Arquivo da categoria ‘Gestão Educacional’

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La Provincia – Diário de Las Palmas – Espanha
(tradução livre para o português, pelo editor )

Por ARIAS ANTONIO RODRIGUEZ

No início de agosto, a Controladoria-Geral dos Estados Unidos apresentou um relevante informe de auditoria que incluiu a U. S. Postal Service na lista de instituições ou programas de “alto risco”. Por quê? Sua precária situação financeira, que exige com urgência uma completa reestruturação com operações de fusão ou encerramento de qualquer das suas 38 mil unidades, reduzindo o número de empregados, a fim de se adaptar às novas tendências de cidadania
no uso do correio eletrônico (e-mail).

Estamos testemunhando a conversão de centenárias instituições. Muitas indústrias tradicionais, como a imprensa, o cinema ou a música estão sendo afetados, forçados a transformar o seu modelo de negócios ante o surgimento de tecnologias derivadas do uso massivo da Internet. A universidade não é exceção. Nos Estados Unidos, quatro milhões de pessoas estudaram de forma virtual algum curso superior em 2007.
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Prof. Dr. Fábio José Garcia dos Reis
Diretor do Centro UNISAL – Lorena
www.fabiogarciareis.com
Outubro de 2009

Um grupo de 34 brasileiros, em sua maioria do Centro Universitário Salesiano de São Paulo (UNISAL), mas que contou com a participação do mantenedor da Faculdade de Roseira e de uma gestora de Londrina, participou entre os dias 12 e 16 de outubro de dois seminários. O primeiro foi realizado no Boston College, sob a coordenação do Dr. Phlip Altbach. O segundo, na Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles, coordenado pelo Dr. William Tierney.
O objetivo dos seminários foi capacitar os gestores que estiveram nos centros de pesquisa de educação superior de Boston e de Los Angeles. O encontro foi organizado pela coordenação do curso de Lato Sensu de Gestão Universitária, do UNISAL de Campinas. No Brasil, todos nós sabemos que há carências na formação de pessoas preparadas para assumir funções na governança e na gestão das instituições de educação superior (IES). Há diferenças sensíveis no sistema de educação superior do Brasil em relação ao dos Estados Unidos, mas há consenso sobre o aprendizado e a validade dos seminários. O grupo retornou para o Brasil mais qualificado e com uma série de idéias que podem ser implementadas em suas atividades profissionais.
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O jovem terá de mudar de atitude para trabalhar e as empresas terão de mudar seu ambiente para atrair talentos.

NO ANO passado, 730 mil universitários e recém-formados se candidataram a 2.334 vagas de estágios e trainees de algumas das mais cobiçadas empresas, entre as quais Microsoft, Sadia, Nestlé, Itaú-Unibanco, Braskem, Unilever. Apesar da abundante oferta de mão de obra -cerca de 3.100 candidatos por vaga- vinda das melhores faculdades do país, 10% dos postos não foram preenchidos. Responsável pela seleção, a psicóloga Sofia Esteves, presidente da Cia. de Talentos, já sabe há muito tempo que a maioria dos jovens não passa na peneira por causa da baixa formação (não ter fluência em inglês, por exemplo) e até dificuldade de expressar com clareza uma idéia. Isso é, porém, parte do problema.

Uma pesquisa que ela conduziu, concluída no mês passado, com 31 mil universitários, mostra que o assunto é mais complexo e revela um conflito geracional -as empresas não estão entendendo os jovens, formados na chamada era da informação. E os jovens não entendem o que as empresas pedem. “Há um modo diferente de encarar o mundo”, afirma a psicóloga.

A pesquisa mostrou que quase a totalidade dos universitários que disputaram as vagas de trainee e de estágio estão habituados a navegar em mais de uma rede social pela internet, como Orkut e Facebook. É uma geração que aprendeu a não reverenciar hierarquias, criada num ambiente interativo e colaborativo, com uma enorme variedade de opções. O que existe de habilidade para tarefas simultâneas e velozes, falta em foco e aprofundamento. É uma atitude reforçada pelo clima familiar, com a mudança da relação de autoridade de pais e filhos. Imagina-se que a empresa possa refletir esse tipo de ambiente com baixa hierarquia e até, quem sabe, falta de limites. A pesquisa indicou que entre as cincos razões para se deixar uma empresa, o salário está em quarto lugar. “A maior motivação não é o dinheiro”, afirma Sofia.

Em primeiro lugar, aparece a “falta de desenvolvimento profissional” como a maior razão para não ficar no emprego. Em segundo, praticamente empatado, “não ter ambiente de trabalho agradável” e, em terceiro, “não ter qualidade de vida”. Detalhando-se as respostas, vemos que muitos imaginam a empresa como um espaço de lazer que proporciona bem-estar. Seria quase um clube, movido a criatividade.

Na seleção, essa visão dos candidatos transparece. Para o jovem, o que significa prazer é, na visão do empregador, incapacidade de lidar com a disciplina. Quando um fala em ambiente criativo, outro suspeita de falta de disposição em obedecer à hierarquia. Em suma, essa geração quer ficar num lugar prazeroso, criativo, onde possa se sentir evoluindo. Daí se explica a crescente tendência entre os jovens de preferir abrir suas próprias empresas, onde talvez até ganhem menos e vivam com mais insegurança, mas consigam determinar seu horário de trabalho. Tantos candidatos não preenchem tão poucas vagas porque há também uma carência de comprometimento. Uma parte deles é cortada simplesmente porque não vai às entrevistas. Isso depois de passarem nas duras provas, que exigem, entre outros requisitos, além de fluência em língua estrangeira, testes de raciocínio lógico. Lembremos que, nesse caso, eles estão disputando postos em algumas das mais reverenciadas marcas do mundo empresarial. Sofia diz que, certa vez, marcou 18 entrevistas para um sábado. Apenas dois se apresentaram. “Liguei para eles.

Muitos não foram porque não conseguiram acordar cedo no final de semana ou tinham marcado, naquela hora, outros compromissos.”

O problema prossegue depois que eles passam nessa apertadíssima seleção. Cerca de 15% dos aprovados não suportaram a pressão e desistiram logo no primeiro ano de trabalho -o que, para empresa, é dinheiro jogado fora. O que se vê aqui é o problema da falta de resiliência, a dificuldade de suportar as adversidades. Ou, mais simples, a dificuldade de ouvir não. “Alguns saem porque seu projeto não é aprovado e ficaram aborrecidos”, conta Sofia.

PS – A pesquisa revela que o jovem entra na empresa já vendo a porta de saída; 14% acham que deveriam ficar no máximo quatro anos; outros 51% até, no máximo, dez anos. O resumo, na visão de Sofia, é que o jovem terá de mudar de atitude para trabalhar e as empresas terão de mudar seu ambiente de trabalho para atrair talentos. Nem um lugar fechado que iniba a criatividade -nem tão aberto que parece a casa dos pais, onde não existe frustração. Nessa combinação, talvez esteja o futuro do emprego.

Folha de São Paulo, 27/09/2009
SOFIA ESTEVES, entrevistada pelo jornalista Gilberto Dimenstein.

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