Cibele Schuelter
Consultora da Hoper Educação
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A repercussão sem precedentes da pandemia do Coronavírus trouxe uma emergência de posicionamento e decisões institucionais que os gestores das IES não pensavam que um dia precisariam tomar.

Os novos tempos têm trazido desafios impossíveis de prever. Mais do que isso, estão segmentando instituições de ensino em dois grupos: as que possuem a competência de lidar com situações adversas com a calma, celeridade, responsabilidade e estratégias criativas que o momento exige; e as que simplesmente não conseguem se posicionar, agir ou comunicarem-se adequadamente.

O impacto desse cenário num mundo interconectado é elevado a potência máxima: não diferente da sala de aula, a comunidade acadêmica sabe mais do que a soma do que sabem todos os dirigentes e professores. O conhecimento de qualquer natureza agora é portátil, acessível, flexível, escalável e adaptável. Todos viraram especialistas no novo vírus.

As soluções e encaminhamentos se dão em duas esferas. Uma de cunho administrativo-acadêmico: comprar ou não álcool gel, como comunicar a comunidade acadêmica, quais decisões tomar sobre janelas e aparelhos de ar, como reestruturar espaços físicos e administrativos, como administrar os casos de alunos, professores e funcionários em grupos de risco. A segunda esfera é a de cunho pedagógico: avaliar as legislações e notas de esclarecimentos dos órgãos educacionais, decidir sobre a reposição de aulas em regime domiciliar, usar as estratégias do ensino a distância para não estender o calendário acadêmico – o que ninguém gostaria.

Todos estes posicionamentos estão temperados pelo fator tempo. Em especial sobre a questão do uso de estratégias de ensino a distância para atividades presenciais, a considerarmos que menos de 20% das IES hoje oferecem educação na modalidade a distância, já há uma janela entre quem tem mais ou menos condições de atender melhor seu corpo discente.

O desafio que o futuro nos impõe é mais presente do que nunca: para ficar onde está, é preciso correr. O impacto negativo de imagem para IES que ficarem em cima do muro será imenso. A falta de confiança na Instituição que não sabe se posicionar num momento de crise pode não ter volta. Por isso, nossa contribuição: imediatamente tomem decisões sobre a manutenção ou não das aulas, sobre procedimentos emergenciais de operação e mesmo sobre disponibilização de conteúdos não presenciais pelos professores.

Haverá erros? Muitos. O desafio de dispor conteúdos a distância sem preparo e sem qualificação é gigante, mas não é impossível. Existem dezenas de meios de dispor dele que estão aí, inclusive gratuitamente.

Mas essa pauta não pode esperar. Essa geração de alunos não perdoa atrasos. Mas perdoa erros e correções pelo caminho. Decida hoje sem medo de errar. E corrija amanhã para ficar cada vez melhor. A transformação das instituições de ensino superior para dar respostas mais rápidas às mudanças da sociedade pode encontrar nesta crise do Covid-19 uma oportunidade de mudança de modelos de ensino e de mentalidades.

A imagem da instituição agradece.

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