Antônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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De volta à escola, mas não necessariamente de volta à sala de aula. Até certa época, considerava-se analfabeto quem não soubesse ler nem escrever, tal o valor do bê-á-bá. Hoje em dia, quem não tem o mínimo conhecimento de computação também é considerado analfabeto. O tec-tec das máquinas de escrever perdeu-se, rapidamente, no túnel do tempo, transformando máquinas de escrever em peças de museu. Papel-carbono, para tirar cópia, morreu carbonizado, faz algum tempo, sem deixar cópia. O mata-borrão, uma espécie de papel-chupão, de tanto chupar resto de escrita a tinta no papel, também foi chupado pelo tempo, tragado como obsoleto. Oscar Niemeyer ainda usou a figura de um mata-borrão como inspiração para projetar o auditório da Escola Estadual Milton Campos, em Belo Horizonte. A escola toda é um projeto em que o arquiteto trabalhou com objetos escolares que então eram utilizados: mata-borrão, régua, giz, borracha.

Os mimeógrafos viraram sucata. A caneta-tinteiro Parker “51” não era presente para qualquer um: era um presente especial para uma pessoa especial. Até hipoclorina era usada para apagar escrita a tinta. Borracha, hoje, tem outro nome: chama-se “delete”, assim do inglês como do latim: apagar. Dessa forma, o constrangimento do alfabetizado analfabeto digital, hoje, pode ser ainda maior do que a do analfabeto tradicional socialmente marginalizado.

Com efeito, o veículo de comunicação mudou e mudou o ritmo da história. Duas crianças, mesmo face a face, não se comunicam mais diretamente, mas por meio de algum aparelhinho, transmitindo torpedos, fazendo piruetas na telinha. Antigamente se usava a expressão pintar o diabo. Hoje em dia…

Com isso, não apenas a linguagem é outra, mas também o vocabulário mudou e se amplia diariamente para dar nome a novas descobertas eletrônicas. Chegou-se a dizer que as recentes revoltas árabes podem ser consideradas revoluções tuitadas, uma vez que precedidas por picos de mensagens nas redes sociais. Quanto ao vocabulário, esse vem aportuguesado, no nosso caso, ou diretamente em inglês, uma língua tornada esperanto. Um esperanto criado por decreto do rei mercado que governa o mundo globalizado de hoje.

Portanto, a palavra de ordem para a terceira idade é: de volta à escola!

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