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Júlio César de Castro Ferreira
Psicoterapeuta, coach, psicanalista, psicopedagogo, especialista em Programação Neurolinguística com mais de 17 anos de atuação na área educacional
Fundador e diretor da Woke Mind
***

Preparar o educador é a primeira das novas diretrizes apontadas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a implantação das competências socioemocionais. Qual é o melhor caminho para que essa qualificação ocorra de fato? Basta oferecer conteúdos teóricos sobre o assunto?

Para reponderemos essas questões, é importante a compreensão de que estamos falando sobre competências não cognitivas, ou seja, a teoria é uma parte pequena dentro do seu desenvolvimento, pois são habilidades que precisam ser desenvolvidas no indivíduo. Fazendo uma analogia, é como querer aprender a tocar violão estudando apenas os aspectos teóricos, sem treinar a habilidade necessária.

Ainda não sabe o que são competências socioemocionais? Clique aqui.

Outro ponto importante que precisa ser considerado é o atual cenário da saúde mental entre professores, que evidencia um baixo desenvolvimento socioemocional da classe. Diversas pesquisas e publicações mostram que uma grande parte dos educadores no Brasil passam por algum transtorno psicológico, como depressão, crises de ansiedade, estresse, síndrome de Bornout e problemas nos relacionamentos. Uma simples pesquisa no Google pode esclarecer muito sobre isso, como o fato de o Brasil ter sido classificado como o país com as maiores taxas de ansiedade do mundo. Vamos destacar algumas publicações relevantes:

Número de professores afastados por transtornos em SP quase dobra em 2016 e vai a 50 milG1 São Paulo – 21/11/2017

A cada três horas, um professor da rede municipal pede licença por problemas psicológicos – Globo.com – 11/03/2019

Educação tem 62 afastamentos por transtorno mental ao dia – Folha de S.Paulo – 10/06/2019

Burnout: síndrome afeta mais de 15% dos docentes – Site Portal do professor – 07/08/2018

A síndrome de burnout em professores – A mente é maravilhosa – 27/12/2018

Muitas reflexões podem surgir a partir desses dados, mas, independentemente de suas causas, vamos destacar o fato de que um bom desenvolvimento socioemocional impacta positivamente na saúde mental de qualquer indivíduo, pois alguém dotado de competências como autoconhecimento emocional, automotivação, resiliência e boa inteligência interpessoal, por exemplo, consegue prevenir consideravelmente grande parte dos transtornos psicológicos.

Porém, como os profissionais e cidadãos de hoje não aprenderam as competências socioemocionais dentro de uma metodologia adequada, o desenvolvimento dessas importantes habilidades vai ocorrendo, ou não, nas experiências vividas na vida. Ou seja, não se desenvolvem da forma mais adequada. E isso também se aplica ao professor, que ainda enfrenta grandes desafios, passando por muita pressão diária, sendo considerada uma das profissões mais estressantes do mundo.

Os dados evidenciam que grande parte dos educadores não tem as competências socioemocionais bem desenvolvidas em si mesmo, o que não será resolvido com simples estudos teóricos sobre o tema.  Qualificar um educador, de fato, significa desenvolver nele mesmo essas competências, afinal, só é possível guiar alguém por um caminho percorrido e conhecido.

Como um professor ensinará sobre controle emocional se ele mesmo não demonstra essa competência? Como vai desenvolver uma boa inteligência interpessoal se é conhecido por se envolver em conflitos, com alunos, colegas e pais de alunos? Como vai avaliar o autoconhecimento emocional nos estudantes se não consegue perceber em si mesmo? Como vai estimular nos alunos uma boa capacidade de liderança se ele mesmo não apresenta essas características?

O mesmo se aplica aos professores do ensino superior, especialmente os envolvidos na formação de docentes, que precisam de qualificação para esta nova demanda do mercado, cujos novos profissionais devem dispor de habilidades para o planejamento e execução das aulas que prevejam as competências socioemocionais.

Por isso é fundamental que os gestores de escolas e faculdades estejam atentos a esta importante demanda, e conscientes sobre os caminhos corretos para lidar com ela.

A qualificação dos educadores para as competências socioemocionais precisa contar com treinamento especializado, aplicado por programas e profissionais da área do desenvolvimento pessoal, preparados para estimular no educador este aprendizado.

Atualmente, existem no mercado brasileiro alguns programas e treinamentos voltados para o educador, que preparam este relevante profissional para um novo e irreversível cenário da educação mundial, que prevê a competência socioemocional como um pilar fundamental deste paradigma.

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Uma resposta para “Como treinar educadores para as competências socioemocionais?”

  • Bruno Bittencourt says:

    Através da wokemind, consegui obter um autoconhecimento profundo, mudando muitas crenças e valores, foi um conhecimento extraordinário

     

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