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Sabrina Moraes
Secretária executiva da ABMES
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“Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de ser feito.” (Albert Camus)

No próximo dia 30 de setembro, comemora-se no Brasil o Dia da Secretária. A data foi reconhecida no estado de São Paulo pela Lei nº 1.421, de 26 de outubro de 1977. Uma das profissões considerada bastante positiva no mercado de trabalho no país e que foi avaliada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a terceira profissão que mais cresce no mundo.

A data surgiu em referência a Lilian Sholes, nascida no dia 30/09. Foi a primeira mulher a testar a versão da máquina de escrever no layout de teclado “QWERTY”, desenvolvida por seu pai, o inventor americano Christopher Sholes, em meados de 1867, e que utilizamos até hoje. Por ocasião do centenário de seu nascimento, as fabricantes de máquinas fizeram diversas comemorações, inclusive com concurso de datilografia. Como muitas secretárias participavam, o dia passou a ser conhecido como o Dia da Secretária.

Mas afinal, o que faz uma secretária, ou um secretário? Acredito que todo profissional de secretariado executivo já se deparou com estas perguntas e comentários: “O que você faz além de atender telefonemas e organizar a agenda do chefe?”, “Mas fazer faculdade para ser secretária(o)?”, “Tem que ter muita paciência, eu não levo jeito!”, “E como você faz para lembrar de tudo?”, “Você deve conhecer muita gente”… Com isso, resolvi falar um pouco da história e da evolução dessa profissão que ainda desperta muita curiosidade entre as pessoas.

A profissão de secretariado surgiu no Egito antigo, com os escribas, homens mensageiros, detentores de habilidades diversas, desenhistas, pintores, escritores, decoradores de monumentos. Eles redigiam leis, faziam contas, monitoravam o processo de colheita, cuidavam dos arquivos, entre outras funções. Profissionais de extrema confiança por seus mentores e bem vistos pelo povo, pois suas competências se destacavam perante a sociedade. Como privilégio, eram isentos do serviço militar e do pagamento de impostos. Os ensinamentos eram passados dos pais para os filhos e podiam levar muitos anos até que os mesmos pudessem exercer o ofício. Como instrumentos de trabalho, utilizavam um tipo de pincel, chamado “cálamo”, feito de “junco” (a haste da cana do papiro), tinta e o papiro para a escrita.

A função, antes exclusiva para os homens, hoje é predominantemente feminina, isso porque na segunda guerra mundial, na falta de mão de obra masculina, a atividade ganhou destaque no cenário das mulheres. No Brasil, a profissão se expandiu a partir dos anos 1950, com o surgimento das multinacionais. Nessa época, surgiram os cursos de datilografia e de atendimento. Tempos depois veio o curso reconhecido como nível superior, de bacharel em Secretariado Executivo, tendo como pioneira a Universidade Federal da Bahia, em 1969.

Com uma grade curricular bastante diversificada, o curso abrange conhecimentos nas áreas de ciências sociais, comunicação organizacional, direito, contabilidade, administração financeira e orçamentária, estatística, gestão de projetos, marketing, interpretação de textos, organização de eventos, informática, gestão de pessoas, empreendedorismo, psicologia organizacional, línguas portuguesa, inglesa e espanhola, entre outras. Assim, o profissional tem um vasto campo de atuação dentro do ramo em que for assessorar, podendo desempenhar funções em organizações públicas, privadas, internacionais e também de forma remota, como microempreendedor individual, área que vem crescendo em grande escala atualmente no país.

Nesse universo de possibilidades e com a evolução da profissão, o secretário se tornou um agente facilitador, priorizando os assuntos de interesse da empresa, otimizando o tempo, auxiliando na rotina administrativa, na gestão das pessoas, na mediação de conflitos, adquirindo discernimento entre custo e benefício, passando a ter uma visão mais global dos processos, pensando e agindo de forma mais estratégica para o alcance dos resultados que satisfaçam ambas as partes – a organização em que atua e o público alvo.

Do pincel e papiro para a internet e o touch! — Se na antiguidade o acesso às informações era limitado, hoje temos toda tecnologia a nosso favor, graças à expansão da internet e à grande variedade de aplicativos que surgem a cada dia para facilitar a vida de todos. Podemos utilizar essas novas ferramentas para realizar pesquisas, organizar as demandas, as agendas, para o planejamento de viagens, de eventos e muito mais.

Há muito ainda do que se falar sobre essa profissão inspiradora, que nos faz crescer como profissionais e como pessoas. No entanto, para não me alongar, gostaria de registrar aqui a minha satisfação de atuar em uma associação tão importante para o progresso da educação brasileira (ABMES – Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior) cumprimentar a todos os colegas que regem suas atividades com competência e excelência. Parabéns profissionais de secretariado, vocês fazem a diferença!

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10 Respostas para “A evolução do profissional de secretariado”

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