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Arquivo da categoria ‘Qualidade de ensino’

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Rayanne Portugal
Assessora de Comunicação da ABMES
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Valentina acorda às 6 horas para trabalhar. De segunda a sábado. Fernando também começa cedo, dividido entre as rotinas da universidade, do centro acadêmico e do grupo de extensão. Ela acaba de dar início ao curso superior de Direito, aos 24 anos, em uma instituição pequena da cidade. Ele passou para o curso de Engenharia Aeronáutica assim que encerrou o ensino médio, aos 17, com notas tão boas que poderia escolher onde estudaria. Ele foi para a melhor Federal, mudou-se para a capital e passou a viver perto da universidade, bancado pelos pais. Enquanto isso, ela adiou os estudos para buscar o primeiro emprego.

Com salário-mínimo de Valentina, não foi possível entrar na faculdade. Não antes que as excelentes escolas particulares por onde Fernando passou o tivessem treinado para ser o melhor em cálculo e lógica. Para Valentina, acostumada a ser a primeira da escola pública onde aprendeu o bê-á-bá, ingressar no ensino superior continuaria a ser um projeto distante até que pudesse pagar a mensalidade do curso particular.

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Robinson Ricci, diretor da ESEFAP
Blog de Simon Schwartzman, publicado em 27 de janeiro de 2012
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Quando o Walmart chega a uma pequena cidade, a população pode comprar produtos mais baratos e diferentes, mas muitos pequenos negócios fecham, e muita gente perde seu emprego, ou tem que aceitar as condições de trabalho que a grande empresa oferece. Para sobreviver, é preciso oferecer um produto diferenciado, um serviço mais pessoal e de melhor qualidade, mesmo que a a um preço maior, que os grandes supermercados não podem proporcionar. Será que isto está ocorrendo também no ensino superior privado no Brasil, com a entrada das grandes universidades privadas de ensino de massas? Existe ainda espaço para as pequenas faculdades familiares e personalizadas? Veja abaixo o desabafo do diretor de uma pequena instituição familiar no interior Paulista.

Dirijo uma pequena (três cursos) IES no interior de São Paulo, criada em 1970 por um grupo de jovens profissionais liberais, então em torno de 35 anos. Estes foram, durante décadas, seus mantenedores/diretores, até que a segunda geração assumiu a direção (2007).

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Hildelano Delanusse Theodoro – Professor, sociólogo e coordenador do Núcleo de Inovação Santo Arnaldo da Faculdade Arnaldo
Estado de Minas, publicado em 25 de janeiro de 2012
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Apesar de ser muito discutida e pretensamente entendida, a palavra ética tem um contorno muito vinculado com a formação do caráter humano, principalmente quando considerada sob a ótica clássica de sua definição aristotélica. E mesmo com inúmeras outras possíveis definições, a aqui colocada serve como mote para uma discussão urgente dentro das instituições de ensino superior (IES): o aumento assustador da falta de ética profissional docente. O tema aqui se refere não somente ao baixo nível das discussões que ocorrem em salas de aula, com o favorecimento explícito ao aluno-cliente, frente ao posicionamento autônomo dos professores, como, principalmente, ao fato de que uma grande parte dos docentes, hoje em dia, sequer é formada nas áreas em que lecionam, ou terem qualquer tipo de experiência comprovada e qualificada para tanto. E se levarmos em conta as orientações contidas na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), instituída por portaria ministerial em outubro de 2002, o tamanho da desfeita se torna ainda maior. Atualmente, o número de professores sem graduação/pós/experiência em determinadas áreas, principalmente de humanas, para lecionar disciplinas vinculadas à ética profissional ou movimentos sociais, por exemplo, é assustador e se torna cada vez mais comum dentro das IES.

Afinal, a pergunta a fazer não deveria ser tanto o que é necessário para uma postura ética, e sim, quais as qualificações para o exercício de atividades de ensino superior vinculadas ao tema. De outra forma, continuaremos a produzir o que se vê diariamente nas salas de aulas: um conjunto de alianças entre o aluno que quer apenas se formar o quanto antes e de qualquer forma (mesmo que para tanto tenha de se utilizar de mecanismos escusos) e o pseudo-docente, que, mesmo sem ter a formação adequada, deseja mesmo é receber pela carga horária referida e, ao mesmo tempo, indevida (uma vez que poderia, teoricamente, aprender a repetir sobre os conceitos éticos em qualquer livro). Mas o verdadeiro problema, talvez, não se esconda simplesmente nessa relação utilitarista e distante da formação do caráter do princípio ético, tão necessário nesse país, que favorece o jogo das aparências sociais e onde os currículos muitas vezes não são comprovados nem demonstrados na prática cotidiana das instituições.
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