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Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)
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“A educação requer novas formas, novos conteúdos e novos modelos. A educação na sociedade digital não tem espaço, nem tempo. É multidirecional porque na sociedade em rede a riqueza está nas conexões, na globalidade, na abertura. Em uma sociedade em transformação permanente, a inovação é contínua e se acabaram as certezas e só, pelo intercâmbio constante de experiências e de conhecimentos será possível o progresso pessoal e coletivo”. Juan Manuel Zafra- diretor de Telos

O livro “O futuro da humanidade” de Michio Kaku traz com bastante clareza o perfil do Homo Sapiens com a seguinte colocação: “Quando comparado com outros animais percebemos na média, sermos mais fracos e desajeitados. Não corremos tão rápido, não possuímos qualquer tipo de garras, não voamos, nosso olfato não é apurado, não somos dotados de armadura, não somos muitos fortes e nossa pele não tem uma camada protetora de pelos e é bastante delicada. Em cada categoria vê-se que há animais superiores no aspecto físico. Por sermos fracos e desajeitados, sofremos enormes pressões para adquirir as habilidades que faltava em outros animais. Para compensar nossas deficiências, tivemos de nos tornar inteligentes para vencer as adversidades”.

Razão de passarmos nosso modo de viver, nossos costumes, nossas crenças para as gerações que se sucederam e chegarmos até os dias de hoje.

O mundo existe tal como é devido a inteligência humana e para sobreviver sofremos muita fome, muitas guerras, muitas mortes, muitas doenças e muita destruição, inclusive, atualmente, pelo completo descontrole do ambiente em que habitamos. Gênero humano é céu e inferno ao mesmo tempo e é o normal em todas as civilizações.

Prova disso é a decepção que tivemos ao assistir meia hora do debate dos dois candidatos à presidência dos EUA. Que risco e que perigo, a nação líder do mundo ser dirigida por mediocridades destituídas de qualquer bom senso. Um falando mal do outro e sem uma mensagem de otimismo para a solução dos problemas mundiais. O que nos consola comparando com as sumidades que temos por aqui. Mas, a raça humana é assim mesmo: impiedosa com o adversário. Vejam o que o jornal Globo de sábado noticia num lugar onde devia existir só santos: Propinas, nepotismo e espiões; a trama que faz tremer a cúpula da Igreja católica com as intrigas daqueles que desejam mudar as orientações do papa atual.

E em todos os países é o mesmo, pois não há maneira de convergência dos blocos políticos, todos em busca do poder e das realizações pessoais. Há, porém, um fato real que nem todos estão sentindo na pele: a pandemia. Ao mesmo tempo que ela evidenciou e acelerou o uso das tecnologias, em muitos setores, mostrou de forma escancarada em todas as partes do mundo, as desigualdades econômicas, sociais, de saneamento, de saúde, do meio ambiente, de transporte, de urbanização, de moradia, e de estágio do trabalho.

A Covid -19 ensinou-nos muitas coisas e, entre elas, que precisamos dar mais atenção e estarmos preparados ao que a ciência nos ensina e nos alerta para o futuro, sobre o que vai acontecer daqui a 20, 30 e a 50 anos. E o que as mentes mais lúcidas ratificaram é se a humanidade não agir unida, ela perecerá. O desafio mais contundente foi proposto no artigo da Professora Patrícia Gil “Como construir um mundo melhor pela Educação”, publicado na Revista Telos nº 114, da Telefônica, cujo roteiro serve-nos para reflexão. A empatia, a solidariedade e o trabalho colaborativo são estratégias fundamentais para que os estudantes construam um mundo melhor através da resolução de problemas, usando a tecnologia. Uma dedução fácil de ser pensada, difícil de ver concretizada e que serve de diretriz se quisermos construir obras marcantes e enfrentar grandes desafios, devemos juntar nossas forças, unindo-nos uns aos outros. Consequentemente a empatia, a solidariedade e o trabalho em conjunto precisam   ser uma constante.

2020 será um ano paradigmático porque no setor educação está nos mostrando que quem tem acesso à tecnologia vencerá e quem não tiver, perderá. A tecnologia que todos falavam que podia ser aplicada à educação, de repente tornou-se unanimidade e todas as escolas de ensino básico precisaram aplicá-la da noite para o dia, pois estavam fechadas.

Não sei se todos conhecem a plataforma colaborativa Khan Academy, que tem o propósito de oferecer educação gratuita de primeiro nível a qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta revolucionando a relação espaço e tempo. Ela mudou o modelo tradicional de transmissão e hoje conta com 70 milhões de alunos de 190 países que falam 46 idiomas (iniciativa de um visionário, apoiado por colaboradores de todo o mundo).

As diretrizes que devem pontuar uma proposta educacional para nos ajudar a construir um mundo melhor é o caminho a ser seguido que envolve:

  1. Empoderar os estudantes para que eles tenham determinação e autoconfiança para ter um projeto de vida apoiado no lema que só pela educação poderão ter um futuro melhor.
  2. Ter empatia. Abandonar o individualismo e aprimorar o sentimento colaborativo de como posso ajudar meu semelhante.
  3. Trabalhar de forma colaborativa. Neste mundo complexo em que vivemos não é possível dominar todas as áreas de conhecimento e consequentemente precisamos das habilidades de outros para vendermos os desafios que só unidos poderemos superar.
  4. Aprender através do erro. Não ter medo de equivocar-se e saber que é errando que se aprende.
  5. Imaginação e Criatividade precisam ser treinados para os desafios tornarem-se questões normais na vida de cada um.
  6. Emoção e Diversão. Aprender deve ser visto como uma atividade prazerosa e divertida e não como obrigação a ser cumprida.
  7. Criar tecnologia. Daqui por diante é ela que resolve tudo e devemos ser os criadores e não simplesmente seus usuários.

É preciso construir um Brasil Melhor investindo prioritariamente na educação a partir de um projeto nacional compromissado e assumido por todos.

Os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) expressam a nossa realidade do ensino público, onde 16% dos alunos do ensino fundamental (perto de 4,35 milhões) e 10% do ensino médio (780 mil) não têm acesso a internet. A classe “A” e a média não têm este problema, enquanto 40% do restante dos estudantes não são atendidos.

Os professores que estão em atividade e os futuros precisam também ser treinados para dominar o mundo digital e as novas tecnologias, sem o qual eles não terão como atuar, pois, agora são a base de qualquer profissão. E, por outro lado, as famílias de menos recursos precisam ser incentivadas a apoiar seus familiares a estudarem, como única saída para que possam ter chance de atual na sociedade com suas múltiplas atividades. Não se faz projeto de vida sem educação de qualidade. E certamente as empresas, o sistema universitário, os aposentados e os colaboradores de sempre, deverão integrar estas redes colaborativas em prol da construção de um Brasil melhor pela educação.

E concluindo, conforme a epígrafe, num mundo de incertezas, como o nosso, só o intercâmbio constante de experiências e conhecimento tornara possível o progresso pessoal e coletivo. Repito: ou investimos em educação como âncora de nossa independência tecnologia e de integração social ou estaremos fadados ao atraso.

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Uma resposta para “Como construir um Brasil melhor pela educação”

  • Jacir Venturi says:

    Caro mestre Gabirel
    Não perco um de seus artigos, pelos ensinamentos, cultura e experiência. Muito o admiro, pois dedica o seu precioso tempo para que aprendamos
    Obrigado

     

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