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Claudio de Moura Castro
Revista Veja, publicado em 27 de maio de 2012
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As leis da natureza podem ser cruéis. O preço do sucesso aqui pode ser o fracasso ali. Em meados dos anos 70, peritos da Fundação Ford ajudaram a reformular o vestibular do Quênia. Tornaram as provas mais inteligentes e criativas, buscando testar aquilo que realmente correspondia a uma boa educação. Obviamente, reforçaram perguntas de raciocínio e reduziram o número daquelas que apenas testavam a memória ou refletiam aspectos culturais. É isso que cabe fazer, pois estudamos para a prova. Se a prova é boa, estudamos coisas boas. Mas eles esperavam também que as provas ficassem mais justas, dando melhores oportunidades àqueles de origem mais modesta. Surpresa! Comparadas com as anteriores, as novas provas distanciavam ainda mais os ricos dos pobres. Pouco tempo depois, orientei a tese de mestrado de uma moça que havia estudado com Piaget. Ela estava indignada com a injustiça trazida pelos testes de inteligência aplicados pela Secretaria de Educação, pois exigiam conhecimentos factuais e normas culturais, não apenas raciocínio e capacidade mental. Em contraste, os protocolos inspirados nas teorias de Piaget eram livres desses ruídos. Tomou então uma amostra de alunos e aplicou os dois procedimentos. Outra surpresa! Comparados ao teste tradicional da secretaria, os protocolos de Piaget refletiam ainda mais a origem social dos alunos.

Nessa época, eu dirigia um projeto internacional de pesquisas (Programa Eciel) que incluía sete países latino-americanos. Tratávamos de aplicar testes de rendimento escolar (antepassados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos – Pisa) e descobrir que fatores se associavam a bons resultados. Além das análises convencionais, decidimos separar as perguntas de memória daquelas que demandavam manifestações mais elaboradas de raciocínio. Tabulando, veio o mesmo resultado: os pobres obtinham escores relativamente próximos dos alcançados pelos ricos nas perguntas de memória, mas a distância aumentava com relação àquelas que mediam aplicação, raciocínio e análise. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não privilegia a memória. Portanto, se substituir um vestibular muito tradicional, dará uma vantagem extra aos alunos que frequentaram as melhores escolas. No panorama brasileiro, são predominantemente alunos de origem social mais elevada. A ideia de que seria uma prova que promoveria a igualdade social não passa de uma quimera. Eis o dilema. Se queremos uma educação melhor para o país, temos de sinalizar nos testes a direção do esforço esperado. Se a prova pedir raciocínio e análise, os alunos vão se esforçar para dominar essas competências. Se pedir para decorar, é isso que vão fazer. Portanto, o futuro da educação não pode abrir mão de provas que focalizem tais conhecimentos mais nobres – e não a memorização.

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Saulo Souza Dias
Pesquisador, publicitário, ativista ambiental e escritor. Consultor de marketing e Planejamento Estratégico Educacional. Criador da ONG Projeto Monteiro Lobato
prof.saulosouzadias@gmail.com 
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Uma nova revolução tecnológica está anunciada e a estruturação do ensino superior será inevitável

Um clique é o que bastará para irmos ao supermercado sem ao menos precisar estar fisicamente nele. Isso será possível num futuro não distante, em breve cada produto de nossa geladeira terá um número de série em um sensor ou microchip, que cadastrado numa rede mundial de endereços poderá gerenciar dados sobre todas as coisas, objetos e ideias. O leite de todos os dias ou outro bem que desejarmos, será controlado por este número e a sua reposição, seja pela escassez ou vencimento do produto, será solicitada diretamente ao supermercado e somente por um clique teremos nossas compras em casa.

Não precisaremos mais buscar em estantes imensas e corredores em labirintos as publicações do nosso interesse, pois a internet das coisas classificará cada exemplar, podendo ele estar em nossas mãos em questão de segundos ou sua ausência devidamente registrada.

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Prof. Domingo Hernández Peña
Escritor, professor de Turismo, Honoris Causa pela Anhembi Morumbi, e consultor de Comunicação
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José María de Areílza, conde de Motrico (com quem mantive uma estreita relação pessoal, política e profissional), duvidava dos jornalistas e dos professores. Como político, ministro, embaixador e intelectual de renome, e até mesmo como presidente do grupo de empresas da sua família, Areílza sempre teve dificuldades para se entender com os que informam e opinam de tudo, e ensinam de tudo. Ele, vaidoso, culto, inteligente e exigente, achava impossível o milagre de tanta sabedoria, ganhando salários tão baixos… Ou não conheciam tanto como diziam, ou escondiam sentimentos e ressentimentos perigosos…

Eu, que me dediquei desde menino à Comunicação e ao Ensino, não poderia pensar exatamente como pensava o aristocrata que tanto me ensinou. Mas não tenho medo de confessar que “só sei que não sei nada”. Hoje, o conhecimento é tanto, e cresce e se diversifica de forma tão vertiginosa, que não há vida nem cabeça nas que possa entrar todo o saber surgido num instante. O que acontecia em séculos, agora acontece em minutos.

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