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Arquivo da categoria ‘Cultura e literatura’

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Antônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Há quem tenha ideia de concreto como aquilo que a gente pode ver e pegar. Por oposição, abstrato, aquilo que a gente não pode ver nem pegar. No entanto, todo substantivo comum é, por natureza, abstrato, pois designa o conjunto de seres de uma mesma espécie na sua totalidade. Observe-se, então, como “mesa” em geral, abstratamente, se distingue do concreto: “esta” mesa.

Os antigos filósofos gregos sabiam ir fundo nas coisas. Alguém teria objetado a Platão: “Posso ver uma mesa e uma xícara, mas não posso ver isso a que você se refere como mesidade e xicaridade”. Resposta do filósofo, de irônica compaixão: “Para ver uma mesa e uma xícara você precisa de olhos, e você os tem. Para ver ‘mesidade’ e ‘xicaridade’ é preciso inteligência, e você não a tem”.

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Antônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Passadas as festividades de fim de ano, eu também ainda me pergunto, como Cyro dos Anjos que indaga da comemoração do Natal: “Que elemento se introduzirá na essência das coisas para que tudo venha, assim, apresentar uma face nova e desconhecida, e para que todos os seres ganhem uma expressão especial, quase graciosa, de agitada felicidade?” Em gran finale, bem à brasileira, sem neve nem trenó, Cyro dos Anjos arremata: “As árvores se fazem mais verdes, e os pardais, como cantam!” Nem mesmo as chuvas que costumam cair torrencialmente, nessa época, ofuscam o esplendoroso brilho das luzes de Natal. Aliás, culturalmente, o Natal apresenta mais charme que a própria Páscoa, eixo do ano litúrgico, portanto de significado central.

Por sua vez, o consumismo toma conta do ambiente. Atraídos pela propaganda, apresentamos um cartão mágico, digitamos uma senha, e pronto! Processando… Retira-se o cartão. A comemoração está sacramentada… e a dívida, contraída. Na verdade, o Natal, em 25 de dezembro, coincide com o fim do ano. E aí encontro uma explicação para essa efervescência, mesmo no lodo e na lama das enchentes. Passagem de ano une fim e começo, o feito, o desfeito e o por fazer, liquidação, novos empreendimentos, novos propósitos. Novo amanhecer, novo dia, ano novo, “vida nova, esperanças simples e simples esperanças”. Além disso, embora o Natal seja festejado praticamente no mundo todo, no Brasil não temos estações do ano diferenciadas. Nossas estações correspondem a calor, estiagem, chuvas, frio sem neve. A primavera, por exemplo, não tem para nós o mesmo glamour de outros países. É mais um mote poético, inclusive associado aos aniversários: completar tantas primaveras.

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Antônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Escarafunchar datas. Fazer de cada comemoração um mosaico, um núcleo, uma referência. Quem escreve sobre datas comemorativas não escolhe o tema, escolhe a abordagem, não importando a controvérsia em torno de tantas datas disso ou daquilo. Escrever a respeito de datas, algumas, por sinal, bem triviais, é um pão nosso de cada dia e um trabalho também diário de produzir esse alimento. Inclusive questionando a obsessão consumista de determinados produtos de época, tipo bacalhau na Quaresma, ovos de chocolate na Páscoa, comes e bebes e presentes a mancheias no Natal.

Identificar o sublime em meio ao grotesco de certas comemorações se assemelha ao garimpo de ouro de aluvião. Nas mãos, a bateia a peneirar e a lavar areias auríferas, e sem o prognóstico de Tomás Antônio Gonzaga, em “Marília de Dirceu”: “Não verás separar ao hábil negro / do pesado esmeril a grossa areia, / e já brilharem os granetes de oiro / no fundo da bateia”. Verás… ou poderás ver sem recorrer a mercadorias empurradas, mediante lavagem de cérebro, por um tipo de propaganda chata pra caramba, a zunir aos nossos ouvidos e a magnetizar olhares incautos.

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