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Sandra Mara Bessa1
Bernadete Pessanha Cordeiro2
Anelise Pereira Sihler
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O mundo está mudando com uma rapidez incrível e com intensidade cada vez maior. A mudança sempre existiu, mas não com o volume, a rapidez e o impacto com que ocorre hoje. Os desafios dos responsáveis, hoje, pelas organizações, especialmente as educacionais, decorrem, de um lado, do novo formato das relações do homem com o mundo especialmente no que diz respeito à competitividade e de outro lado, das mudanças por que passa o mundo, com impacto relevante na natureza da educação e nas relações de trabalho.

São inúmeros os fatores que contribuem para isso: as mudanças tecnológicas, econômicas, sociais, culturais, legais, políticas, demográficas e ecológicas que atuam de modo conjugado e sistêmico, em um campo dinâmico de forças que produz resultados inimagináveis, trazendo imprevisibilidade e incerteza para as organizações. Daí a necessidade de se investir no potencial humano presente nessas organizações que se tornam efetivamente instituições que aprendem em um contexto complexo.

Tais mudanças orientam para o investimento em uma formação diferenciada cujas características se voltam para um perfil de pessoas que abandonam a obediência cega na execução de suas atividades e volta-se para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à iniciativa, autonomia, criatividade, autoaprendizagem e adaptabilidade a novos contextos. No tocante a esse novo paradigma, Toffler (2004), em sua obra A Terceira Onda, alerta que são premissas da sociedade do conhecimento:  significância, posicionamento em relação à realidade a nossa volta, em relação à própria vida e em relação ao outro.

Assim, espera-se que os estudantes assumam posturas reflexivas sobre seu próprio fazer enquanto profissionais em formação que precisam se preparar de maneira adequada para se inserir no mercado. Não basta aprender a fazer, mas é preciso ir além, aprender a aprender, a ser e a conviver. A par disso, essa nova era da sociedade do conhecimento e da sociedade da informação, que se desenvolvem em ritmo crescente e acelerado, amplia os desafios de formação inicial e continuada que assumem um caráter estratégico seja em termos individuais ou coletivos.

Barcia (2007) afirma que enfrentar os desafios e conviver num ambiente onde a cada dia se torna mais complexo prever ou mapear comportamentos e reações entre os indivíduos, faz com que o clima organizacional esteja intimamente ligado ao comportamento e relacionamento de seus participantes. E o ambiente que envolve as organizações é extremamente dinâmico, exigindo dos indivíduos que nela atuam, uma elevada capacidade de adaptação. Pensar nas relações dos indivíduos e organizações entre si, o comportamento que cada um apresenta como parte de sua personalidade, sua concepção de mundo, como ser-em-relação, é pensar em adaptação e, consequentemente, em relação, mudança e aprendizagem. […] A organização pode ter os mais bem desenhados processos e os mais sofisticados sistemas do mundo, mas se o relacionamento entre as pessoas não for saudável, nada irá funcionar, significando, assim, que é necessário que cada um, além de conhecer-se bem, saiba compartilhar e conviver em grupo. Essa competência relacional deve, portanto, dada a sua importância, ser trabalhada desde muito cedo nos ambientes educativos.

A convivência, que se estabelece nos ambientes educacionais, os quais replicam as realidades sociais, pressupõe interação como processo que ultrapassa os limites do simples enviar e responder mensagens. Mais que isso, a interação aqui implica recursividade, tendo em vista que os interlocutores estabelecem relações dialógicas. Assim, é na convivência, na ação sobre o outro, estabelecida a partir de uma comunicação autêntica e significativa, que se constrói a coaprendizagem ou a aprendizagem colaborativa.

Para que se consolide uma cultura de aprendizagem dessa natureza, é fundamental vencer uma série de desafios. Dentre eles, há que se reconhecer o valor potencial e real das qualidades das pessoas com quem se convive. Isto só é possível se compreendemos como as pessoas sentem, pensam e agem. A melhor maneira de alcançar esse desafio é, sem dúvida, pelo exercício da escuta ativa, do respeito à alteridade e do feedback ao interlocutor.

Outro desafio está em perceber como as pessoas aprendem, como constroem o conhecimento, considerando suas diferentes dimensões: conceituais (leis, teorias, conceitos, princípios), atitudinais (valores, crenças, atitudes e posturas) e procedimentais (métodos, técnicas e procedimentos). Dessa forma, é evidente a necessidade de se recorrer, nos ambientes de aprendizagem, ações diferenciadas que propiciem a dialogia, como seminários, reuniões, debates, games, workshops, participação em eventos, fóruns de debates e troca de informações.

O terceiro desafio diz respeito a dar sentido à aprendizagem, observando a necessidade de uma prática reflexiva que permita a auto-ego-organização. Isso implica dizer que a aprendizagem significativa pressupõe um processo de reflexão, ação e reflexão e utiliza ferramentas institucionais como a visão de futuro, a missão institucional, as metas, os projetos, o planejamento estratégico, a iniciação científica, pesquisa consistente, aliada à extensão, entre outros.

O desenvolvimento de redes se configura como quarto desafio a ser vencido, compreendendo uma grande teia que se tece com as tecnologias, serviços, pessoas, ideias, informações e contam com as ferramentas diversas: diretrizes estratégicas nos cursos e componentes curriculares; cultura forte de planejamento e avaliação; acesso, disseminação e a segurança das informações; investimento em processos interativos; estímulo a um alto volume de sugestões e ideias dos estudantes; estímulo a criação e inovação; trabalho em equipes e valorização da formação de lideranças.

Para Farias (2018), essas tendências, comportamentos, tecnologias, práticas com vista à resolução de problemas e de inovação ampliam as possibilidades de aprendizagem por permitirem a aquisição de conhecimentos mais significativos e palpáveis, de forma preparar melhor os acadêmicos a atuarem no setor de formação, levando a gerar um indicador de inclusão mais condizente para o mercado de trabalho.

Instituições de Ensino Superior preparadas para tamanho desafio, sem dúvida, percebem com maior clareza, as resistências, os obstáculos, as possibilidades e os significados das diferentes situações e propostas com que se depara. Para tanto, é preciso redimensionar valores, especialmente, aqueles ligados à comunicação, capacidade discursiva que permite a aglutinação ou a ruptura; o consenso ou o conflito, a convergência ou a dissidência que geram o que aqui chamamos de coaprendizagem, pois que se dá inicialmente em um processo de intra-aprendizagem para depois se configurar como interaprendizagem.

Referência bibliográfica

BARCIA, M. S. Comportamentos e relacionamentos dos indivíduos na organização: uma contribuição das teorias da gestalterapia e da ciência da complexidade. Dissertação de Mestrado. Florianópolis, UFSC, 2004. Disponível em: http://teses.eps.ufsc.br/defesa/pdf/16314.pdf.  Acesso em: 23 jun 2007.

FARIAS, Elizângela. Educação Superior: Cocriação e Inovação. Disponíveis em: https://www.olhardireto.com.br/artigos/exibir.asp?id=9278&artigo=8203educacao-superior-cocriacao-e-inovacao. Acesso em: 19 ago. 2019.

TOFFLER, A. A Terceira Onda. 27º. São Paulo: Record, 2007.

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Sandra Mara Bessa1 – Mestre em Educação. Especialista em Aprendizagem Cooperativa e Educação a Distância. Coordenadora Geral Acadêmica da Universidade Católica de Brasília.

Bernadete Pessanha Cordeiro2 – Doutoranda em Gerontologia. Mestre em Educação. Assessora da Coordenação Geral de Planejamento e Avaliação da Universidade Católica de Brasília.

Anelise Pereira Sihler3 – Doutoranda em Educação. Mestre em Psicologia. Diretora da Escola de Educação, Tecnologia e Comunicação da Universidade Católica de Brasília.

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