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Gustavo Hoffmann
D
iretor do Grupo A Educação
Foi diretor de Inovação e Internacionalização do Grupo Anima Educação e diretor Acadêmico e de EAD do Grupo Alis Educacional e diretor acadêmico, diretor de Pós-graduação, diretor de EAD e diretor de Negócios da Kroton Educacional
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A folha de pagamento representa o principal custo de qualquer empresa prestadora de serviços. No ensino superior, não é diferente. No Brasil, os custos com folha de pagamento normalmente consomem mais de 50% da receita líquida de uma IES, comprometendo de forma significativa seu resultado operacional. Deste custo, mais da metade representa a folha de pagamento do corpo docente. IES financeiramente saudáveis não costumam comprometer mais de 30% da receita líquida com folha de pagamento docente, mas não é isso que se vê na maioria da IES brasileiras, principalmente nas pequenas e médias.

Um modelo acadêmico eficiente é aquele que não somente visa garantir resultados positivos nos indicadores de qualidade externos, como IGC, CPC, ENADE, desempenho no exame da OAB, e internos, como empregabilidade, satisfação dos alunos, corpo docente, entre outros. Um modelo acadêmico eficiente visa, sobretudo, garantir a melhor alocação dos recursos disponíveis e, consequentemente, a entrega dos resultados financeiros de uma IES.

Na construção do planejamento estratégico de qualquer IES, é fundamental definir os indicadores de performance acadêmicos, financeiros e, sobretudo a interrelação entre eles. Obviamente, a definição desses indicadores varia de acordo com a estratégia de cada IES, mas alguns deles, independentemente do posicionamento estratégico, deveriam ser considerados em qualquer plano.

Um dos indicadores de performance mais importantes de qualquer IES é o comprometimento da receita líquida pela folha de pagamento docente. Por isso, uma boa gestão deste indicador é praticamente a garantia da entrega dos resultados financeiros. Ele é impactado basicamente por dois outros indicadores: De um lado, a receita líquida, que depende do portfólio da IES, do ticket médio e do número de alunos matriculados. Do outro lado, a folha de pagamento docente, que depende do plano de carreira da IES, das convenções coletivas de trabalho estabelecidas entre os sindicatos patronais e os sindicatos dos professores, do número médio de alunos por turma e da carga horária semanal de atividades atribuída a cada curso.

Neste artigo, explorarei a importância da busca de uma maior sinergia entre cursos na construção dos projetos pedagógicos. Matrizes curriculares inteligentes devem prever disciplinas comuns entre os cursos. Isto é importante não somente para aumentar a eficiência operacional, mas também para permitir o desenvolvimento de competências transversais, fundamentais para qualquer formação profissional. Empreendedorismo, pensamento crítico, capacidade de resolução de problemas, criatividade e as humanidades são alguns exemplos.

Do ponto de vista financeiro, se houver uma grande sinergia entre as matrizes curriculares e se o tamanho das salas de aula não limitar a quantidade de alunos por turma,  é possível atingir uma maior eficiência de ensalamento, aumentando o número de alunos por turma. Quanto maior for a media de alunos por turma, menor será o custo da folha de pagamento docente e, consequentemente, o comprometimento da receita líquida pela folha de pagamento, aumentando a rentabilidade da IES. Não defendo de forma alguma o aumento indiscriminado do número de alunos por turma, comprometendo a dinâmica da aula e, em última instância, a aprendizagem. O que defendo é uma engenharia inteligente na construção dos projetos pedagógicos, buscando a sustentabilidade financeira das turmas, sobretudo nos períodos mais avançados do curso.

Hoje, a utilização de matrizes sinérgicas a fim de melhorar sua eficiência operacional é uma prática bastante comum. No entanto, essa sinergia é normalmente adotada no início dos cursos (ciclos básicos), nos primeiros anos de formação, e este pode não ser o melhor modelo. Normalmente, as turmas dos primeiros períodos são maiores. A maioria das IES possuem critérios rígidos que preveem um número mínimo de alunos para a abertura de uma nova turma. Isso quer dizer que, via de regra, os primeiros períodos dos cursos iniciam com turmas maiores, ou seja, não há tanta necessidade de agrupar alunos de diferentes cursos em uma mesma sala de aula (ensalamento).

Há também aspectos relacionados à qualidade do ensino e à infraestrutura que podem contraindicar essa prática como regra nos períodos iniciais. Com a evasão natural dos alunos, que acontece principalmente nos dois primeiros anos de curso, o número médio de alunos por turma tende a reduzir, ou seja, o ideal é que disciplinas sinérgicas sejam alocadas do segundo ano pra frente, onde o tamanho das turmas é reduzido. É aí que a IES mais precisa lançar mão do ensalamento para garantir uma boa eficiência. Além disso, nos períodos mais avançados, o aluno possui maior maturidade para compreender a importância das disciplinas transversais, como as humanidades, por exemplo. Isso permite que disciplinas com maior especificidade sejam alocadas nos primeiros períodos, trazendo maior atratividade para o primeiro ano de curso, reduzindo a evasão.

Resumindo, é fundamental aumentar a quantidade de componentes curriculares comuns entre os cursos, o que chamamos de sinergia. Esta sinergia deve, à medida do possível, estar deslocada para a segunda metade do curso, trazendo maior especificidade e atratividade para os períodos iniciais e postergando a transversalidade para os períodos que o aluno terá mais maturidade para compreendê-la. Isto permitirá uma maior captura do potencial de ensalamento, aumentando significativamente a média de alunos por turma e, consequentemente, a eficiência operacional.

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