Marco Aurélio Giovanella
A Notícia, publicado em 3 de outubro de 2011
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Como é bom ser professor de marketing pela discussão com alunos de teorias dos célebres professores Kotler, Ansoff, Porter, Levitt, Richars, Blackwell, Lovelock, Cobra, Aaker, Malhotra, Mattar e outros, pela discussão de cases empresariais e também pelos causos que vivenciamos em sala de aula e em outros locais, mostrando-nos a necessidade de atuar na educação de forma ampla.

Causo verídico: estava em sala de aula, falando sobre administração de marketing, indicando para consulta o livro mais famoso do Kotler: “Administração de Marketing: Análise, Planejamento e Implementação e Controle”, considerado um dos 50 livros mais importantes do século 20 em gestão, quando fui interrompido por uma aluna adulta, com voz desafiadora, questionando se eu sabia o que era um bom livro.

Comecei a argumentar, mas ela interrompeu e salientou o que seria um livro exemplar: “Livro bom é aquele que não para em pé”. De forma didática, retirou um livro de no máximo 20 folhas (daqueles com título: sete passos para aprendizado de marketing, negócios, sucesso, etc.) e colocou-o na posição vertical sem segurá-lo com as mãos. O livro caiu, meus conceitos também. Sua deliberada teoria: livro para profissionais e pessoas “de mercado” são livros que não ultrapassam 30 páginas, assim não se sustentam em pé e não dão sono. Outros colegas dela salientaram que aprendiam tudo com textos “curtos” da internet. Felizmente, na sala a maioria era mais esclarecida.

Acredito e também utilizo as novas tecnologias no ensino (internet, redes sociais, blogs, vídeos online, etc.). Todavia, os clássicos (livros e outras fontes com análises mais profundas) não devem ser preteridos. A grande “sacada” é agregar, não excluir (um ou outro). Caso utilizemos só ou primordialmente as novas tecnologias, poderemos ingressar em mais uma onda, na qual, “surfaremos” em conhecimentos superficiais (grande amplitude e baixíssima profundidade).

Conhecer vários assuntos superficialmente, utilizar tecnologias somente porque está na moda, falar/seguir outras pessoas pelas redes sociais não garantem necessariamente educação, conhecimento, aprendizado ou cultura. O que diferencia é o que se faz ou se deixa de fazer com as novas tecnologias e o tipo de conhecimento que é procurado e obtido. Novas tecnologias são meios, não objetivos finais.

*Professor e pesquisador de marketingmarco.giovanella@gmail.com

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