Fernando Palacios
Administradores, publicado em 17 de outubro de 2011
***

A instituição de educação superior é considerada uma organização estrutural e funcionalmente complexa. Sua complexidade e pluralismo decorrem em razão de seus objetivos múltiplos muitas vezes divergentes que envolvem desde a produção e a difusão do conhecimento e o desenvolvimento tecnológico, até a responsabilidade social, ou seja, a manutenção e a formação de valores sociais responsáveis pelo perfil da sociedade.

Complexidade e pluralismo estão também relacionados ao poder difuso existente no interior da estrutura organizacional (formal e informal) e à forma de atuação de seus agentes baseada no conhecimento dos processos de trabalho que lhes garante autonomia quase que plena, orientando-se, porém, muitas vezes, por valores contraditórios entre os diversos grupos que constituem a organização.

Nas últimas duas décadas assistiu-se a uma profunda transformação do cenário do ensino superior privado do país, com impactos notadamente importantes para as IES particulares instaladas em grandes centros metropolitanos. A análise contextual destaca: a entrada de novos concorrentes; uma maior diversidade de cursos; maior disponibilidade de vagas oferecidas; a permanência de um patamar alto da inadimplência do corpo discente; a diminuição do valor das mensalidades cobradas; a alteração do perfil do aluno ingressante; a elevação dos requisitos mínimos exigidos pelos órgãos públicos regulamentadores de seu funcionamento, entre outros aspectos.

Pesquisas têm demonstrado que as instituições de educação superior brasileiras, imersas nesse campo social marcado por pressões sociais e econômicas, procuram corrigir seus problemas de forma reativa e adaptativa, centrada no curto prazo, com ações não reflexivas, caracterizadas pelo amadorismo e pelo centralismo da gestão.

Levar em consideração a complexidade e o pluralismo que caracteriza essas instituições implica em considerá-las como organizações em permanente construção, ou seja, valorizar as ações coletivas empreendidas na sua prática cotidiana como uma forma possível de solucionar os problemas enfrentados.

Organização, nessa perspectiva, passa a ser entendida não como uma entidade, mas como uma complexa rede de significados (cognições) e ações compartilhadas, em um crescente reconhecimento da natureza processual, simbólica e socialmente construída do fenômeno organizacional.

Esses processos construtivos, porém, não podem estar desvinculados da análise dos seus efeitos e resultados sobre o projeto da instituição.

Assim, em uma perspectiva de (re)construção social, as avaliações empreendidas na organização devem levar à correção das ações, à reformulação dos objetivos e, de forma mais radical, ao questionamento dos princípios e pressupostos básicos da instituição.

Ao serem realizados ajustes nas estruturas, nos processos organizacionais, e também, em normas e procedimentos rotineiros, deve-se reconhecer que estes fazem, por um lado, a mediação entre os agentes da instituição – seus gestores, professores, funcionários e alunos – e, ao serem mobilizados, potencializam suas ações coletivas.

Avaliar

Deixe uma resposta

Números do Ensino Superior
Categorias
Autores
Arquivos
Visitantes
wordpress analytics