL (English as a Second Language). É um dos vários exemplos de educação flexível, pertinente e relevante, com comprovado sucesso.

EDUCAÇÃO FLEXÍVEL –  1

Vamos imaginar uma sala de aula com mais ou menos trinta alunos – todos eles com Idade acima de 18 anos. Na verdade, encontrar algum aluno com 18 anos de idade é raro. A maioria dos alunos tem mais de 25 anos, alguns têm mais de 45 anos de idade.

É uma sala de aulas extremamente heterogênea – uma mistura de pessoas de ambos os sexos, vindas de várias partes do mundo, portanto multicultural, com duas coisas em comum: todos os alunos são estrangeiros e todos têm por objetivo aprender o idioma inglês. São pessoas que, na sua maioria, trabalham e, por isso mesmo, estudam quando podem. Isso mesmo: quando podem. Explico.

As aulas acontecem de segunda a quinta, das 9horas da manhã ao meio dia. Ou seja, 12 h/a por semana. O professor inicia a aula exatamente às 9hs e jamais conclui antes das 12hs. Se, por qualquer razão, o professor não pode vir para uma ou mais aulas, um substituto imediatamente toma seu lugar, garantindo que o aluno sempre tenha aulas nos dias programados para o semestre.

Por outro lado, o mesmo não é verdadeiro em relação ao aluno. Por se tratar de alunos adultos, com diversas disponibilidades para estudar, muitos deles não comparecem todos os dias, ou chegam depois do início das aulas, ou saem antes da aula terminar. Mas isso não aborrece nem ao sistema nem ao professor. Afinal, o interesse pela aprendizagem é inteiramente do aluno: aprende se quiser e no seu tempo.

Ao professor cabe o trabalho de ministrar suas aulas conforme a programação estabelecida pela escola. Essa programação é distribuída para todos os alunos no primeiro dia de aula para que eles saibam quais a matérias que serão abordadas e quando. As provas não têm nota. Até porque é o próprio aluno que “corrige” suas provas/trabalhos. A intenção não é quantificar o conhecimento adquirido pelo aluno. A intenção é que ele (aluno) saiba o quanto da matéria ele conseguiu absorver e onde suas deficiências se encontram.  Ao final do semestre, todos os alunos passam por testes de proficiência para ver se estão ou não aptos a prosseguir em níveis mais elevados.

O fato é que o sistema funciona (na verdade, eu mesmo participei deste programa há mais de 45 anos atrás quando cheguei pela primeira vez aos Estados Unidos e, junto com meu pai, comecei a aprender inglês, na mesma sala de aula). Os alunos, com todas as suas dificuldades específicas, se dedicam tanto em sala de aula como, principalmente, fora dela. Não faltam às aulas por preguiça: faltam por que tem muitos outros afazeres. Mas nem por isso deixam de estudar para que possam atingir seus objetivos: aprender a falar, ler, e escrever em inglês.

Em outras palavras: é um sistema educacional prático; pertinente às necessidades de cada aluno; relevante para uma sociedade que busca a rápida integração de estrangeiros; flexível para que o aluno possa aprender em função da sua disponibilidade de tempo; acessível para garantir que mesmo os mais pobres tenham acesso ao sistema. Pasmem – são 240 horas de aula por semestre pelo valor total de $29.00 (isso mesmo, vinte e nove dólares).

 
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A Associação Brasileira das Mantenedoras do Ensino Superior – ABMES, com sede em Brasília, decidiu criar um blog para que as pessoas possam conhecer os pontos de vista das instituições de ensino superior privado do Brasil, responsáveis por 75% dos alunos matriculados em faculdades. Alega a ABMES: nossa voz não é ouvida, enquanto o MEC tem cadeira cativa em toda a imprensa brasileira.
Mais que isso, os profissionais de imprensa brasileiros, obedientemente, nada questionam do que emana do MEC; nem mesmo quando ocorre um fiasco do porte deste do ENEM…
O artigo anexo, assinado por Silvio Lefevre foi o único que li – entre centenas – que comenta o absurdo de uma instituição aplicar, no Século 21, uma prova nos moldes do Século 19.

Leia abaixo para conferir.
Abraços
J. Roberto Whitaker  Penteado


(publicada no jornal PropMark – edição de 12/10/09)

Toda a imprensa focada na questão do roubo da prova do ENEM, eu não vi nenhum comentário sobre o absurdo em si da sistemática de aplicação deste exame. Será que todo mundo acha normal imprimir provas individuais em papel para 4 milhões de estudantes e mandar a pacotada toda em caminhões para 1829 cidades, nos locais mais distantes do país? Só mesmo por um milagre, neste processo e neste trajeto todo, envolvendo centenas de funcionários internos e externos, alguém não iria surrupiar alguns impressos…

Será que alguém lembrou que as eleições no Brasil são totalmente informatizadas? E que 131 milhões de pessoas votam em terminais de computador, nas dezenas, centenas e milhares de urnas, nos 5560 municípios do país? Se foi possível informatizar este gigantesco processo, até mesmo para eleições complexas, como as que envolvem de uma vez só a votação para presidente, governador, senador e deputados federais e estaduais… será que seria tão difícil de informatizar o ENEM?

Eu não sou técnico em informática e nem tenho a fórmula pronta, mas de imediato me ocorre uma banalidade, que é colocar todos os estudantes em frente de um computador qualquer, nos locais de prova, e dar acesso à prova online apenas no exato momento em que tocar o sino, de repente até com uma senha de acesso individual por estudante, fornecida na hora, para evitar que alguém passe cola para eles de fora da sala…

Será que fazem questão da prova em papel? Se for este o caso se poderia até colocar uma boa impressora em cada local de prova e imprimir na hora as cópias, assim que o sistema central liberasse o arquivo para download, nem um segundo a mais nem a menos. Pessoalmente acho que nem isso seria preciso porque a prova digitalizada teria ainda a vantagem de ser muito mais facilmente corrigida e pontuada… Mas, enfim, essas são apenas duas idéias simples e bastante óbvias, que poderiam ser aperfeiçoadas sem problema por tantos geninhos informáticos que habitam os ministérios de Brasília e alhures.

Em vez disso, insistindo na gigantesca derrapada metodológica, estão falando em imprimir de novo os mais de 4 milhões de cópias de uma nova prova e mandar… pelo correio!!!

Gente, desde quando o correio tem confiabilidade para manusear material de alta confidencialidade como este? Quem utiliza intensamente os serviços postais, como eu, sabe muito bem que eles são ótimos, mas não são isentos de problemas com extravios, entregas em endereços errados, pacotes danificados, roubos de carga, greves mais ou menos longas e generalizadas… e mais uma série de ocorrências que são todas tratadas com normalidade, porque são consideradas dentro da margem de erro. Ou seja, estatisticamente, na maior parte do ano, o correio funciona bem, mas nenhuma estatística garante 100% de acerto e, neste caso crítico, basta um único problema no trajeto e… mais um ENEM terá que ser cancelado.

Por que será então que insistem tanto em imprimir milhões de provas de forma centralizada e enviar tudo para cada local do país onde elas serão aplicadas? Um passarinho me assoprou que deve ter gente ganhando dinheiro (até demais) com esta maluquice toda de impressão, distribuição, etc.

A licitação aprovou uma proposta (a única!) de R$ 116 milhões! Já pensaram em como se gastaria menos (e portanto alguns ganhariam bem menos) se fosse tudo feito pela internet e não precisasse imprimir nem distribuir nada?

Ah… mas e o custo dos 4 milhões de computadores para todos esses candidatos? Tudo tem solução, minha gente. Uma alternativa lógica é utilizar computadores já existentes nas centenas de faculdades que foram literalmente obrigadas a ceder seus espaços para o ENEM.

Mas… e se os organizadores fizessem questão de terem computadores especiais para este exame? Neste caso não faltariam projetos de máquinas bem simples, adequadas apenas a esta função, como os terminais utilizados para as eleições. E se faria então uma bela licitação para a aquisição desses terminais, mas não com um candidato só, como esta que escolheu a empresa responsável pela prova que foi roubada… E tem um detalhe: os terminais só custariam uma vez, porque nos anos seguinte poderiam ser usados os mesmos!

Querem mais uma idéia? De repente por que fazer todas as provas no mesmo dia? O exame poderia ser aplicado em várias datas, evidentemente com provas de conteúdo diferente. Se for em dois dias já seriam só 2 milhões de terminais, em vez de 4, se for em 4 dias seriam só 500 mil…

Idéias não faltariam se esta questão fosse abordada de forma realmente séria, esquecendo os interesses das gráficas, das transportadoras e de todos os intermediários que porventura “facilitem” e se beneficiem com este absurdo e ridículo processo.

E tem mais. Que lição de raciocínio lógico e de tecnologia querem ensinar a esses milhões de estudantes do Brasil inteiro aplicando a eles um exame QUENEM na idade da pedra?

 
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ELIANE CANTANHÊDEFolha de S. Paulo – 13/10/2009

BRASÍLIA – Era domingo. Amanda, que havia meses estudava dias, noites, fins de semana e feriados, acordou cedo, vestiu-se e foi enfrentar o difícil e disputado concurso para o Ministério da Justiça. Voltou tarde, exausta, mas satisfeita com o seu desempenho.
Filha de empregada doméstica, Amanda é uma moça de ouro. Estudiosa e determinada, formou-se em direito, passou no exame da Ordem dos Advogados do Brasil e estava animadíssima com o concurso. Mas deu no que deu: a prova foi anulada por irregularidades.
É ou não de matar de raiva? Recorre-se aqui ao caso da jovem Amanda para dar um nome e um exemplo em carne e osso para aqueles 4,1 milhões de estudantes que se viram frustrados, lesados e desamparados com a anulação da prova do Enem, e de uma maneira tão fácil que chega a dar arrepios: bastou que dois ladrõezinhos de galinha entrassem, pegassem cópias e saíssem, lépidos e fagueiros.
Se é possível ocorrer o que ocorreu, entre tantos outros exemplos, numa prova do MEC e num concurso do Ministério da Justiça, que é chefe da Polícia Federal, imagine-se só o que não acontece por aí. Ainda mais na era Lula, quando os concursos, contratações e nomeações são às dezenas por dia. Quantos mais eles são, maiores as chances de fraudes. E sem a menor garantia de fiscalização e de segurança.
Que o Enem de 2009 fique para sempre como alerta e como vergonha e renda lucros e dividendos daqui em diante, até para acabar com aquela vaga sensação de que, em alguns concursos, como no Senado e na Câmara, por exemplo, as provas não são para valer, só servem para “lavar” vagas para apadrinhados pré-escolhidos.
Tem alguma coisa errada nisso, e os 4,1 milhões do Enem devem ser mártires de uma boa causa: que se levem provas, exames e concursos públicos mais a sério. Eles não são de brincadeira. Ou melhor: não eram e não deveriam ser.

 
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