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Sólon Hormidas Caldas
Diretor Executivo da ABMES – Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior
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Vivemos em uma nação extremamente desigual e não há inclusão social se não for por meio da educação. Embora entoemos esse mantra há décadas, onde estamos errando? Por que não conseguimos avançar significativamente nos nossos indicadores de desenvolvimento humano?

As respostas para esses questionamentos são diversas, mas boa parte delas passam, necessariamente, pelos baixos índices educacionais da nossa população. O atual panorama educacional do país nos mantém reféns de um círculo vicioso que resulta em baixa produtividade, baixo desenvolvimento econômico e, consequentemente, baixo desenvolvimento social.

A educação superior, por exemplo, ainda é um sonho distante para a maior parte da população. E isso em pleno século XXI e em um país que se orgulha de estar entre as dez economias do mundo. Pesquisa realizada pela ABMES, por exemplo, constatou que 50,5% dos jovens não teriam condições de pagar uma instituição de educação superior particular, o que dificulta bastante o ingresso nesse nível educacional tendo em vista que as instituições privadas representam 87,7% do total de faculdades, centros universitários e universidades brasileiras.

Mesmo nesse contexto, no final de 2017 a política pública de financiamento estudantil do país foi praticamente extinta, consolidando o processo gradativo de cortes no número de vagas ofertadas iniciado nos anos anteriores. Caímos de mais de 730 mil contratos em 2014 para 175 mil em 2017, e a expectativa para 2018 é de números ainda mais baixos.

Diante desse cenário, têm ganhado força iniciativas de financiamento estudantil desenvolvidas pelas próprias instituições de ensino. Atentas às mudanças no mercado, instituições particulares de educação superior têm desenvolvido novas formas de financiamento estudantil. Em geral, tratam-se de experiências inovadoras que levam em consideração tanto o perfil da instituição quanto dos alunos que a frequentam ou que poderão vir a frequentá-la.

Conhecer iniciativas nesse sentido e adaptá-las para a realidade de cada instituição pode representar mais do que algumas cadeiras ocupadas. Dado o contexto socioeconômico do país, possibilitar o acesso de mais pessoas à educação superior contribui para a tentativa de reverter o ciclo vicioso descrito no início deste texto.

E é exatamente com o objetivo de apresentar casos de sucesso nessa área que acontece na manhã de hoje (8 de junho), durante o XI Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular (CBESP), o painel Inclusão social e novas formas de financiamento estudantil. Trata-se de uma oportunidade única para compreender como grupos educacionais do porte da Kroton e da Unicesumar encontraram alternativas para o financiamento estudantil governamental sem comprometer a sustentabilidade institucional e, ao mesmo tempo, viabilizando o acesso de milhares de jovens à educação superior. A íntegra do evento será transmitida ao vivo pela ABMES TV.

O fato que precisa ser encarado é que a demanda por financiamento é crescente, assim como o número de pessoas que veem na educação superior a oportunidade para mudarem de vida. Afinal, somos a décima nação mais desigual do planeta e a septuagésima nona em desenvolvimento humano. A superação dessa realidade passa, necessariamente, pela educação, como sabemos.

Sendo assim, investir em ações de financiamento estudantil é uma iniciativa que traz benefícios não só para os estudantes, mas também para o país, que tanto necessita fazer girar os ciclos virtuosos dos desenvolvimentos econômico, social e humano.

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* Sólon Caldas participa do XI Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular como sintetizador do Painel “Inclusão social e novas formas de financiamento estudantil”, no dia 8 de junho.

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