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Mauricio Henrique Beccker1
Juliana Olinda Martins Pequeno2
Júlio Cesar de Sousa Mrad³
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A discussão sobre a garantia do aprendizado significativo tornou-se latente nos últimos anos, impulsionada especialmente pela célere evolução das tecnologias digitais. Tal evolução tem impactado fortemente no mercado de trabalho, resultando na exigência de profissionais cada vez mais preparados para ambientes em que habilidades técnicas podem facilmente ser automatizadas e que deixam de ser o requisito principal para a inserção de profissionais no ambiente de labor.

Neste novo cenário, a importância do desenvolvimento de ambientes capazes de propiciar aprendizagem significativa, estimulante, agradável e eficiente do ponto de vista da construção de novos saberes, da apropriação de teorias e do desenvolvimento de práticas aos mais variados estilos de aprendizagem, torna-se imperativo às instituições de educação superior.

Muito embora os espaços de aprendizagem sejam múltiplos, em um momento em que a educação a distância demonstra considerável crescimento em relação a modalidade presencial, mister se faz a necessidade de investimentos em Ambientes Virtuais de Aprendizagem – AVA, os quais assumem suma importância no processo de ensino-aprendizagem dos estudantes que optam por esta modalidade, visto ser a ferramenta primordial de trabalho.

Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), do inglês Learning Management System LMS, podem ser compreendidos como softwares que, formados por diversos recursos de tecnologias digitais de informação e comunicação, são comumente utilizados para o apoio de atividades de educação a distância (RIBEIRO et al, 2007, p. 4).

Com amplo número de recursos capazes de oportunizar inúmeras atividades em diversos formatos, o AVA possibilita a abertura de fronteiras nos ambientes de aprendizagem que deixam de estar limitados às conhecidas salas de aulas de físicas, quebram barreiras e trazem consigo “uma perspectiva pedagógica na qual a interação e a mediação entre os sujeitos do processo de ensino-ensino-aprendizagem são realizadas por uma  série de recursos de comunicação e interação, via internet” (MACIEL, 2018, p. 31).

No arcabouço de estratégias necessárias para o modo de ensinar e aprender, ou seja, no processo de “estruturar e aplicar habilidades e recursos disponíveis na conquista de determinados objetivos” (ANASTASIOU; ALVES, 2003 apud BELUCE; OLIVEIRA, 2012, p. 2), elenca-se a importância do conhecimento e da compreensão de teorias e estilos de aprendizagem, bem como na escolha de profissionais que componham as equipes de forma multidisciplinar.

Dentre as principais teorias de aprendizagem que cerceiam tal perspectiva pedagógica, destacam-se as de Piaget, Vygotsky e Wallon, teóricos que contribuíram para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da compreensão do processo de aprendizagem, em especial a de Vygotsky, visto que sua teoria era pautada na aprendizagem por meio de interações. A compreensão das teorias de aprendizagem contribuirá de forma ímpar para a concepção do formato do Ambiente Virtual de Aprendizagem almejado por uma instituição educacional preocupada com o desempenho discente, ao passo que apoiará os profissionais responsáveis pela execução de tal tarefa na definição e adoção do melhor design e recursos tecnológicos.

No contexto do desenvolvimento de uma plataforma AVA deve-se atentar, ainda, aos perfis dos estudantes e seus respectivos estilos de aprendizagem, ao passo que este determinante fator interferirá demasiadamente naquilo que o estudante aprende e apreende, bem como na sua capacidade de construir novos conhecimentos e desenvolver o pensamento crítico-reflexivo.

É imperativo às instituições de ensino compreender que tais ambientes são necessários e imprescindíveis no modelo educacional esperado pelas atuais e futuras gerações, cada vez mais inseridas nos campos voltados a tecnologias. Contudo, tão imprescindível quanto dispor deste ambiente é desenvolvê-lo, prepará-lo, organizá-lo para que, de fato, atinja o seu principal objetivo, o aprendizado de excelência.

 

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REFERÊNCIAS

ANJOS, A. M. dos. Tecnologias da informação e da comunicação, aprendizado eletrônico e ambientes virtuais de aprendizagem. In: MACIEL.C (Org.). Educação a distância: ambientes virtuais de aprendizagem. Cuiabá: EdUFMT, 2018.

ANASTASIOU, L das C. Ensinar, aprender, apreender e processos de ensinagem. In: ANA- STASIOU L C, Alvez LP, (Orgs). Processos de ensinagem na universidade: pressupostos para as estratégias de trabalho em aula. Joinville: UNIVILLE; 2007 Apud: BERLUCE, A. C.; OLIVEIRA, K. L. de. Ambientes virtuais de aprendizagem: das estratégias de ensino às estratégias de aprendizagem. 2012, disponível em: <http://www.ucs.br/ etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsul/paper/viewFile/3006/904>. Acesso em: 24 mar. 2019.

INSTITUTO Nacional de Estudo e Pesquisas Avançadas Anísio Teixeira. Glossário dos instrumentos de avaliação externa. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_- superior/avaliacao_institucional/apresentacao/glossario_3_edicao.pdf>. Acesso em: 24 mar. 2019.

MACIEL, C. Ambientes virtuais de aprendizagem in Dicionário crítico de educação e tecnologias e de educação a distância. MILL, D. (Org.). Campinas, SP: Papirus, 2018.

MOORE, M. e G. K. – Educação à Distância – Uma visão integrada. São Paulo: Cengage Learning, 2008, apud FAGUNDES, A. P. C. O papel da equipe multidisciplinar na implementação de cursos na Educação à Distância. Disponível em: <https://re- positorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/1852/Fagundes_Ana_Paula_Coe.pdf?sequence=1&isAl- lowed=y>. Acesso em: 24 mar. 2019, p. 14.

SANTOS, T. Teorias de Piaget, Vygotsky e Wallon e a relação com o e-learning. Disponível em: <http://embed-rdpreader.digitalpages.com.br/index.html#2.52.1/public/ 241/72643>. Acesso em: 24 mar. 2019.

SANTOS, T.. Estilos de aprendizagem. Disponível em: <http://embed-rdpreader.digi- talpages.com.br/index.html#2.52.1/public/241/72646>. Acesso em: 24 mar. 2019.

SILVA, C. R. de O. Bases pedagógica e ergonômicas para concepção e avaliação de produtos educacionais informatizados. Disponível em: <https://reposito- rio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/77834/138909.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 24 mar. 2019, p. 10.

SILVA, R. G. D. da. A importância da teoria sociointeracionista na formação de professores do ensino médio. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pe/v5n1/ v5n1a09.pdf>. Acesso em: 24 mar. 2019, p. 141.

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1Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação, Especialista em Gestão e Metodologias para Gestão em EAD e Didática e Docência do Ensino Superior. E-mail: beccker@icloud.com

2 Especialista em Gestão Escolar e Docência do Ensino Superior. E-mail: jompequeno@gmail.com

³ Mestrando em Educação, licenciado em Letras – Português/Inglês e respectivas literaturas. E-mail: jcmrad@hotmail.com

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