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Gabriel Mario Rodrigues
Presidente da ABMES
Secretário Executivo do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular
***

A discussão sobre a criação do Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação do Ensino Superior (Insaes) caminha para ser aprofundada no Congresso e a expectativa de todas as instituições de ensino superior (IES) é que, ao tornar-se realidade, o Instituto cumpra a sua missão de bem avaliar a qualidade do sistema universitário brasileiro.

O Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior, do qual a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) faz parte, tem participado de forma importante dos debates realizados até agora sobre o anteprojeto de lei do Insaes, com destaque para a preocupação com as atribuições da futura autarquia e para a função dos seus integrantes, principalmente no que se refere ao atendimento das demandas requeridas pelo desenvolvimento educacional. Preocupa-se também o Fórum com a transparência total dos atos da Autarquia e com a necessidade de que os métodos de trabalho a serem usados sejam consentâneos e apoiados pelas novas tecnologias da informática e da comunicação.

A transparência das atividades exigidas pelos servidores públicos é ação normal decorrente do estágio atual existente nos organismos governamentais. Já saiu do plano das intenções e tornou-se realidade. Porém a questão relativa à tecnologia da informação é um fator a ser ainda contextualizado, porque não se pode mais avaliar cerca de 3 mil instituições e 30 mil cursos da mesma forma como tem sido feito até agora, isto é,  com base em “achismos” estatísticos sem base técnica. O mundo mudou e a primeira iniciativa a ser tomada pelo Insaes deveria ser a revisão de todos os índices ultrapassados utilizados no processo de Avaliação.

Atente-se para o que escreveram Maurício Garcia, Nadja Valverde Vianna e Letícia Suñé na introdução da publicação da ABMES  Editora, Erros e acertos da avaliação Educacional no Brasil:

“O sistema brasileiro de avaliação está à beira de um colapso. O Inep/MEC realiza cerca de 5 mil visitas de avaliação in loco por ano, o que dá algo ao redor de 100 visitas por semana. A logística para suportar uma operação desse porte, em âmbito nacional, a cada dia assume proporções ciclópicas. Apenas para ilustrar, são mais de 400 trechos de passagens aéreas por semana, a serem agendadas, orçadas, emitidas e contabilizadas pelo Inep/MEC.”

É uma barbaridade dizemos nós. Não será fácil encontrar outra solução, mas se não for utilizado um pouco de criatividade e pensar de maneira diversa, tudo ficará igual ao que se fazia há cinquenta anos. Não tem cabimento o modelo de visitas in loco. A tecnologia existe para colaborar em se encontrar outros modelos de avaliação.

Ao participar recentemente de uma reunião onde estavam presentes alguns analistas econômicos do mercado educacional, que são os profissionais que acompanham todo o desenvolvimento do setor para as instituições financeiras, ouvi um deles dizer que em termos de qualidade é difícil saber qual o melhor curso universitário. Para ele, porém, seria uma operação fácil: era só conhecer o índice de evasão dos estudantes por curso. Isto é, se tivéssemos um índice histórico da evasão de cada curso, seria fácil compará-lo com o índice do curso que se quer analisar. Apenas para exemplificar: se o índice de evasão padrão para um curso de Administração em determinada região for de 8,32%, ficaria fácil fazer uma classificação para se conhecer quem está acima ou abaixo, tendo como princípio que a qualidade de um curso está sendo medida pelo maior número de alunos que o concluíram. Sei que existem outras formas de verificar o desempenho dos egressos universitários, mas o que desejo consignar é que esta é uma opção nova, que obriga a necessidade de se pensar “fora da caixa” e encontrar alternativa diversa das existentes para a avaliação presencial de uma instituição.

A ideia que desejo apresentar precisa ser evidentemente aperfeiçoada porque diz respeito à supressão das Comissões de Avaliação para instituições já autorizadas. Não há necessidade de visita presencial. É possível construir uma estrutura de dados perfeitamente informatizados que contenham todos os elementos institucionais, pedagógicos, qualitativos, quantitativos e audiovisuais, objetos de qualquer avaliação. Poderiam estar num portal para permitir que as IES fossem alimentando e registrando todo o seu funcionamento. Com esta estratégia, a responsabilidade total pelas informações seria da Comissão Permanente de Avaliação (CPA) que cumpriria assim seu papel legal de acompanhar o Projeto de Desenvolvimento de sua instituição. E com isto estaria sendo valorizado o mecanismo mais saudável existente nas escolas superiores capaz de perceber suas forças e fraquezas e trabalhar para um planejamento sustentável e qualitativo. Sem dúvida alguma a CPA contém todos os agentes responsáveis pelo progresso institucional, pois é formada por professores, funcionários, coordenadores alunos e representação comunitária. Os membros da Comissão de Avaliação acompanhariam tudo pela Internet e de suas cidades se pronunciariam a respeito das instituições e cursos.

Se a modernidade nos obriga a repensar os modelos de avaliação educacional existentes, por que não caminhar nessa direção?

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5 Respostas para “A modernidade obriga a repensar os modelos de avaliação educacional existentes”

  • Denise says:

    Ao dizer que “Não tem cabimento o modelo de visitas in loco. A tecnologia existe para colaborar em se encontrar outros modelos de avaliação” me parece que falta conhecimento ou reconhecimento do que os nossos empresários, inclusive os do ensino, são capazes de fazer em nome do lucro fácil e a qualquer custo.
    A avaliação in loco contribuiu para elevar a qualidade do ensino superior público do país, mais do que qualquer outra iniciativa.
    “Não há necessidade de visita presencial” – há sim, e muito! É uma grande responsabilidade do MEC, e como cidadã eu espero que continue a haver visitas.
    Quem trabalha bem e da forma correta não precisa temer a avaliação in loco.

     
  • Fernando says:

    Como avaliador me permito a discordar totalmente da afirmação que:

    ” Não tem cabimento o modelo de visitas in loco. A tecnologia existe para colaborar em se encontrar outros modelos de avaliação.” e também “É possível construir uma estrutura de dados perfeitamente informatizados que contenham todos os elementos institucionais, pedagógicos, qualitativos, quantitativos e audiovisuais, objetos de qualquer avaliação. Poderiam estar num portal para permitir que as IES fossem alimentando e registrando todo o seu funcionamento. Com esta estratégia, a responsabilidade total pelas informações seria da Comissão Permanente de Avaliação (CPA) que cumpriria assim seu papel legal de acompanhar o Projeto de Desenvolvimento de sua instituição”.

    O que normalmente verificamos nas visitas in-loco, raras as excessões, não corresponde fidedignamente a tudo que está informado no sistema e-mec, isso mesmo nas federais.

    O que pensar então? Se mesmo tendo as visitas in-loco já se observa desvios grotestos entre o processo informatizado (sistema e-mec) e o verificado, imagine se elas forem totalmente substituídas.

     
  • Prof. Pietro Genaro says:

    Pensar em inovação em organismo do Estado é balela. Desejar simplificar valorizando as CPAs das escolas, tenho certeza que o Sistema não vai concordar. Ele vive de: quanto mais complicado para as partes, melhor para ele. Imagine pensar em Avaliação sem visita de Professores.A Avaliação é um poder que o Estado nunca vai deixar escapar de suas mãos pois é assim que ele domina a Educaçao e aparece na mídia. Avaliação por meio eletrônico nem daqui a 50 anos. É paranoia.

     
  • Fabiano says:

    Avaliar um curso pela sua evasão me parece um tanto complicado visto que, em algumas IES, o principal motivo de evasão é financeiro. Já em relação a uma política adequada de acompanhamento de egressos parece um caminho a ser valorizado, mas não único. A questão é: quais parâmetros seriam utilizados? Acredito que continuaríamos subordinados a critérios subjetivos e à confiabilidade das informações. É fato que o modelo de avaliações in loco ainda trabalha com um nível de subjetividade grande pois envolve as percepções de pessoas e que o fator geográfico prejudica as instituições que estão em estados com menor quantidade de programas de pós graduação.
    O trabalho da CPA deve ser sim valorizado mas é importante lembrar que esta comissão, por definição, deveria ser autônoma. Se colocarmos tal responsabilidade nesta comissão, muito provavelmente a pressão das IES sobre elas iria aumentar, gerando um perda de autonomia das mesmas além de informações tendenciosas. Independente disto, a discussão é importante e valiosa e, sem dúvidas, o INEP/MEC precisa evoluir no assunto de usar os recursos tecnológicos. Porém é de grande importância que as IES de todo o país sejam ouvidas, sem distinção e benefícios devido a categoria administrativa e região.

     
  • Prof. Saulo says:

    Parecem duas idéias conflitantes a do indicador e da extinção das Comissões de Verificação. Como reagiria a burocracia do Estado é a questão.Por outro lado avaliar Instituição em função da evasão é outro absurdo.Há cursos que atendem a alunos de maior poder aquisitivo e a tendência é menor para evasão. Como colocar numa mesma cesta os cursos da GV e os de Xiririca da Serra? Se o Mec não acredita nas Comissões de Avaliação imagine sem elas…

     

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