Destaques
Patrocínio
Facebook
Gabriel Mario Rodrigues2

Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
***

“Es importante que la educación cambie y se adapte como respuesta a las transformaciones que está experimentando la sociedade global. En ocasiones, llevada por la idea de que debía transitar por otros caminhos, la educación se há mantenido al margen de la sociedade. Sin embargo, resulta de gran transcendência tener uma educación que sea capaz de adaptarse y responder a las necessidades del conjunto de la sociedade.” [Alfons Cornella]

O coronavírus está impactando a sociedade pela ameaça mortal que faz aos moradores do planeta. Surge uma nova realidade com a qual precisaremos aprender a conviver e também entender melhor como funcionam os sistemas de informações em um mundo interconectado e desorientado, onde cada um pode dar a sua versão aos fatos como bem entender.

O gênero humano é complicado, todos são testemunhas da balbúrdia de informações que circularam por todas as mídias sobre este fenômeno, onde a maioria quer somente mostrar sangue pelas telas. Mas o mais positivo de tudo isto é a nova visão do futuro em que obrigatoriamente os humanos precisarão se entender para poderem sobreviver numa sociedade completamente desigual. Metade das pessoas em casa e metade trabalhando, enfrentando os percalços dos perigos que não podem evitar. Queiramos ou não, vivemos numa sociedade desigual: para uns, casa de tijolos e concreto e, para outros, casebres sem serviços básicos (sem água, eletricidade e coleta de lixo).

O futuro que nos espera não vai ser repetição do passado porque tudo se desenvolve exponencialmente. Por exemplo, os espaços urbanos serão desenhados completamente diferentes dos de hoje. Se metade da população vai poder trabalhar em casa não há necessidade de prédios para escritórios, nem de escolas, nem de palácios e muito menos edifícios suntuosos de governo. Certamente Oscar Niemeyer projetaria Brasília diferente e não precisaríamos de 80% dos prédios governamentais como foram construídos (imagine o desperdício). Tudo será feito via online com meios de comunicação cem vezes mais poderosos. Um mundo diferente onde vamos precisar conviver com as máquinas e não contra elas.  Elas adotando a inteligência artificial e os humanos usando sua criatividade, sua empatia, sua curiosidade, sua capacidade de improvisar e de sonhar e tantas outras já em vigor na BNCC – Base Nacional Comum Curricular, que maximiza a aplicação das competências socioemocionais.

Mas o mais importante em tudo isto é que precisaremos revolucionar a educação porque os trabalhos repetitivos serão realizados pelas máquinas. E não sou eu penso assim. Acabo de ler o livro EDUCAR HUMANOS EM UN MUNDO DE MÁQUINAS INTELIGENTES: 100 ideas y reflexiones sobre la nueva educación que necessita la sociedade, lançado em 2019, de Alfons Cornella e Lluis Cugota, que afirma tudo isto.

Cornella é licenciado em Física pela Universidade de Barcelona, master of Science in Information Resources Management pela Syracuse University de Nova York e diplomado em Alta dirección de empresas pelo ESADE de Barcelona, além de fundador e presidente da Infonomía, empresa de serviços de inovação. Lluís Cugot é formado em psicologia e jornalismo, diplomado em Edição e mestre em Comunicação Científica. Trabalhou como redator e editor, especialmente na área de ciências e tecnologia, em vários jornais e revistas. Para eles, num futuro próximo não terá mais sentido treinar jovens para que desempenhem tarefas que as máquinas podem fazer. Assim, é na potenciação das características humanas que reside nossa essência como espécie, tarefa para a educação, que tem um grande desafio: descobrir o talento de cada pessoa e estimulá-la ao máximo para que desenvolva as próprias capacidades.

Cornella divide o livro em três partes:

Na primeira, “A sociedade do futuro: mudanças globais, ideias ousadas e máquinas inteligentes”, eles discutem o que é esse mundo diferente, em que o radical é normal e como será a relação humanos x máquinas. Para isso questiona-se sobre quais as quatro faces do futuro – ciência, tecnologia, sociedade e empresas/organizações –, o que é a réplica digital de uma indústria, como devem ser as novas empresas, qual a função da arte e de que educação precisamos para enfrentar os desafios que o futuro nos apresentará.

Nesse particular, falam sobre o que é uma ideia radical e qual a distância entre radicalidade e normalidade, além de nos desafiar se voaríamos num helicóptero baseado na tecnologia dos drones, se ficaríamos animados com a ideia de sermos imortais ou como seria a vida em Marte.

No item “Humanos x máquinas”, pergunta-se o que é a IA e se as máquinas inteligentes são realmente inteligentes. E mais uma vez nos provocam: você trabalharia lado a lado com uma máquina IA? Se deixaria multiplicar por uma máquina? Nesse mundo de ficção científica, nos traz de volta à dura realidade da nossa escola: por que continuamos ensinando as crianças a se comportarem como máquinas?

Na segunda parte, “O ser humano ante a nova educação: experimentar, colaborar e integrar”, os autores discutem quais características humanas são mais humanas, o que é a curiosidade e um algoritmo, como é uma pergunta de qualidade, se as máquinas são criativas, onde está a transcendência. Nesse sentido, questiona-se o que é um projeto educativo, como são usados os recursos digitais, a necessidade, nova, de saber programação e como esta pode ser uma atividade prazerosa quando realizada em grupo, uma vez que envolve colaborar e integrar.

Na terceira e última parte, “Os atores da nova educação: pais, mentores e tutores, espaços e educadores”, Cornella e Cugota ressaltam que a educação é tarefa de TODOS (aliás, como venho enfatizando em meus artigos) e a importância das metodologias ativas, como a sala de aula invertida, por exemplo.

Outro ponto em que os autores se detêm são os limites da sala de aula, perguntando-se se a educação é um espaço ou um tempo.

Para finalizar o capítulo e o livro, Cornella e Cugota falam sobre o papel do professor, a importância de sua formação e como se deve experimentar em educação.

Sem dúvida, trata-se de uma leitura que, embora insista em informações sobre as quais já nos detivemos, traz um enfoque inovador, reflexões argutas e perspicazes, além de exemplos, para muitos de nós, inimagináveis. Certamente servirá de caminho das pedras, uma espécie de vade mecum, para orientar nossas reflexões e ações educacionais.

O livro, em língua espanhola, ainda não tem tradução para o português. É encontrado no site da Amazon.

Proximamente desejo abordar neste espaço alguns dos 100 itens que os autores desenvolvem de maneira bem simples, mas de forma muito esclarecedora para os profissionais   da educação. O mais importante é que os professores deverão aprender a ver na tecnologia uma parceira e aliada para vencer os desafios do futuro. Mas a síntese de tudo é que precisaremos revolucionar a educação para que quem estiver nascendo hoje possa viver num mundo mais feliz. (Já tenho bisneto e duas bisnetas(os) que nascem daqui a 6 e 7 meses). Beleza.

Avaliar

Uma resposta para “A sociedade vai precisar pensar em uma nova educação”

  • valter stoiani says:

    Caro prof. Gabriel
    Em seus últimos e excelentes artigos, o foco tem sido a questão da conscientização da deficiência educacional e do desastre biológico “Corona vírus” e suas consequências na saúde e na economia planetária.
    A humanidade reagiu diante da morte biológica , diante da posssibilidade de uma pandemia descontrolada.O vírus mata o corpo.Mas a falta , ou deficiência educacional , mata a alma. A conscientização das consequências catastróficas operadas nos faz pensar.Estamos vendo a mobilização internacional para evitar uma grande recessão global e muitas mortes. Muito justas e necessárias pois são facilmente observadas. Surgiram trilhões de dólares para esta finalidade e apoio incondicional.
    Mas cabe àqueles que já tenham a consciência da morte da criatividade , da inteligência espiritual , da solidariedade, da compaixão dos seres humanos . Ou seja da morte de uma educação, como diz o prof .Alfons Cornella, que seja capaz de adaptar-se e responder às necessidades do conjunto da sociedade.
    Concordando com Prof. Ricardo Zanotta,dizia eu, cabe a nós arregaçarmos as mangas e agir. Não esperar a iniciativa apenas do estado muitas vezes incapaz de compreender e enfrentar tamanho desafio.
    Subsitituir a vontade de poder e de ter , pela vontade de ser.

     

Deixe uma resposta

Números do Ensino Superior
Categorias
Autores
Arquivos
Visitantes
wordpress analytics