Arquivo da categoria ‘Cultura e literatura’

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Ana Clara Brant
Estado de Minas, publicado em 31 de outubro de 2011
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No poema O tempo passa? Não passa, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), há um verso que demonstra o quanto o escritor itabirano não dava importâncias às datas: “São mitos do calendário tanto o ontem como o agora, e o teu aniversário é um nascer toda a hora…”. E é exatamente o espírito dessa frase que os organizadores do Dia D, que será promovido amanhã, quando o mineiro completaria 109 anos, querem disseminar. “A intenção é esta: realizar esse evento todos os anos, não só aqui, já que é uma iniciativa do Instituto Moreira Salles (IMS). Queremos que a ideia se espalhe por todos os cantos e faça parte do calendário cultural do país, sem ser feriado. Que seja algo automático e corriqueiro para todos. Drummond merece ser sempre celebrado”, declara Eucanaã Ferraz, um dos curadores do projeto e consultor de literatura do IMS.

O Dia D Drummond é inspirado em iniciativa semelhante, quando não só os irlandeses mas gente de todo os cantos festejam o escritor James Joyce, anualmente, em 16 de junho, com o Bloomsday. Para Flávio Moura, outro curador do projeto, o objetivo do instituto é promover e difundir a obra do mineiro. E, para isso, está convocando parceiros e amigos para comemorar a data, em todo o Brasil, e até em Portugal, seja nas escolas, universidades, livrarias, museus ou até mesmo sozinho. “É mais uma oportunidade de reverenciar Carlos Drummond de Andrade. Este ano, o instituto servirá como difusor, para que, nos anos futuros, as pessoas possam organizar por conta própria suas comemorações. Vamos ter uma programação intensa em várias cidades, como Rio, São Paulo, principalmente, e também em Itabira e Belo Horizonte, com a exibição de filmes e documentários, recitais de poesia, debates. Temos despertado o interesse e a simpatia de muita gente e atraído muitos parceiros”, revela Flávio.

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Antônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Etcétera é uma expressão que faz que diz mas não diz. Não enumera. Não determina. Por isso, em nenhum texto de lei se há de encontrar um etc. Tampouco na poesia. A não ser que seja um poema sobre etcétera. Em “ler pelo não, quem dera!”, Paulo Leminski propõe “ler pelo não, além da letra / ver, em cada rima vera, a prima pedra / onde a forma perdida / procura seus etcéteras”. E propõe ainda: “desler, tresler, contraler / elear-se nos ritmos da matéria / no fora, ver o dentro, e, no dentro, o fora / navegar em direção às Índias / e descobrir a América”.

Mas quem disse que a comunicação tem que se esmiuçar em detalhes? “O melhor ainda não foi escrito. O melhor está nas entrelinhas.” “Mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas”. Pelo menos não vale esmagar com palavras as entrelinhas de Clarice Lispector.

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Prof. Dr. Valmor Bolan
Doutor em Sociologia e Presidente da CONAP (Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do Programa Universidade Para Todos – ProUni)
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Comemoramos o dia do professor na data em que se celebra a festa de Santa Teresa de Ávila, Mestre e Doutora da Igreja. Para ela, só era possível educar com amor, daí o sentido magno do magistério, visando extrair do estudante o que ele já contém em si, a própria vida cheia de conteúdo, para transbordar na pujança dos talentos. É através do processo educativo que a pessoa não apenas se instrui, mas se conhece (conhece também os seus limites), a partir de uma disciplina que permita um equilíbrio emocional e uma razão também equilibrada para superar os problemas e desafios da vida, buscando um aprimoramento sempre necessário. Ao longo da história tem sido assim, daí a importância daquele que dedica a sua vida à educação, um ofício realmente nobre, dotado de uma grande dignidade, imprescindível para o bem de toda a sociedade.

Mais do que um mestre do saber, o professor é chamado a ser um cultivador de humanidade, na medida em que desperta em cada aluno o amor à vida, e aquelas exigências necessárias para um convívio civilizado e promissor. Daí que o professor não é apenas um transmissor de informações, mas tem deveres morais em suscitar nos estudantes a responsabilidade, e as motivações em bem empregar suas potencialidades para o bom desenvolvimento social. Cada aluno é um universo em potencial, sendo bem preparado pode dar bons frutos. Nesse sentido, é preciso que haja uma pedagogia como quis Santa Teresa de Ávila: educar com amor. Sem isso, prevalece apenas um tecnicismo incapaz dos avanços da inteligência e da criatividade, capaz de tornar melhor as relações humanas, o ambiente em que vivemos e as perspectivas do verdadeiro progresso humano. O elemento fundamental é mesmo esta disposição de tornar o outro melhor como pessoa, daí o professor exerce uma função muito importante, no que é mais do que uma profissão, mas uma missão especial.

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