Arquivo da categoria ‘Cultura e literatura’

Antonio OliveiraAntônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Em “A Poesia é Necessária”, Rubem Braga reúne poemas por ele próprio selecionados. Considerado, senão o maior, um dos maiores cronistas brasileiros, o “velho Braga”, como passou a ser chamado, manteve uma seção, com esse nome, de 1953 a 1956, na revista Manchete. De 1979 a 1990, ano de sua morte, manteve uma coluna na Revista Nacional, tabloide que circulava encartado nos Diários Associados. O que Rubem Braga reuniu, nesses dois períodos, acabou por constituir uma antologia da produção poética, do gênero lírico, desde Padre Anchieta. O livro é organizado por André Seffrin.

Autor de poemas em prosa, Rubem Braga é um poeta sem versos. Sua obra é prosa em linguagem poética, tamanha a sua sensibilidade de inspiração, beleza da forma e ritmo. Ter alma de poeta é um estilo de vida, é ter uma percepção da face oculta das coisas. Não é objeto de pesquisa, mas de recriação, recriação do mundo. À maneira do arquiteto, o poeta cria seu universo, dentro da sua visão. Enquanto alguns sonham alto, outros agem à sorrelfa, procurando levar vantagem em tudo. Sem espaço para a cultura e a poesia. Sem espaço para a doce poesia do Natal.

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Antonio OliveiraAntônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Por muito que eu compartilhe a dor do outro, essa dor me é alheia. Não é minha. “A dor, afinal, é uma janela por onde a morte nos espreita”, lá diz, na espreita, Mia Couto, sonâmbulo em Terra sonâmbula. E morte a gente só vê a dos outros. Por isso lá vou eu a meter minha colher. Não para abrir mais a ferida, mas para cicatrizar alguma, por certo remanescente, com o bálsamo da fé. Essa sensação se tem num hospital. Outros pacientes parecem estar a sofrer mais do que a gente que, pelo menos, conta com um plano de saúde numa terra de desassistidos.

Já se disse que Deus sempre perdoa; o ser humano, às vezes; a natureza, nunca. Essa se “vinga” na proporção de causa e efeito. Invadimos o espaço dos rios. Usurpamos-lhes o lençol freático. Envenenamos suas águas. Em contrapartida, temporais, trovoadas com relâmpago de titãs, dilúvio. 2020. Janeiro. Chuvas torrenciais caem sobre Minas Gerais, Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Estados atingidos, no corpo e no espírito, no corpo e na alma, na epiderme da alma, por arrastões de enxurradas, levando tudo, literalmente tudo, de roldão. Destroços sendo levados indistintamente de áreas de risco e sem risco também. Espetáculo dantesco!

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Antonio OliveiraAntônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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“Dar o recado” é uma expressão bem nossa, brasileira, que significa o ato de transmitir, sem ruído e com eficácia, ao leitor, ouvinte ou expectador, as ideias ou mensagens contidas em livro, filme, novela, música, obra de arte, palestra, entrevista, discurso, aula. Em suma, transformar uma informação, no caso, eficaz, em comunicação, isto é, passível de retorno satisfatório. “A bom recado” é outra expressão. Quer dizer livre de perigo, de censura, de deturpação, em seguro, a recado, a bom recato.

Palco é palco, eis a realidade. “Minha vida é um palco iluminado” é iluminação que vem da cabeça e do coração do poeta. Criação, isto é, poder, cabeça, para abstrair do objeto; sensibilidade, para metaforizar, indo além. O emprego de metáforas é mais usual do que se imagina. Quando se chama um político de raposa, todo mundo “capta a mensagem”. Um pintor ou um escultor é capaz de transformar uma batalha ou a consternação de uma mãe com o filho morto, no colo, peça digna de admiração, haja vista a Pietà ou Guernica.

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