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Gabriel Mario Rodrigues 1Gabriel Mario Rodrigues
Presidente da ABMES e Secretário Executivo do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular
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“Competência é a capacidade de mobilizar conhecimentos, valores e decisões para agir de modo pertinente numa determinada situação. Competências e habilidades pertencem à mesma família. A diferença entre elas é determinada pelo contexto. Em resumo: a competência só pode ser constituída na prática”. (Guiomar Namo de Mello)[1]

Li recentemente declaração de Laszlo Bock, vice-presidente sênior do Google, matriz americana, afirmando que a escolaridade dos candidatos não está entre os requisitos principais na hora de contratar funcionários para a sua empresa. Trata-se de uma opinião genérica sem maiores esclarecimentos, pois ele não informa para qual posição é a demanda e muito menos para que nível funcional (Vice-presidente do Google diz quais são os 5 critérios da empresa para avaliar candidatos). Suas palavras, porém, são contundentes: “as notas obtidas na faculdade pelos candidatos são inúteis, pois não provam absolutamente nada”. Bock revela também que hoje em dia há um percentual cada vez maior de pessoas contratadas pelo Google que não possuem diploma universitário. Cita, no entanto, cinco atributos importantes procurados pela empresa nos candidatos: curiosidade, capacidade de aprender, humildade, motivação e liderança.

Sem nos atermos aos vieses semânticos entre as cinco dimensões do Google e as oito citadas no relatório investigativo da “A Curva do Aprendizado” – da Pearson e realizado pelo The Economist Intelligence Unit (EIU) – para que se possa conhecer o que está acontecendo nas escolas mundiais (veja artigo sobre o tema), há necessidade de fazermos uma comparação entre eles e de analisarmos as suas correlações.

Segundo o relatório, são oito as habilidades que os jovens devem possuir: domínio digital; liderança; comunicação (informar, persuadir e entreter indivíduos); inteligência emocional (autoconhecimento, controle; motivação, empatia e relacionamento pessoal); empreendedorismo; cidadania global; resolução de problemas e capacidade de trabalhar em equipe.

Por outro lado, a colunista da BandNews FM, Vicky Bloch, psicóloga e consultora de carreiras, destaca que as pessoas, com vistas a sua capacidade de empregabilidade, devem ter atributos baseados no tripé conhecimento, competências e rede de relacionamento. E esclarece:

O requisito conhecimento é fundamental para compreender cenários e interpretá-los para fim de negócios; a competência é o conjunto de atributos desenvolvidos na história de cada pessoa, de cada um, independentemente da idade, enquanto a rede (network) dá visibilidade a esses dois primeiros atributos.

O Google e o relatório EIU falam em habilidades contidas dentro das competências. Tais aspectos precisam ser esclarecidos.

Todos falam em competências, habilidades e atitudes que precisam, para uma linearidade de raciocínio, ser conceituadas e entendidas. Em poucas palavras, competência é a capacidade de transformar conhecimentos, habilidades e atitudes em ações concretas. Habilidade é um talento natural que pode ser aperfeiçoado. E atitude é o processo mental de reação aos acontecimentos que cada um possui.

Thereza Bordon aprofunda estes conceitos:

Competência implica mobilização de conhecimentos e esquemas mentais de cada um para desenvolver ações eficazes para resolver problemas novos. As competências pressupõem operações mentais, capacidade para usar habilidades, emprego de atitudes adequadas à realização de tarefas e ações. As habilidades estão relacionadas ao “saber fazer” e são inseparáveis das ações.

Vislumbrando as várias acepções de competências, parece-nos mais lógico o conceito relacionado à capacidade de bem realizar uma tarefa, ou seja, de resolver uma situação complexa. Para isso, o sujeito deverá ter disponíveis os recursos necessários para serem mobilizados com vistas a resolver a situação na hora em que ela se apresenta. Educar para competências é, então, ajudar o sujeito a adquirir e desenvolver as condições e/ou recursos para resolver uma situação complexa.

Como ensina Marcos Moretto,

Educar alguém para ser um pianista competente é criar as condições para que ele adquira os conhecimentos, as habilidades, as linguagens, os valores culturais e os emocionais relacionados à atividade específica de tocar piano muito bem.

Segundo palavras do próprio relatório aqui mencionado, “a comunidade mundial está voltada à educação”. Ou seja, é a comunidade cultuando a educação para a utilidade, para a empregabilidade, para a realização das pessoas e para o próprio desenvolvimento da humanidade. E a mensuração do valor econômico das competências para as sociedades está no uso da força de trabalho na vida adulta. Assim, o retorno econômico sobre a capacitação é maior para indivíduos de meia idade do que para os que estão adentrando no mercado de trabalho. E é importantíssimo saber qual a maneira de usar e manter as competências, além de expandi-las, razão pela qual, diferentemente do século passado, a necessidade do conhecimento nunca se exaure.

A grande questão refere-se a um posicionamento muito corajoso, sobretudo para as economias emergentes como o Brasil: para onde levar a educação?

E vai nisso um grande desafio para descortinar o futuro, associado às demandas sociais empresariais, considerando-se os novos mercados de novas atividades em contraposição às profissões em extinção. Há necessidade, como propõe o relatório da EIU, “de uma cultura de aprendizado e de entendimento sobre o valor de capacitar-se fomentada no estágio inicial da vida”. Assim, o documento tem uma utilidade inconteste: o entendimento de como os sistemas educacionais podem auxiliar no ensino e a manutenção das competências é, hoje, muito mais evidente.

A consequência de todas estas questões é que precisamos estar atentos às transformações ambientais do processo de ensino-aprendizagem, que certamente não será mais o mesmo. Mais do que as horas-carteiras, vale mais o domínio das competências profissionais adquiridas no correr da vida.

 

[1]Guiomar Namo de Mello é diretora da Escola Brasileira de Professores (Ebrap) e ex-conselheira do Conselho Nacional de Educação(CNE). http://www.namodemello.com.br/

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Uma resposta para “Afinal, o que significam habilidades e competências”

  • Prof. Anibal Domingos says:

    Prezado autor, o texto traz, em uma síntese bem colocada, quais os principais requisitos que estão sendo cada vez mais solicitados pelo mercado de trabalho. Os pontos abordados nos dois relatórios coincidem na essência. A sociedade produtiva sempre exigiu que competências e habilidades caminhassem juntas, muito embora só a bem pouco tempo esteja enfatizando(e ainda subliminarmente),a necessidade desse binômio ao contratar seus funcionários. Sei que já está parecendo um antigo e amarelado clichê, porém as escolas não têm autonomia necessária para conduzir o alunado nessa direção, uma vez que as questões conteudistas têm maior peso numa avaliação acadêmica. Por outro lado, a ingerência dos órgãos reguladores no como devemos proceder, deixa pouca margem e espaço para implementarmos um curso mais dinâmico, com a participação efetiva do aluno, interagindo com seus colegas e os diversos professores das diferentes áreas do conhecimento.
    Por menor que seja a inovação a ser proposta dentro de um curso, através de conteúdos mais voltados para o mundo como um todo, ela é automaticamente tolhida pela regulamentação do curso exigida pelo órgão centralizador:o MEC. Mesmo assim, as instituições ousam e muito, procurando um diferencial que possa envolver o aluno em sua escolha e levá-lo a perseguir um resultado positivo que poderá aplicar no seu cotidiano, sem mesmo se aperceber disso. Esse é o real papel da Educação. Transformar pessoas através da investigação constante, construindo, desconstruindo e reconstruindo o seu saber. Saber fazer muitas vezes independe do conhecimento teórico. Diz a lenda que uma bem conceituada escola de Engenharia Civil, em um de seus últimos períodos, mantinha um professor que encerrava suas aulas dizendo aos engenheiros prontos para o mercado:
    “Querem saber exatamente qual a quantidade do material que se faz necessário para erguer uma viga de concreto na construção de um prédio qualquer? Perguntem ao mestre de obras. Ele sabe o quanto e o como se deve fazer.” Verdadeiro ou não, é na prática do fazer que se desenvolvem e se aperfeiçoam as competências e as habilidades. E podemos dizer que os demais requisitos apontados pelo Google e pelo relatório da “Curva do Aprendizado” de Pearson, realizada pelo The Economista Intelligence Unit,são imprescindíveis para a formação de um profissional bem qualificado. Falam e exigem Qualidade. Esquecem que Qualidade se desenvolve também e principalmente com Criatividade, pois o conhecimento está disseminado pelo mundo tanto contido nos livros como midiático. Se um aluno for capaz de detectar todas as exigências contidas numa determinada campanha publicitária, por exemplo, estaria usando toda sua capacidade de ” casar ” o conhecimento teórico com o apelo feito através de sons e imagens numa disponibilidade exígua de tempo. Essa seria uma avaliação adequada para os tempos atuais. Percepção, leitura fina, análise e síntese. Quem melhor perceber, melhor e mais rapidamente estará apto para qualquer função que lhe for exigida. E assim o rio corre para o mar.
    É uma figura de linguagem que pode ser traduzida: o rio é o tempo do aluno em contato com a escola, seu curso, professores e colegas, num ambiente de razoável previsibilidade. O mar, o mercado de trabalho (autônomo ou empregatício) um eterno e desafiante desconhecido. Sabemos (?) o que o mercado quer, mas entregamos o profissional exigido? Seguramente não.
    Entregamos ao mercado o que ele pede? Novamente a resposta é NÃO. As boa exceções existem, mas temos que trabalhar o comum, aquele que não se apercebeu que pode mudar os meandros a percorrer para desaguar no mar e olhar para tudo com segurança, sabendo que pequenos deslizes são inevitáveis, porém, a assertividade será maior na medida em que ele se transformar num agente de constantes mudanças positivas do seu desempenho e na continua busca de aperfeiçoar o seu saber e o saber fazer.É isso. Obrigado.

     

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